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"Hoje enxergo além de tudo o que já vi"

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Meu nome é Deborah, sou diabética tipo I desde os seis anos, ou seja, 22 anos de diagnóstico e lutas. Hoje tenho 28  anos, abandonei a carreira no direito, para seguir como educadora, sou professora dentro de um complexo da Fundação CASA, antiga FEBEM.

Meu diagnóstico surgiu depois da Páscoa, estava com perda acentuada de peso, mas todos falavam que era a idade de crescer e não engordar. Ganhei muito chocolate e também uma cetoacidose... Fiquei mais de uma semana internada e quase morri até darem o diagnóstico de Diabetes Tipo I.

A preocupação do meu pai era a conta hospitalar e da minha mãe era manter- me viva.

Lembro bem pouco da situação, recordo-me das visitas do meu avô paterno, das picadas no pé com aquelas agulhas imensas, e do Dr. Celso, que por muitos anos nos auxiliou.Na época do meu diagnóstico, as glicemias capilares eram feitas no pé com agulhas grandes,doía muito,a justificativa dos médicos eram por eu ser uma criança e ali ser o melhor lugar. No dia-a-dia fazíamos o teste de urina, eu fazia xixi, nele colocávamos uma fitinha (que cortávamos em várias partes para economizarmos) e pela cor que aparecia tinhamos noção do valor da glicemia.Apenas anos depois que passamos a fazer as glicemias capilares, tanto que no início minha mãe só furava meus polegares,até aprendermos a rodiziar.

Já havia ficado doente seriamente anos antes, só que com outra doença. Quando eu tinha cinco meses de vida tive um higroma e aos seis anos veio o diabetes. Doença esta que mais  tarde viria a colaborar para o óbito de meu pai...

A convivência com a doença nunca foi fácil, eram hipos graves, seguidas do rebote das hipers ou hipers sem motivos. Vivíamos em uma roda gigante glicêmica, mais do que o normal. Minha mãe sempre batalhando comigo... Gratidão por esta guerreira.

Quando completei sete anos, meu pai faleceu em decorrência de uma infecção do pós-cirúrgico que não cicatrizava,pela constante descompensação glicêmica. Meu pai morreu “da doença” que eu tinha...Imaginem como eu fiquei mesmo sendo uma criança.

A adolescência foi um período bem complicado no controle. Anteriormente usava uma insulina mix 80/20, ela saiu de mercado e deu lugar a 70/30, que acabou dando lugar a NPH e Regular. Todas elas fizeram parte do meu tratamento.

Com a NPH e Regular, passei a ter hipos severas e sucessivas internações. Era um sentimento de fracasso desolador! Nada dava certo. Dando lugar a uma desistência e falta de força para lutar, a mesma me levou a uma cetoacidose e para a UTI. Devo salientar, que foi a partir daí que resolvi de fato tomar as rédeas da doença. Depois disso, entrei com tratamento com a Lantus e a Humalog, e a coisa mudou drasticamente em minha vida... Em todos os sentidos!

Não tinha mais tantas hipos e podia estudar estagiar e viver plenamente. Formei-me em direito e logo entrei na faculdade de história. Que vitória!

Tenho um amplo histórico de cirurgias bem sucedidas e sem relação com diabetes, inclusive a mesma cirurgia que levou a morte de meu pai (um cisto sacro). Foram quatro cirurgias, a quinta aberta e cicatrizada lindamente! Tudo isso era animador, minha vida mudou muito depois do novo tratamento.

Nos anos seguintes,houveram momentos de abandono do tratamento,rebeldia,más escolhas e decisões,porém logo eu voltava a órbita.

Durante todo meu tratamento, ouvi que gravidez e diabetes eram sentença de morte para a mãe ou para o bebê... E lógico minha família também convivia com esse fantasma.

Aos 26 anos, casada há 3, com um homem que se tornou um especialista em diabetes, e que também morria de medo de me perder em uma gestação, decidimos tentar. Minha glicada não estava boa... Consegui deixa-la em 11,2% quando tive a certeza da gravidez. A glicada não era a ideal,sabíamos,mas havia um esforço enorme em alcançá-la,tanto que foi na gravidez que tive os meus controles e glicada.

Grávida
Com três meses de gestação e glicada de 8,5%, decidi comunicar a família! Meu marido sempre apreensivo e minha mãe em estado de choque esperando o pior. Desde o começo da gravidez, acompanhei tudo pelo convênio e pelo alto risco do SUS, que diga se de passagem foi espetacular.

Tive muitas hipoglicemias severas durante a gravidez, a ponto de necessitar que meu marido me aplicasse glucagon para eu retomar a consciência.

Passamos momentos difíceis neste período,contudo, eu considero que a pior parte sempre foi a psicológica.Era enlouquecer ver no consultório mães perdendo seus filhos,fazendo parto de natimorto,ouvir sobre os resultados de uma glicada alta para uma gestação.Gente,dava para pirar,com certeza dava. As pessoas tem sérias dificuldade de serem empáticas,incrível isso!

Sempre tive plano de saude,esta foi uma coisa que minha mãe fazia questão,pois sabíamos da demora do SUS em certos atendimentos e exames. Anualmente fazia todo o check-up ocular pelo convênio,mas foi em 2015 que tivemos o primeiro sinal de retinopatia,tratava-se de pequenos vasinhos,nada alarmante. Com a gravidez comecei a ter hemorragias significativas, de uma retinopatia inicial passei a ter uma retinopatia proliferativa,foi um salto enorme de uma para a outra, com três meses de gestação tive o meu primeiro sangramento e com seis meses o sangramento mais forte.

