.

Quando desejei ser mãe baixei em 6 meses minha glicada de 17,3% para 6,5%

0 comentários |
Meu nome é Jaqueline, tenho 27 anos,sou técnica de enfermagem e tenho diabetes há 14 anos.

Sou filha de pai e avós diabéticos, descobri o diabetes porque dormia no mesmo quarto que minha mãe, ela percebeu que durante a noite eu bebia muita água e vazia xixi exageradamente.Incomodada, ela me levou ao centro de saúde, fizemos o teste, e lá estava eu, adolescente com a glicemia em 480mg/dl. Foi um susto!Não sentia nada. Sai dali fui direto para o centro de diabetes na cidade que eu morava na época ,comecei o tratamento com NPH e Regular.

Estava no auge da adolescência,não foi fácil a aceitação,mas precisava me cuidar, minha mãe me ajudou muito,nesta época meu pai já não morava mais conosco.

Mesmo diante de toda a ajuda,fui muito rebelde, comia doces escondidos e mentia sobre os dextros, mal sabia que o exame da hemoglobina glicada me desmentia... haha

Odiava contar sobre o diabetes para os amigos e namoradinhos. Dos 19 aos 22 anos,larguei de vez o tratamento, não aplicava mais insulina,não ia no médico...Me descuidei mesmo,comia e bebia de tudo,vivia mais internada com "Ceto" (cetoacidose diabética)  do que trabalhando,mas não ligava.

Em 2012 com 22 anos,conheci meu esposo,não falei do diabetes,passei mal no ano novo e ele descobriu,mas como ele era leigo, ouviu só o que eu disse,que era só uma glicemia alta e já passava.

Passando os meses descobrimos a retinopatia junto com a nefropatia,meu chão caiu! Eu estava de casamento marcado e os médicos me dizendo que eu ficaria cega se não fizesse o tratamento.

Ah, detalhe eu já era técnica em enfermagem,mais não cuidava de mim!

Foi quando tomei uma atitude junto ao meu esposo, pedi a Deus uma chance de cuidar de mim e comecei o tratamento.Eu queria um dia ser mãe,sempre quis. Então, minha glicada  que estava 17,3%, caiu pra 6,5% em 6 meses.Contornei a situação de descuido, e, aprendi a aceitar o diabetes e me amar.Fiz um controle super severo,daqueles hard mesmo,não deixei passar nada,fiz criteriosamente tudo o que a equipe médica me aconselhou.Não vi nada como extremismo,mas apenas como uma chance de salvar-me.

Nos casamos,meu marido virou fitness junto comigo cuidamos de mim. A retinopatia foi tratada a tempo, parou de progredir e a nefropatia foi compensada.

Em 2014,o desejo de sermos pais surgiu, fomos a consulta com o endocrinologista que de pronto me disse que eu estava preparada, já que meus exames iam bem.

Passando 7 meses o POSITIVO veio, EU SERIA MÃE!



Tive medo, mas fomos nos cuidando e levando a gestação, com 22 semanas apareceu a pré-eclampsia,anemia e polidranio.Controlei o máximo que consegui,mantive até o nascimento do bebe a glicada em 6,4%.

Fiquei muita inchada porque perdia muita proteína. Com 37 semanas minha medica resolveu fazer cesárea, a glicemia estava meio descompensada, e, eu estava muito inchada.

O Hiago nasceu 09/06/2015 com 3.545kg e 50cm.Lindo e saudável e veio pra casa comigo.


Infelizmente não consegui amamentar,tinha o bico invertido e também sofria muito com as hipos.Minha médica achou melhor entrar com fórmula para o bebê.Fiquei frustrada,mas precisava pensar também em mim.

Não engordei muito,apenas inchei devido a pré-eclâmpsia.Voltei ao meu antigo peso rapidinho.

Hoje controlo o diabetes com NPH e glicazida, porque depois de tantos altos e baixos e muitos exames descobri que tenho Diabetes Tipo Mody 3. Controlo muito porque hoje tenho alguém que precisa de mim. Aliás, além do papai e do Hiago,mais alguém precisa de mim: ESTOU GRÁVIDA NOVAMENTE DO MEU SEGUNDO FILHO! Estou com três meses de gestação.