Com 5 meses de gravidez, precisei pedir licença do meu serviço, pois já com a barriga grande, passei por uma situação de grande estresse lá. Houve uma rebelião dentro da unidade e me fez ter um pico de pressão e hiperglicemia. Foi tenso! O melhor foi afastar-me do trabalho.

Neste período, apareceram as moscas volantes e manchas na cor vinho que atrapalhavam a minha visão. Ao ir ao hospital dois médicos se divergiram nas opiniões, um queria me internar, outro não,até que encaminharam para um hospital especializado. 

Ao chegar no Pronto-Socorro indicado,a médica que me atendeu disse que meu caso era cirúrgico,meu médico não aprovou a cirurgia devido a gestação e assim fomos levando com lasers até que a bebê nascesse. Este foi o meu pior sangramento ocular, na gestação.

Acordei de madrugada,acendi a luz e não enxergava nada, porque os vasos que romperam em ambas as vistas,pegaram toda a minha visão central,eu não enxergava nada,era uma mancha preta nos meus olhos,só enxergava pontos de luz,esta mancha  causou um edema no olho esquerdo,o médico não identificou o edema,antes da minha filha nascer fiz uma injeção no olho. 

Fiquei uma semana inteira internada com quadro de pré-eclampsia e instabilidade da glicêmica, além da perda gradual da visão. Fiz laser e tudo foi se controlando na medida do possível.

Minha médica me pediu regularmente ultrassom e outros exames, basicamente a cada 15 dias passava nos médicos do convenio e semanalmente no SUS.

Passei a gestação inteira com medo de ouvir o “óbito fetal”, então a cada vez que a via no ultrassom ou escutava o seu coração, me sentia em paz. No consultório mesmo, conheci outras diabéticas que perderam o bebê tardiamente. Isso era amedrontador!

Ao sabermos o sexo do bebe decidimos o nome seria Morgana. Escolhemos este nome ao lermos o livro As Blumas de Avalon.Morgana era uma forte e decidida feiticeira.A grande bruxa!E como protegida de uma grande bruxa, minha bebê merecia esse nome!

Fizemos o teste com a bomba de insulina durante a gestação,mas em meio ao turbilhão de coisas que nos ocorreram na gravidez,protelamos para depois do nascimento da bebê. Estamos vendo esta questão para que eu possa colocá-la e melhorar meu tratamento.

Com 31 semanas, passei por consulta no Hospital Santa Joana para agendar a cesariana e eles recusaram por ser muito antes do tempo. Na mesma semana (01-11-16), era a minha perícia do INSS, nesta, ao examinar-me o perito me recomendou ir para o hospital, pois julgava que Morgana deveria nascer.

No dia 05/11/2016, com 32 semanas de gestação, era a inauguração do Estúdio de Tatuagem do meu marido, às 5 da manhã deste mesmo dia, quando voltei do banheiro para cama, a bolsa estourou. Ficamos assustados pela quantidade de líquido que saiu, entramos em pânico. Procurei ter calma e liguei para o convênio, que me orientou a ir ao Hospital Santa Joana ou Pro-Matre e assim fizemos.

Sem dor, sem angústia, mas com medo seguimos para o hospital. Dei entrada no Pronto Socorro as 07h30min, estando com quatro dedos de dilatação. Morgana estava sentada, pesando quase 4 quilos. Fui acompanhada e analisada o tempo todo. O anestesista verificou que estava com um inchaço exagerado nas costas e acompanhou picos de pressão alta, solicitou então urgência na minha cesariana.

Ela nasceu bem, precisou ser assistida por um período na UTI Neonatal.Não consegui amamentá-la,meu leite secou por tanto estresse.



Passei muito mal no centro cirúrgico. Às 11h05min do dia 05/11/2016, Morgana veio ao mundo, pesando 3.850kgs e medindo 45 centímetros.

Hoje Morgana está linda e saudável. Alegra a todos com sua espontaneidade. A mamãe aqui que passou a ater complicações. A gente sabe,uma hora o corpo fala e põe para fora todas as nossas rebeldias e descontroles com o diabetes,comigo não foi diferente. Fica aí o alerta para quem acha que empurrando com a barriga ou fazendo umas coisas e compensando depois não traz problemas.




Minha retina rompeu depois que a Morgana nasceu.Estou cega de um olho e tratando o outro. 

Quando ela nasceu,3 semanas depois fui em outro oftalmologista escutar uma nova opinião, sentia que algo estava estranho comigo,quando ele foi realizar meu fundo de olho,notou que meu caso era grave,chamou dois especialistas em retina.Assustados me encaminharam ao centro de referência com urgência,disseram-me que minha retina estava partida no meio.

Precisei fazer uma vitrectomia (procedimento cirúrgico que faz a remoção do vítreo – fluído que preenche o interior do olho), quando minha filha tinha 1 mês e quinze dias.No decorrer dos meses fui realizando outros procedimentos como: retirada de catarata, lasers e começamos a injetar quimioterápticos. 

Comecei a tratar com uma equipe especializada, foi aí que soubemos que o médico anterior não havia feito o tratamento adequado na minha visão,não havia nenhum sinal de laser,como se ele nem tivesse mexido no meu olho.Isso foi muito estressante e angustiante para mim.