Queríamos ser pais novamente,mas não por agora.Porém por inúmeros sangramentos,corrimentos e acnes,precisei retirar  o DIU Mirena.Quinze dias depois, descobri que estava grávida.A glicada no ato da gestação estava em 6,9%.Isso foi um alívio! Tenho nefropatia leve,para ela não tem medicamento,apenas controle das glicemias. O resultado dela é perder proteínas na urina. Aliás,antes de descobrir a gestação estava tomando Losartana para proteger os rins,mas agora grávida,não posso tomá-lo. 

Desde que aquele compromisso que firmei,de me cuidar, continuo me dedicando ao tratamento.Sempre penso:Temos muito o que viver por aqui de forma saudável e feliz! Posso me permitir pequenos luxos,mas não mais abusar. Este compromisso firmei comigo mesma e com a minha família. Depois que o bebê nascer,irei fazer laqueadura.Dois filhos está bom demais!

Meu conselho é: Pode ter dado certo uma gestação não planejada, e, com o diabetes descompensado na vida de muita gente,mas eu ainda acho que cuidar-se é a melhor solução. Planejamento e controle trazem consigo segurança.Tudo nesta vida é incerto,mas ter a certeza que o seu melhor foi feito o tempo todo... Traz tranquilidade e alívio. Mas,se a gestação veio no descontrole e sem planejamento...Se cuida,vale a pena...Por você,seu filho e família.

E lembre-se: Mulher com diabetes pode tornar-se mãe!





Precisei mudar de país para poder ter m tratamento digno durante a gestação

0 comentários |
Olá!

Me Chamo Amanda, tenho 20 Anos, descobri o Diabetes Tipo I aos 18 anos de idade, após um procedimento cirúrgico de drenagem de furúnculo (antes de descobrir o diabetes eu tinha muitos).

Passei muito mal em casa, fui desacordada pro hospital chegando lá descobriram que eu estava com infecção generalizada por conta da drenagem e depois descobriram o diabetes que chegou a 800 mg/dl.

Fiquei na UTI por 10 Dias, comecei o tratamento com insulina NPH+REGULAR a fase de adaptação foi horrível, eu não aceitava a doença. Na minha cidade não conseguia ganhar os insumos, sempre faltava as tiras de medir, fui deixando de controlar, até passar mal e ir pra UTI novamente, estava com cetoacidose diabética.

Fiquei oito dias na UTI, a partir daí, comecei a controlar mais, porém a saúde pública da minha cidade é crítica, para conseguirmos uma consulta com o endocrinologista ficamos seis meses na fila, os planos de saúde não cobriam meu tratamento, por eu já ser “doente” como ouvi algumas vezes.

Fui controlando o Diabetes na medida do possível sempre com muito apoio e paciência da minha Família e meu Namorado (hoje marido). Em Dezembro de 2016 minha menstruação atrasou, quando fiz o teste veio o temido POSITIVO, chorei e me desesperei,sabia que meu controle glicêmico não tava ideal pra uma gravidez já tinha ouvido da boca de um médico que eu nunca conseguiria ser mãe por causa da diabetes, que perderia o bebê.

Fiz os exames e com o resultado o médico me internou pra controlar a glicemia, minha hemoglobina glicada estava 10,7%, glicemia em jejum 260mg/dl.

Fomos mexendo nas dosagens de insulina, fui me dedicando ao tratamento e conseguindo controlar as glicemias, fiz a primeira ultrassom e estava tudo bem com o bebê. Graças a Deus!

Com 14 semanas, pedi o encaminhamento pra fazer a ultrassom pra descobrir o sexo do bebê, quando a médica me disse: “Não tente descobrir o sexo, você não passa dos quatro meses de gestação, seu bebê morre antes, sua glicada está muito alta!”. Meu mundo caiu, eu já amava meu bebê, não aceitava o fato de perdê-lo, foi quando decidi ir embora do Brasil,por vários motivos, principalmente pela questão de saúde no país e pelo acompanhamento que eu vinha recebendo em relação ao diabetes. Tenho parentes que vivem na Espanha pensava remotamente em ir morar lá,mas com tudo o que foi nos acontecendo decidimos ir o quanto antes.