Neste processo comecei a descrever para o médico,dores de cabeça horríveis,vermelhidão ocular, desconforto e visão borrada em ambos os olhos. O oftamologista disse que havia a possibilidade de eu estar com glaucoma de angulo fechado na visão boa, mas achava raro,uma vez que isso pouco ocorre em paciente com retinopatia diabética.

Fui fazer os exames para sabermos do que se tratava,eu até ria pensando"Mano, do jeito que sou sortuda,vou estar com isso aí." Dito e feito,os exames apontaram, estava com glaucoma de angulo fechado.

A médica que realizou o exame não me disse nada a respeito, o médico também não,ficou um diagnóstico velado, eu com minhas pesquisas e sensibilidade diabética,sim, passamos tê-la após 22 anos de diagnóstico sabia do que se tratava.O médico me preescreveu um laser, disse o que me aconteceria.Me assustei com as inúmeras possibilidades de problemas com o olho bom, e assim não fiz o Yag Laser,fiquei numa sinuca de bico entre fazer o procedimento ou deixar como estava,ambos poderiam me acarretar em problemas,por isso não o fiz.

Atualmente faço laser no olho bom,o recomendado seria quinzenalmente,porém, não o faço pois passei a perder a visão periférica e minha vista está muito sensível,a ponto de não suportar o tratamento com frequência. Por hora, a médica vai me avaliar e dizer sobre os próximos passos. Ela deixou de atender  meu plano de saude,os demais não me passam a segurança necessária,já que por um mal atendimento e um laser mal aplicado, perdi minha visão. 

Está tenso!Como mãe,dona de casa,profissional...Como pessoa mesmo sabem? Imaginem como fico,muito impotente, não enxergo nada de um olho e perdi a noção de profundidade do outro,tropeço nas coisas.É fogo! Durante o dia consigo levar,mas a noite para minha é terrível. Tenho o risco eminente de perder a visão do outro olho.Não posso mais atuar no sistema prisional que era o que eu mais amava fazer (estou afastada pelo INSS)...

Hoje os médicos me dizem que o melhor é manter a glicemia estável.Mas como? Qualquer inflamação na visão por menor que seja, e sendo tratada rapidamente me ocasiona numa hiper daquelas.Fora que há outros fatores intrínsecos na vida de uma diabética,como gripes,período menstrual,estresse e etc. que alteram as glicemias. Tenho me dedicado ao máximo,não tem sido displicência minha.

Me falam que Deus pode me curar, eu acredito,porém mais do que isso,acredito que isso foi fruto das minhas decisões, escolhas e falta de amparo profissional.Sim,neste percurso achei muitos médicos desinformados, que me tratava como mais uma,que não dava a devida atenção para o diabetes...Sem empatia nenhuma! Achei uma boa endocrinologista  há 5 anos, e nos anos anteriores o que fiz? Tá fui negligente muitas vezes e isso somado a falta de aparato, foi o BUM que resultou  hoje.

Tenho minhas responsabilidades diárias como pessoa, estou cega de uma vista,com a outra comprometida, tenho diabetes para cuidar,lembrando que trata-se de uma doença lábil,sinto dores na perna,tenho sinais de neuropatia,tanta coisinha que no conta gotas, forma uma massa gigantesca. Não é só fechar a boca, para se ter um bom controle glicêmico!

A maternidade foi um sonho que realizei do qual jamais me arrependerei, a alegria que minha filha traz para mim é indescritível, a vida só faz sentido porque ela existe para me alegrar e mostrar-me que vale a pena lutar. Não me arrependo de tê-la tido mesmo em meio a tudo o que anda me ocorrendo, já lhes disse acima, cada ação,gera uma reação e assim foi comigo.

Minha dica é:Cuidem-se! Não façam loucuras! Uma hora a casa cai!

Os cuidados se estendem no antes, durante e após o nascimento do bebê. Hoje arco com minha rebeldia e com meu desconforto com a doença, tenho sequelas, mas vivo muito bem sob os cuidados necessários e visando uma vida plena com minha família.


Recebi o diagnóstico do Diabetes Tipo Lada durante a gestação

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Olá!

Me chamo Suzana,tenho 30 anos, sou casada e professora. Descobri o Diabetes Tipo Lada aos 24 anos de idade.

Depois de receber o diagnóstico de diabetes tipo II, fazer inúmeros exames e passar por alguns tratamentos foi que finalmente tivemos o diagnóstico correto, tenho Diabetes Tipo Lada.

Ao contrário de muitas pessoas, recebi o diagnóstico do diabetes durante a gestação.

Vamos lá...

Passei por um processo emocionalmente muito difícil, emagreci muito nesse período, passei a beber muita água e a urinar com frequência. Sem saber dos sintomas achei que era um quadro da depressão devido a tudo o que eu estava passando.
No meio de todos estes fatos, descobri que estava grávida,foi um misto de alegria e medo. Não nos planejamos, mas desejávamos sermos pais. Fui fazer os exames comuns da gestação até que vem a pior notícia:

 - Mãezinha,você é diabética né?

Foi um choque aquela notícia, não entendi nada, mas por amor ao meu bebê decidi me cuidar e iniciar o tratamento de alto risco no convênio.

Muitas mudanças bruscas ocorreram em minha vida, eram os sintomas gestacionais,informações sobre o diabetes e também os sintomas do diabetes. Não dava tempo de raciocinar, apenas de executar, qualquer erro poderia comprometer as nossas vidas.

Durante a gravidez, fiz uso das insulinas NPH e Regular. As consultas eram sempre tensas, os médicos me alertavam para o risco da perda do bebê com ênfase, eu muito assustada, mudei totalmente minha alimentação.Chorava muito, o medo sempre me rodeava, era uma alegria ao meu bebê mexer e uma angústia quando ele estava quieto!

Contudo,mesmo sem conhecer a fundo o diabetes, sem entendê-lo, eu me cuidava para que pudesse ter meu filho com saúde.

Foram meses de angustia e de apreensão!

Feliz por realizar o sonho da maternidade,triste por não poder usufruir daquele momento como esperava.

Com 36 semanas, fizemos uma cesárea de urgência, pois meu liquido amniótico estava secando pela acidez do açúcar em meu sangue. Samuel nasceu com 2,790 kg e não precisou ficar na UTI.

Ver meu filho bem,mesmo diante das circunstâncias,fez tudo valer a pena.Ele foi amamentado por 2 anos e 2 meses, as primeiras hipos significativas que tive foram durante a amamentação, mas logo foram controladas.

Pelo desconhecimento em relação ao diabetes, não usava métodos contraceptivos, achava que o diabetes me impediria de engravidar.Por isso nunca me preocupei em tomar remédios,até que 3 anos após o nascimento do Samuel,novamente engravidei.

Foi novamente um choque, por outro lado achei que seria mais fácil,uma vez que eu já havia engravidado e tinha esta experiência,ledo engano.

Comecei a ter dilatação aos 7 meses de gravidez, fiquei afastada e de repouso até o nascimento do meu filho. Com 37 semanas, senti todas as dores do parto, fomos tentar um parto normal, mas assim que estouraram a bolsa, a placenta deslocou e foi aquela correria para o parto cesárea. E assim nasceu José Henrique, com 4.275kg.Ficamos internados uns dias por conta de uma bactéria que deu nele (fisiometria), mas no final tudo deu certo!




Gestaçào do José Hnerique


José Henrique, foi amamentado por 1 ano e 10 meses, no início tive muitas hipos, mas me alimentei corretamente e mudamos as dosagens de insulina e assim as glicemias foram estabilizando.



José Henrique e Samuel

Me sinto realizada por ser mãe de dois meninos, aprendi a lidar com o diabetes e hoje me cuido bem melhor.Conhecer a doença, ajuda muito no tratamento e até mesmo mudarmos pensamentos e posturas frente a doença. No fundo ninguém deseja ter diabetes,é muita responsabilidade! Cuidar de tudo e de todos,além de seus cuidados básicos e ainda ter mais esta preocupação...Mas como diz o ditado “o que não tem remédio, remediado está”.Ou seja, o diabetes não tem cura, mas tem controle,posso viver e também usufruir de muitas coisas daqui.Só depende de mim.

Samuel, foi a minha cura emocional, foi por ele que atravessei momentos difíceis e por ele que aceitei o diabetes. Senão fosse a gestação, eu não teria tido o diagnóstico do diabetes “tão rápido”, eu tinha uma doença dentro de mim que estava silenciosa.

Atualmente uso as insulinas NPH e Regular e tomo o medicamento Glifage.

Podemos sim ser mães!Basta termos fé e fazermos nossa parte .

Esse é o meu testemunho vivo: Samuel 5 anos e José Henrique de 2 anos de idade.



Nossa Familia

II DOCE Encontro -Bate-papo sobre a experiência de ser mulher,mãe e ter diabetes

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Evento destinado a mulheres que desejam engravidar, grávidas, mães com diabetes e seus filhos. O objetivo é reunir mulheres com diabetes em um descontraído bate-papo com troca de experiências. Em um lugar lúdico, acolhedor e familiar, adequado para seus filhos, que serão recebidos, em um espaço repleto de significados, por brincantes (monitores preparados) para ensinar brincando.

Dica: MÃES vistam-se com uma roupa que se sintam à vontade e levem seu (s) FILHO (s) vestido (s) com roupas com as quais possam se sujar. Preparem-se, será uma experiência incrível, aqui você ouvirá o que sempre quis ouvir : "te entendo", "sei bem como é", "estamos juntas" e "conte comigo".


Dia: 21 de janeiro (domingo)
Horário: ás 15:00 hs
Local: Brincando no Pé Rua Pedroso de Camargo 319 (próx. a Estação Granja Julieta da CPTM) -SÃO PAULO
Valor: 15,00 reais
O local oferece lanches as pessoas que desejarem, ospreços variam de de R$2,00 a R$10,00, são aceitos apenas cartão de débito e dinheiro.

Faça a sua inscriçào no link
https://www.sympla.com.br/ii-doce-encontro---bate-papo-sobre-a-experiencia-de-ser-mulhermae-e-ter-diabetes__226544