Na Espanha, não tive médicos, mas sim anjos que me ajudaram muito, recebia acompanhamento semanal com três médicos e uma enfermeira. Eles reorganizaram o meu tratamento: Trocaram minha insulina pra Humulin e Humalog,acompanhavam minhas glicemias e fazia  ultrassom morfológica todo mês pra monitorar o bebê.Tirando a ansiedade e medo minha gravidez foi super tranquila,o diabetes em jejum ficava 80 / 90 mg/dl e no pós-prandial os valores eram 140/170mg/dl.

Aqui a organização na área da saude é muito superior a do Brasil,nos dão a devida atenção,conseguimos marcar consulta com diferentes especialistas  sem dificuldades,além de conseguirmos nossos insumos sem dificuldades.


Cheguei na Espanha tomando insulina na seringa, eles ficaram chocados quando souberam,aqui só usamos caneta,acham desumano usarmos seringas.


Para receber os insumos basta eu ir no posto de saúde e pegá-los,retiro a quantidade que quero eles não regulam,por que nos dão suporte e acompanham,então sabem que de fato estamos utilizando.


Enquanto definíamos o nome do bebê, pensei em muitos nomes,mas o que mais o definia,era Bernardo, por seu significado: Forte como um urso.




Minha DPP (data provável do parto) estava prevista para 30/08/2017, porém minha bolsa rompeu no dia 19/08/2017. Depois de 28 horas de trabalho de parto induzido,notou-se que a cabecinha dele estava virada,por isso não arriscaram mais no parto normal e fizeram cesárea.




Ás 06h55min do dia 19 de agosto de 2017, ouvi o chorinho que me fez renascer, me fez descobrir o verdadeiro sentido da palavra amor, hoje tenho que me cuidar mais e mais, ele precisa de mim!

Meu Bernardo nasceu de 38 semanas e três dias, pesando 3 quilos, medindo 46 centímetros e foi direto pro quarto comigo. Teve duas hipoglicemias, não tivemos dificuldades na amamentação, tanto que ele mama no peito até hoje .


Minha recuperação e cicatrização foram perfeitas!

Confesso, é desafiante conciliar maternidade, diabetes, casa e casamento. Aqui na Espanha somos apenas nós três, eu, meu marido e Bernardo, não tive ajuda no resguardo,meu esposo estava trabalhando direto,mas na medida do possível é presente. Deus nos capacita. Às vezes passo da hora comer ou como lanches por pressa,porém estou conseguindo controlar a glicemia.

Meu tratamento neste momento só não está melhor pois muitas vezes não consigo ir as consultas,no tempo de frio ou neve,não tenho como levar o Bernardo nas consultas comigo e nem com quem deixá-lo.



Digo que se eu lutei pra gerar ele, Bernardo lutou pra viver!


Daqui quatro Anos quero dar uma Irmãzinha pra ele!

Pra você que sonha em ser mamãe, não desanime, o diabetes não nos impede de nada, só nos exige sermos mais cuidadosas, no final todo e qualquer sacrifício você verá que valeu a pena.

 Ser mãe é o dom Mais Lindo da Vida!

Tenho Diabetes Tipo II,38 anos e estou gestante

0 comentários |
Olá!

Meu nome e Inara Cristina, tenho 38 anos, sou casada há 22 anos, costureira sou diabética tipo II há 12 anos, tomo a insulina NPH e a Regular, faço uso da caneta de insulina.

Todo o meu tratamento é feito pelo SUS.Foi assustador receber o diagnóstico do diabetes,depois a gente vai se cuidando e se acostumando.

Recebi o diagnóstico do diabetes na gravidez da minha primeira filha, hoje com 12 anos, ela nasceu de parto cesárea,com 4.900kgs e 51 cm. Ela foi amamentada até os dois anos de idade, meu marido sempre me ajudou muito. Graças a Deus!

E assim com a glicada em 8%, engravidei,embora não tenha sido uma gestação planejada, estamos muito felizes!Estou me cuidando o quanto posso,com a dieta equlibrada, medições de glicemias sendo feitas e alterando quando necessário as  dosagens de insulina.

Atualmente minha glicada está em 7.4% e estou com 31 semanas de gestação. A data prevista para o parto está para abril.  