BODAS DE AÇO – 11 ANOS DE CASADOS, 11 ANOS QUE CONVIVEMOS COM O DIABETES EM NOSSAS VIDAS

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Neste dia treze de janeiro completamos 11 anos de casados. Lembro que escolhemos esta data para que pudéssemos terminar a nossa tão esperada casa sem pressa. O conheci com 14 para 15 anos, quando completei 20,nos casamos. Na correria, na felicidade, nos preparativos do casamento e anseio de uma vida a dois, nem me dei conta dos sinais que meu corpo dava.Na data do casamento os senti,sabia que algo estava errado, mas tudo o que eu queria, era poder ser feliz,negligenciando assim, a urina frequente, o inicio do emagrecimento e a fome absurda, a qual eu julgava ansiedade por todo o estresse que eu estava passando. Nos casamos, fomos para a lua-de-mel, eu bebia muita água e a cada esquina eu parava para fazer xixi, na data do nosso casamento, sabia que algo estava errado e por isso escolhi esta data para o diagnóstico, que com os exames abertos vieram a se confirmar: Eu tinha diabetes!Logo soubemos ser tipo I. Emagreci muitos quilos em questão de dias, o que era para ser a festa da libido por estarmos no inicio do casamento, se tornou uma candidiase sem fim,fiquei prostrada, de cama ,refém de médicos e hospitais. Me culpei inúmeras vezes por não ter podido lhe proporcionar momentos felizes e sim de dias no hospital, com gasometrias,exames,soros,hipos e hiperglicemias, nós desinformados, apenas achando que em questão de dias eu ficaria,cega,amputada e sem os rins. Você abriu mão de curtir fisicamente todo período de lua-de-mel ,para poder cuidar de mim. Foram meses de adaptação, busca por informações e anseios, ate que juntos fizemos do limão uma limonada, fomos nos ajeitando e vencendo, diabetes passou a ser o de menos... Você passou a entender bem do diabetes, me enchendo o saco quando eu não media, preocupado com as hipos e hipers ... O nosso maior desafio passou a ser a individualidade de cada, no dia-a-dia de casados. Eu era uma moça suburbana,recém-formada na faculdade, com dois empregos, 20 anos de idade, com pais recém-separados, sofrendo com a rejeição materna,sem referências familiares, totalmente fragilizada e agora doente e prostrada...Achei que meus sonhos haviam terminado ali,já que constituir uma família passou ser algo bem vago dentro de mim, mas Deus e você , me mostraram que eu poderia ir além. Se hoje chegamos as BODAS DE AÇO foi porque, só sendo aço para suportarmos todos os processos siderúrgicos pelos quais passamos, com temperaturas altíssimas. O aço, para chegar a ser de fato aço, passa por pelo menos três grandes fundições, e em cada uma delas muitos resíduos foram desprezados. Assim como tem sido até hoje conosco. Somos aço, somos um, a simbiose é perfeita. Obrigada por tudo! E como digo, estamos longe da perfeição, distantes de sermos um casal Disney, mas felizes por termos teus familiares por perto, termos tido nosso filho e sabendo O DIABETES NÃO DEFINIU A NOSSA HISTÓRIA.




A gente passa a vida almejando uma boa glicada e engravida com ela em 9,9% rs

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Olá!

Gostaria de falar um pouco da minha história com o diabetes, em especial no período gestacional para vocês.

Meu nome é Pámela, sou casada, enfermeira e tenho 29 anos.

Descobrimos o Diabetes Tipo I, quando entrei em coma e desde o diagnóstico aos meus 13 anos de idade, minha hemoglobina nunca havia sido menor que 9.9%. Mas graças a Deus, não precisei ficar internada em decorrência do DM, a não ser com oito semanas de gestação (mas para frente conto melhor como foi).

Sempre desejei ser mãe, mas era desestimulada pelos valores da minha glicada, mesmo com este receio não tomava nenhum método contraceptivo, decidi entregar nas mãos de Deus e aguardar o tempo Dele, já que estava cada vez mais difícil alcançar a glicada desejada. Sei que nao foi a melhor forma, mas as vezes a gente cansa.

Por quatro anos fiquei neste processo (desde que casei), sem ansiedade ou estresse, mas esperava um dia poder gestar, até que engravidei com a hemoglobina 9.9%. Descobri a gravidez com cinco semanas, me senti abençoada com a notícia, me sobreveio um misto de sentimentos, mas a alegria se sobrepôs.

Com oito semanas de gestação, minha glicemia deu uma descompensada, o que me fez ficar internada por três dias, desde este episodio os valores glicêmicos não eram menores que 100 mg/DL, precisei ser acompanhada semanalmente pela médica, que descobriu que eu estava com pressão alta, era hipertensão hereditária, não da gestação, passei a tomar Metildopa a fim de regularizar os valores da pressão arterial.

Uma amiga diabética me indicou a médica que me acompanhou, ela foi uma benção em nossas vidas, toda semana eu estava no consultório para orientações, pois a mudanças de hormônios dificultavam bastante o controle glicêmico. Fazíamos com frequência, mudanças nas dosagens da insulina, eu media a glicemia diariamente e os exames eram feitos assiduamente (meus e do bebe).

Continuei fazendo uso de insulinas NPH e Humalog, durante a gestação, mudando sempre que necessário às dosagens para irmos melhorando as glicemias capilares.  

Lembro-me de ter passado uma semana tendo hipos, minha glicemia chegou a 27 mg/DL, chorei desesperadamente, pois o que eu mais ouvia dos médicos era para evitar as hipos, pois as consequências delas para os bebês poderiam ser drásticas.

Assim foram 32 semanas, onde eu comia tudo o que sentia vontade, principalmente canela, embora me dissessem para não comer, eu comia desesperadamente, era uma coisa a qual eu amei no período gestacional. E haja Insulina Humalog!Nunca havia tomado tanta insulina na minha vida, mas o importante era manter a glicemia boa.

Com 28 semanas comecei a ficar bastante inchada, parecia que a minha perna ia explodir e isso doía muito.

Com 32 semanas fui até a maternidade verificar o que estava ocorrendo, já que os inchaços e dores, não passavam. Os exames indicaram que meu bebê estava em sofrimento fetal, eu estava com pré-eclampsia grave, o pulmãozinho dele não estava totalmente maduro para que ele nascesse naquele momento, teríamos que arriscar em segurá-lo em minha barriga mais dois dias para que eu pudesse tomar injeções de cortisona, afim para ajudar no amadurecimento pulmonar dele.

Pensei: O corticoide vai acabar com minhas glicemias... Mas se é para o bem do bebê. Vamos lá!

Deus foi perfeito, mesmo com uma cavalada de cortisona, tudo correu bem.

E assim ansiosa para ver meu filho, com medo de perdê-lo, mas confiando em Deus, fui para o bloco cirúrgico com a glicemia em 47 mg/Dl de glicemia, a corrigimos com suco de uva normal e foi dado início no procedimento.

Sinto emoção ate hoje quando me lembro das minhas orações na pré-sala, pedi muito a Deus para nos abençoar e não nos abandonar, Ele foi Fiel, não ficou longe de nós nenhum momento.

Antes da aplicação da anestesia, o obstetra (muito bom por sinal) escutou o coraçãozinho do meu bebê, logo perguntei:

-Ele está vivo Doutor?!

Ele me respondeu:

-Vou conferir, são muitos fatores envolvidos!

Deu aquele aperto no coração, mas minutos depois escutei o choro do meu filho. Que ALEGRIA!

E assim na manhã do dia 02 de junho de 2017, com 1.880kg e com 42 cm, nasceu Peter, nos trazendo um grande alívio e provando que havia dado certo.



Como ele foi prematuro ficou na UTI Neonatal por 21 dias, não houveram intercorrências e tudo correu tranquilamente, claro que toda a mãe quer voltar para casa com seu filho, mas saber que ele estava bem e que precisava ficar lá para que pudesse vir com saúde, nos consolava.

Hoje ele tem 6 meses, 6 meses de pura saúde!

Como ele ficou na UTI Neonatal, e lá se alimentou de fórmula, demorei a ter leite, tomei água suja de canjiquinha para me ajudar a “dar” leite e acreditem, deu certo. Embora eu tivesse dado muito leite, ele rejeitou o peito, fiz tudo o que me indicaram, inclusive chamei fonoaudióloga em casa, mas mesmo assim ele não quis mamar no peito.

Engordei 8 kgs na gestação e perdi 10kg já!Morri de medo de não conseguir perdê-los.

Um pouco antes de engravidar havia deixado de trabalhar para melhor me cuidar. Desta forma, estou tendo o privilégio de acompanhar seu crescimento. Passamos o tempo todo com ele, dizem que o deixei manhoso, mas não me importo. Ele é um bebê super tranquilo, consigo fazer as minhas coisas sem problemas. Hoje mais que nunca vejo um grande motivo para manter a minha glicemia boa, pois quero vê-lo crescer e se tornar um homem! Minha glicada até abaixou, foi para 8,8% e acredito que tenha melhorado, em breve farei novos exames.

São inúmeras as responsabilidades que nos sobreveem com a maternidade, somadas ao diabetes e demais funções sociais, me sinto completa com a vida que tenho, vou fazendo cada coisa há seu tempo, priorizando meu filho que é o que mais desejei na vida e o diabetes, que bem cuidada me trará mais tempo e qualidade de vida ao lado dele. Temos a família que sempre desejamos! Peter (pai), Peter (filho) e Eu!



Essa é a minha história, chorei, me emocionei, tive medo, entre várias outras questões, mas com fé em Deus superei e tenho superado todos os desafios...

Mulheres com Diabetes acreditem! Nós podemos ser mães!


20 anos de DM1: Infelizmente uma perda, dois filhos e muita resiliência

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Olá! Me chamo Jheinyfer, tenho 29 anos e sou empresária.

Descobri o Diabetes Tipo I aos nove anos de idade. Após a separação dos meus pais,percebemos que o banheiro de casa vivia cheio de formigas, passei a ter corrimento, o que não era normal para a minha idade, minha mãe relatou isso aos médicos e fomos fazer exames, ao realizarmos o exames de sangue,a glicemia em jejum deu 432 mg/DL 😮. E assim com todos os exames em mãos fui diagnosticada com Diabetes Tipo I.

Desde então, minha mãe era quem cuidava de mim. Os anos passaram e a adolescência chegou junto com ela me veio à rebeldia, deixei de usar a insulina corretamente (NPH e Regular), bebia e comida tudo o que podia e não podia, fui internada pela primeira vez com cetoacidose diabética e lá fiquei 12 dias.

Quando completei 17 anos fui morar com o meu namorado (hoje meu marido e pai dos meus filhos). Ele sempre se preocupou e me ajudou a controlar a doença.

Aos 19 anos descobri que estava grávida pela primeira vez. Foi um susto tremendo!Eu não queria ser mãe, não naquele momento... No primeiro ecocardiograma fetal, o médico me alertou que o coração do bebê estava com uma má formação, eu deveria repetir o exame no dia seguinte e passar pelo obstetra.

No dia seguinte, refiz o exame e o bebê já estava em óbito, eu tinha 19 semanas de gestação. Foi aí que me caiu a ficha: “Quero ser mãe é agora o que faço? Como faço?”. Ouvia muita gente dando palpites sobre ter diabetes e não ser mãe, que tudo era muito complicado e acabei desenvolvendo depressão diante das circunstâncias.

A médica que me acompanhava na época, me apresentou as insulinas Levemir e Novorapid, além da Contagem de Carboidratos, dizendo-me que seriam grandes aliadas em meu tratamento, iniciei o uso, e um ano depois fiquei grávida novamente.