Tenho tido os cuidados necessários, mas coma idade (38 anos),diabetes e pressão alta,confesso, tem sido desafiante.

Estamos ansiosos para o nascimento do João Daniel,crendo e fazendo o possível para que ele fique bem dentro da barriga e seja muito bem-vindo aqui fora.




"Hoje enxergo além de tudo o que já vi"

1 comentários |
Meu nome é Deborah, sou diabética tipo I desde os seis anos, ou seja, 22 anos de diagnóstico e lutas. Hoje tenho 28  anos, abandonei a carreira no direito, para seguir como educadora, sou professora dentro de um complexo da Fundação CASA, antiga FEBEM.

Meu diagnóstico surgiu depois da Páscoa, estava com perda acentuada de peso, mas todos falavam que era a idade de crescer e não engordar. Ganhei muito chocolate e também uma cetoacidose... Fiquei mais de uma semana internada e quase morri até darem o diagnóstico de Diabetes Tipo I.

A preocupação do meu pai era a conta hospitalar e da minha mãe era manter- me viva.

Lembro bem pouco da situação, recordo-me das visitas do meu avô paterno, das picadas no pé com aquelas agulhas imensas, e do Dr. Celso, que por muitos anos nos auxiliou.Na época do meu diagnóstico, as glicemias capilares eram feitas no pé com agulhas grandes,doía muito,a justificativa dos médicos eram por eu ser uma criança e ali ser o melhor lugar. No dia-a-dia fazíamos o teste de urina, eu fazia xixi, nele colocávamos uma fitinha (que cortávamos em várias partes para economizarmos) e pela cor que aparecia tinhamos noção do valor da glicemia.Apenas anos depois que passamos a fazer as glicemias capilares, tanto que no início minha mãe só furava meus polegares,até aprendermos a rodiziar.

Já havia ficado doente seriamente anos antes, só que com outra doença. Quando eu tinha cinco meses de vida tive um higroma e aos seis anos veio o diabetes. Doença esta que mais  tarde viria a colaborar para o óbito de meu pai...

A convivência com a doença nunca foi fácil, eram hipos graves, seguidas do rebote das hipers ou hipers sem motivos. Vivíamos em uma roda gigante glicêmica, mais do que o normal. Minha mãe sempre batalhando comigo... Gratidão por esta guerreira.

Quando completei sete anos, meu pai faleceu em decorrência de uma infecção do pós-cirúrgico que não cicatrizava,pela constante descompensação glicêmica. Meu pai morreu “da doença” que eu tinha...Imaginem como eu fiquei mesmo sendo uma criança.

A adolescência foi um período bem complicado no controle. Anteriormente usava uma insulina mix 80/20, ela saiu de mercado e deu lugar a 70/30, que acabou dando lugar a NPH e Regular. Todas elas fizeram parte do meu tratamento.

Com a NPH e Regular, passei a ter hipos severas e sucessivas internações. Era um sentimento de fracasso desolador! Nada dava certo. Dando lugar a uma desistência e falta de força para lutar, a mesma me levou a uma cetoacidose e para a UTI. Devo salientar, que foi a partir daí que resolvi de fato tomar as rédeas da doença. Depois disso, entrei com tratamento com a Lantus e a Humalog, e a coisa mudou drasticamente em minha vida... Em todos os sentidos!

Não tinha mais tantas hipos e podia estudar estagiar e viver plenamente. Formei-me em direito e logo entrei na faculdade de história. Que vitória!

Tenho um amplo histórico de cirurgias bem sucedidas e sem relação com diabetes, inclusive a mesma cirurgia que levou a morte de meu pai (um cisto sacro). Foram quatro cirurgias, a quinta aberta e cicatrizada lindamente! Tudo isso era animador, minha vida mudou muito depois do novo tratamento.

Nos anos seguintes,houveram momentos de abandono do tratamento,rebeldia,más escolhas e decisões,porém logo eu voltava a órbita.

Durante todo meu tratamento, ouvi que gravidez e diabetes eram sentença de morte para a mãe ou para o bebê... E lógico minha família também convivia com esse fantasma.