A felicidade não cabia em mim, me cuidei ao máximo que podia, fiz o acompanhamento pelo Hospital de Clínicas de Curitiba, minha cidade. Excelentes profissionais e bem rigorosos. Tinha consulta com endocrinologista e obstetra toda segunda-feira, fazíamos o perfil glicêmico toda quinta e eu passava o dia todo no hospital, mas estava sempre muito feliz.

Engordei muito no total 33 kg, fiquei redonda. Antes da gestação minha glicada estava sempre entre 10% a 11%, durante a gestação ficou entre 7% a 8%%, os ecocardiogramas fetais e ultrassons iam bem e tudo ia seguindo. Até que em uma das consultas, após o eco fetal (segunda-feira), a médica que nos atendeu disse-me que marcaria uma consulta extra na quarta-feira. Aquilo me assustou, mas ela não falou nada e também não tive acesso ao exame, já que no hospital nem mesmo podíamos olhar a tela.

Na quarta-feira, dia da consulta extra a médica me disse:

-Seu bebê está pequeno demais para a idade gestacional, ainda mais você sendo DM1...

Me desesperei, estava com 33 semanas e quatro dias, e ele estava com 1.500kgs. Cheguei em casa em prantos. De repente senti que minhas calças estavam molhadas, achei que tivesse feito xixi, me lavei troquei de roupa e pronto. A noite estava molhada de novo, então fomos para o hospital. Chegando lá fiz um ultrassom, e o médico viu que eu estava com bolsa rota, fiquei internada e em dois dias minha bolsa já estava seca. Tomei injeções de corticoide com o objetivo de amadurecer os pulmões do bebê, minhas glicemias se elevaram muito por conta delas.

O fim de semana já havia passado e o natal também, eu no hospital, nervosa e sem saber ao certo o que fariam conosco. No horário da visita, minha mãe foi me visitar, ao me ver não segurou o espanto e disse:

-Cadê sua barriga? Ela já nasceu?

E saiu do quarto fazendo aqueles escândalos típicos de mãe, rsrrs.

Santo escândalo! Ele na verdade nos ajudou muito!

Veio uma junta médica nos avaliar e para o desespero de todos o coração do meu pequeno estava parando. Eu tinha acabado de tomar café da manhã, mesmo assim correram comigo pro Centro Cirúrgico para fazermos uma cesárea. Um pediatra com incubadora aguardava o bebê dentro da sala, e, me dizia que tudo daria certo, se algo acontecesse ele me avisaria imediatamente (eu sei que ele não falaria nada).
 
Matheus na incubadora

Comecei a passar mal e não vi mais nada, quando recuperei consciência, os médicos estavam em cima de mim tentando me manter consciente, os escutava pedindo glicose, minha glicemia estava em 11 mg/DL. Eles já tinham começado a cortar a minha barriga, disseram que pelo tamanho meu bebê não iria chorar, mas que iria ficar bem.

E foi aí que ele veio ao mundo, chorou e muito! Parecia um ratinho de tão pequeno, 1280kgs e 37 cm. Ficou na UTI Neonatal por 32 dias para ganhar peso. Quinze dias após a alta médica precisou retornar ao hospital, pois teve estenose hipertrófica de piloto (um músculo do estômago era maior do que o normal e o fazia vomitar em excesso e em jatos). Matheus Henrique (meu filho) fez três cirurgias (estomago, intestino e colocou um cateter), necessitou de mais um tempo na UTI. Atualmente é acompanhado por três especialistas (gastro, pneumo e endocrinologia por conta do baixo peso, ele tem sete anos e pesa apenas 16 kgs). É um dos amores da minha vida!! O amamentei por três meses, eu tirava o leite e ele tomava via sonda e por uma semana foi amamentado nos seios, mas pelo baixo peso e cirurgia no estômago, ele necessitou de um leite especial.

Quando Matheus tinha três anos, eu tive um coma hipoglicêmico, um dia apenas, é o resultado disto? Estava grávida de quatro meses (não sabia desta gravidez), esta foi uma gestação mais complicada, era uma semana em casa e uma semana no hospital. Minha glicemia estava igual uma montanha russa, perdi a consciência pelo menos umas seis vezes nesta gestação, e na última internação, a médica achou melhor ficarmos internadas e sairmos apenas após o parto. Fiquei aliviada, pois me senti mais segura com isso.

Minha bebê não foi como o irmão, muito pelo contrário, tinha o percentil abdominal aumentado, estava grande demais, nasceu de 35 semanas 3380kgs e 45 cm, fiz a laqueadura junto com o parto, por recomendação médica. Depois do parto da minha filha, mudamos minha insulina basal para o Glargina, para me ajudar nos controles e um tempo depois passei a usar o Libre. A amamentei por três meses, mas devido as constantes hipoglicemias e pouco leite, optamos pela fórmula.
 
Carolina no hospital

Hoje tenho inúmeras responsabilidades, sou esposa, mãe do Matheus Henrique (7) e da Carolina (3), profissional, dentre várias outras coisas, noto que a vida da mulher com diabetes, é um pouco mais complexa do que das mulheres que não tem diabetes, mas meus pequenos me ajudam muito, eles já sabem quais as cores de insulina basal e ultrarrápida (as canetas) e sempre me ajudam a lembrar de medir a glicemia.

Meus tesouros

Como tenho a empresa e ainda Carolina não vai para a creche, fica bem corrido o meu dia a dia, às vezes acabo deixando de lado as medições e contagem de carboidratos em algumas refeições (quem nunca) rsrsr, de tão no automático que as coisas ficam.