Aos 26 anos, casada há 3, com um homem que se tornou um especialista em diabetes, e que também morria de medo de me perder em uma gestação, decidimos tentar. Minha glicada não estava boa... Consegui deixa-la em 11,2% quando tive a certeza da gravidez. A glicada não era a ideal,sabíamos,mas havia um esforço enorme em alcançá-la,tanto que foi na gravidez que tive os meus controles e glicada.

Grávida
Com três meses de gestação e glicada de 8,5%, decidi comunicar a família! Meu marido sempre apreensivo e minha mãe em estado de choque esperando o pior. Desde o começo da gravidez, acompanhei tudo pelo convênio e pelo alto risco do SUS, que diga se de passagem foi espetacular.

Tive muitas hipoglicemias severas durante a gravidez, a ponto de necessitar que meu marido me aplicasse glucagon para eu retomar a consciência.

Passamos momentos difíceis neste período,contudo, eu considero que a pior parte sempre foi a psicológica.Era enlouquecer ver no consultório mães perdendo seus filhos,fazendo parto de natimorto,ouvir sobre os resultados de uma glicada alta para uma gestação.Gente,dava para pirar,com certeza dava. As pessoas tem sérias dificuldade de serem empáticas,incrível isso!

Sempre tive plano de saude,esta foi uma coisa que minha mãe fazia questão,pois sabíamos da demora do SUS em certos atendimentos e exames. Anualmente fazia todo o check-up ocular pelo convênio,mas foi em 2015 que tivemos o primeiro sinal de retinopatia,tratava-se de pequenos vasinhos,nada alarmante. Com a gravidez comecei a ter hemorragias significativas, de uma retinopatia inicial passei a ter uma retinopatia proliferativa,foi um salto enorme de uma para a outra, com três meses de gestação tive o meu primeiro sangramento e com seis meses o sangramento mais forte.

Com 5 meses de gravidez, precisei pedir licença do meu serviço, pois já com a barriga grande, passei por uma situação de grande estresse lá. Houve uma rebelião dentro da unidade e me fez ter um pico de pressão e hiperglicemia. Foi tenso! O melhor foi afastar-me do trabalho.

Neste período, apareceram as moscas volantes e manchas na cor vinho que atrapalhavam a minha visão. Ao ir ao hospital dois médicos se divergiram nas opiniões, um queria me internar, outro não,até que encaminharam para um hospital especializado. 

Ao chegar no Pronto-Socorro indicado,a médica que me atendeu disse que meu caso era cirúrgico,meu médico não aprovou a cirurgia devido a gestação e assim fomos levando com lasers até que a bebê nascesse. Este foi o meu pior sangramento ocular, na gestação.

Acordei de madrugada,acendi a luz e não enxergava nada, porque os vasos que romperam em ambas as vistas,pegaram toda a minha visão central,eu não enxergava nada,era uma mancha preta nos meus olhos,só enxergava pontos de luz,esta mancha  causou um edema no olho esquerdo,o médico não identificou o edema,antes da minha filha nascer fiz uma injeção no olho. 

Fiquei uma semana inteira internada com quadro de pré-eclampsia e instabilidade da glicêmica, além da perda gradual da visão. Fiz laser e tudo foi se controlando na medida do possível.

Minha médica me pediu regularmente ultrassom e outros exames, basicamente a cada 15 dias passava nos médicos do convenio e semanalmente no SUS.

Passei a gestação inteira com medo de ouvir o “óbito fetal”, então a cada vez que a via no ultrassom ou escutava o seu coração, me sentia em paz. No consultório mesmo, conheci outras diabéticas que perderam o bebê tardiamente. Isso era amedrontador!

Ao sabermos o sexo do bebe decidimos o nome seria Morgana. Escolhemos este nome ao lermos o livro As Blumas de Avalon.Morgana era uma forte e decidida feiticeira.A grande bruxa!E como protegida de uma grande bruxa, minha bebê merecia esse nome!

Fizemos o teste com a bomba de insulina durante a gestação,mas em meio ao turbilhão de coisas que nos ocorreram na gravidez,protelamos para depois do nascimento da bebê. Estamos vendo esta questão para que eu possa colocá-la e melhorar meu tratamento.

Com 31 semanas, passei por consulta no Hospital Santa Joana para agendar a cesariana e eles recusaram por ser muito antes do tempo. Na mesma semana (01-11-16), era a minha perícia do INSS, nesta, ao examinar-me o perito me recomendou ir para o hospital, pois julgava que Morgana deveria nascer.

No dia 05/11/2016, com 32 semanas de gestação, era a inauguração do Estúdio de Tatuagem do meu marido, às 5 da manhã deste mesmo dia, quando voltei do banheiro para cama, a bolsa estourou. Ficamos assustados pela quantidade de líquido que saiu, entramos em pânico. Procurei ter calma e liguei para o convênio, que me orientou a ir ao Hospital Santa Joana ou Pro-Matre e assim fizemos.

Sem dor, sem angústia, mas com medo seguimos para o hospital. Dei entrada no Pronto Socorro as 07h30min, estando com quatro dedos de dilatação. Morgana estava sentada, pesando quase 4 quilos. Fui acompanhada e analisada o tempo todo. O anestesista verificou que estava com um inchaço exagerado nas costas e acompanhou picos de pressão alta, solicitou então urgência na minha cesariana.

Ela nasceu bem, precisou ser assistida por um período na UTI Neonatal.Não consegui amamentá-la,meu leite secou por tanto estresse.



Passei muito mal no centro cirúrgico. Às 11h05min do dia 05/11/2016, Morgana veio ao mundo, pesando 3.850kgs e medindo 45 centímetros.

Hoje Morgana está linda e saudável. Alegra a todos com sua espontaneidade. A mamãe aqui que passou a ater complicações. A gente sabe,uma hora o corpo fala e põe para fora todas as nossas rebeldias e descontroles com o diabetes,comigo não foi diferente. Fica aí o alerta para quem acha que empurrando com a barriga ou fazendo umas coisas e compensando depois não traz problemas.




Minha retina rompeu depois que a Morgana nasceu.Estou cega de um olho e tratando o outro. 

Quando ela nasceu,3 semanas depois fui em outro oftalmologista escutar uma nova opinião, sentia que algo estava estranho comigo,quando ele foi realizar meu fundo de olho,notou que meu caso era grave,chamou dois especialistas em retina.Assustados me encaminharam ao centro de referência com urgência,disseram-me que minha retina estava partida no meio.

Precisei fazer uma vitrectomia (procedimento cirúrgico que faz a remoção do vítreo – fluído que preenche o interior do olho), quando minha filha tinha 1 mês e quinze dias.No decorrer dos meses fui realizando outros procedimentos como: retirada de catarata, lasers e começamos a injetar quimioterápticos. 

Comecei a tratar com uma equipe especializada, foi aí que soubemos que o médico anterior não havia feito o tratamento adequado na minha visão,não havia nenhum sinal de laser,como se ele nem tivesse mexido no meu olho.Isso foi muito estressante e angustiante para mim.



Neste processo comecei a descrever para o médico,dores de cabeça horríveis,vermelhidão ocular, desconforto e visão borrada em ambos os olhos. O oftamologista disse que havia a possibilidade de eu estar com glaucoma de angulo fechado na visão boa, mas achava raro,uma vez que isso pouco ocorre em paciente com retinopatia diabética.

Fui fazer os exames para sabermos do que se tratava,eu até ria pensando"Mano, do jeito que sou sortuda,vou estar com isso aí." Dito e feito,os exames apontaram, estava com glaucoma de angulo fechado.

A médica que realizou o exame não me disse nada a respeito, o médico também não,ficou um diagnóstico velado, eu com minhas pesquisas e sensibilidade diabética,sim, passamos tê-la após 22 anos de diagnóstico sabia do que se tratava.O médico me preescreveu um laser, disse o que me aconteceria.Me assustei com as inúmeras possibilidades de problemas com o olho bom, e assim não fiz o Yag Laser,fiquei numa sinuca de bico entre fazer o procedimento ou deixar como estava,ambos poderiam me acarretar em problemas,por isso não o fiz.

Atualmente faço laser no olho bom,o recomendado seria quinzenalmente,porém, não o faço pois passei a perder a visão periférica e minha vista está muito sensível,a ponto de não suportar o tratamento com frequência. Por hora, a médica vai me avaliar e dizer sobre os próximos passos. Ela deixou de atender  meu plano de saude,os demais não me passam a segurança necessária,já que por um mal atendimento e um laser mal aplicado, perdi minha visão. 