Acho que o fato de sermos mulheres já nos indica que podemos sim, sermos mães, ser diabética não nos impede de nada absolutamente, apenas nos exige um pouco mais de atenção a algumas coisas, coisas estas que nos garante vida e qualidade dela.


Sinto-me realizada como mulher, como mãe e como DM I, segundo meus funcionários sou uma patroa doce.
Carolina e Matheus

Tenho Diabetes Tipo II e estou gestante.Novos desafios!

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Meu nome é Mariana, sou bióloga e descobri que tenho Diabetes Tipo II há quatro anos.

Antes do diagnóstico, já objetivava ter uma vida mais saudável, acompanhada e orientada por equipe composta por endocrinologista, nutricionista, psicóloga e educadora física, fiz exames e dei início a esta mudança de vida.

Mesmo antes de iniciar a reeducação, sempre procurei fazer exames e acompanhar os as glicemias por precaução, pois meu pai tem Diabetes Tipo II, tinha passado por tempos difíceis, e eu não desejava passar pelo mesmo.

Após alguns meses, perdi dez quilos e fiz uma nova bateria de exames, foi quando o resultado da GLICEMIA EM JEJUM nos surpreendeu estava 140 mg/DL. O baque foi inevitável. Muitos julgamentos e acusações de que havia demorado muito para ter hábitos saudáveis, só me deixava mais triste. Não aceitei o diagnóstico, me perguntava como seria enfrentar essa doença por toda vida, estava com 29 anos, recém-casada e um sonho imenso em ser mãe.

Após absorver muitos julgamentos e lamentos, comecei o tratamento com Glifage, mas o mal-estar era insuportável. Por vezes não fui trabalhar. Todos agora me percebiam doente. Minha vida profissional precisou sofrer mudanças, trabalho em campo, ficar sem suporte alimentar, já não era possível. Precisei recusar projetos e abrir mão de grandes aprendizados. Devido aos sintomas de hipoglicemia e mal-estar mudamos para o Victoza, medicamento injetável que segundo a endocrinologista prometia reverter o diabetes em um ano, caso eu continuasse associando os novos hábitos saudáveis.

Mesmo diante da mudança do tratamento, as glicemias só subiam. Cansada de tantas agulhadas diárias, passei a fazer uso do Diamicron em jejum, aí sim, as glicemias melhoraram, a hemoglobina glicada foi para 5,0%%. Grande avanço!

Foi então que por meio de exames, descobri que tinha cistos no ovário, eles eram consequência da minha resistência à insulina. Tratando isso, poderia engravidar com mais facilidade no futuro. Mas toda vez que manifestava minha vontade de ser mãe, os médicos eram enfáticos em dizer que ainda não era o momento e os argumentos me deixavam com muito medo.

Continuei usando anticoncepcional, a fim de evitar uma possível gestação. Há um ano, comecei a ganhar peso sem motivos aparentes, mesmo mantendo hábitos saudáveis. Nos exames descobrimos que se tratava de alterações hormonais causadas pelo uso continuo de anticoncepcional. Fui orientada a parar de tomar o medicamento, mas alertada a não engravidar.

Em maio de 2017, engravidei. Deus tem seus meios e formas de trabalhar, nós às vezes não as entendemos. Ficamos imensamente alegres, mas claro com medo, fui tão orientada a não engravidar...

Passei a injetar a insulina NPH três vezes ao dia (jejum, almoço e jantar). Meu esposo sofreu com isso, dizia que eu não merecia tanto sofrimento. Com 14 semanas de gestação, um pré-diagnóstico, meu bebê estava maior do que o normal seria um bebê macrossômico devido ao grande aporte de glicose. Se fosse confirmado, teria que interromper a gravidez muito cedo, teria um parto prematuro. Chorei muito e as emoções só faziam minha glicose subir. Para os que estão a nossa volta, julga ser consequência da nossa “irresponsabilidade e falta de cuidado”, e isso só torna nossa vida mais difícil. Mas decidi me dedicar ao tratamento, por ele, por mim... Por nossa família!



Percebi que tudo é motivo para falarem, se recuso ou aceito doces, sempre tem alguém para falar, cheguei a escutar que estava privando meu bebê de saborear estas “delícias”.  

Pensando nas adversidades diárias, vejo que a dificuldade social em manter a alimentação saudável é a coisa mais difícil pra mim psicologicamente. Afinal, banquetes celebram a felicidade, e não se esbanjar, muitas vezes é visto como algo negativo. “Uma vezinha não vai fazer mal” ou “você é muito radical”, muitas vezes é difícil ouvir estas coisas.

E as hipoglicemias hem?! Elas muitas vezes são vistas como frescura. As pessoas não pensam no que falam e nem como isso pode nos magoar. Falam por falar, por desconhecimento, ignorância... Enfim sem pensar, e se a gente não se apegar com Deus, acreditar em nossa gestação e termos um amor imenso ao nosso lado e ao bebê...É tenso conviver com tudo isso.


Acompanhando a gestação por meio das ultrassons, vimos que o nosso Daniel estava dentro do tamanho e peso normal para a idade gestacional. Resolvi me entregar a fé e deixar Deus conduzir a gestação. Com a glicemia controlada, hoje estou no sétimo mês de gravidez,ano que vem, terei meu filho nos braços, grata a Deus e orgulhosa de mim mesma, por ter superado todos os obstáculos fisiológicos, emocionais e sociais que a diabetes impôs.