Está tenso!Como mãe,dona de casa,profissional...Como pessoa mesmo sabem? Imaginem como fico,muito impotente, não enxergo nada de um olho e perdi a noção de profundidade do outro,tropeço nas coisas.É fogo! Durante o dia consigo levar,mas a noite para minha é terrível. Tenho o risco eminente de perder a visão do outro olho.Não posso mais atuar no sistema prisional que era o que eu mais amava fazer (estou afastada pelo INSS)...

Hoje os médicos me dizem que o melhor é manter a glicemia estável.Mas como? Qualquer inflamação na visão por menor que seja, e sendo tratada rapidamente me ocasiona numa hiper daquelas.Fora que há outros fatores intrínsecos na vida de uma diabética,como gripes,período menstrual,estresse e etc. que alteram as glicemias. Tenho me dedicado ao máximo,não tem sido displicência minha.

Me falam que Deus pode me curar, eu acredito,porém mais do que isso,acredito que isso foi fruto das minhas decisões, escolhas e falta de amparo profissional.Sim,neste percurso achei muitos médicos desinformados, que me tratava como mais uma,que não dava a devida atenção para o diabetes...Sem empatia nenhuma! Achei uma boa endocrinologista  há 5 anos, e nos anos anteriores o que fiz? Tá fui negligente muitas vezes e isso somado a falta de aparato, foi o BUM que resultou  hoje.

Tenho minhas responsabilidades diárias como pessoa, estou cega de uma vista,com a outra comprometida, tenho diabetes para cuidar,lembrando que trata-se de uma doença lábil,sinto dores na perna,tenho sinais de neuropatia,tanta coisinha que no conta gotas, forma uma massa gigantesca. Não é só fechar a boca, para se ter um bom controle glicêmico!

A maternidade foi um sonho que realizei do qual jamais me arrependerei, a alegria que minha filha traz para mim é indescritível, a vida só faz sentido porque ela existe para me alegrar e mostrar-me que vale a pena lutar. Não me arrependo de tê-la tido mesmo em meio a tudo o que anda me ocorrendo, já lhes disse acima, cada ação,gera uma reação e assim foi comigo.

Minha dica é:Cuidem-se! Não façam loucuras! Uma hora a casa cai!

Os cuidados se estendem no antes, durante e após o nascimento do bebê. Hoje arco com minha rebeldia e com meu desconforto com a doença, tenho sequelas, mas vivo muito bem sob os cuidados necessários e visando uma vida plena com minha família.


Recebi o diagnóstico do Diabetes Tipo Lada durante a gestação

0 comentários |
Olá!

Me chamo Suzana,tenho 30 anos, sou casada e professora. Descobri o Diabetes Tipo Lada aos 24 anos de idade.

Depois de receber o diagnóstico de diabetes tipo II, fazer inúmeros exames e passar por alguns tratamentos foi que finalmente tivemos o diagnóstico correto, tenho Diabetes Tipo Lada.

Ao contrário de muitas pessoas, recebi o diagnóstico do diabetes durante a gestação.

Vamos lá...

Passei por um processo emocionalmente muito difícil, emagreci muito nesse período, passei a beber muita água e a urinar com frequência. Sem saber dos sintomas achei que era um quadro da depressão devido a tudo o que eu estava passando.
No meio de todos estes fatos, descobri que estava grávida,foi um misto de alegria e medo. Não nos planejamos, mas desejávamos sermos pais. Fui fazer os exames comuns da gestação até que vem a pior notícia:

 - Mãezinha,você é diabética né?

Foi um choque aquela notícia, não entendi nada, mas por amor ao meu bebê decidi me cuidar e iniciar o tratamento de alto risco no convênio.

Muitas mudanças bruscas ocorreram em minha vida, eram os sintomas gestacionais,informações sobre o diabetes e também os sintomas do diabetes. Não dava tempo de raciocinar, apenas de executar, qualquer erro poderia comprometer as nossas vidas.

Durante a gravidez, fiz uso das insulinas NPH e Regular. As consultas eram sempre tensas, os médicos me alertavam para o risco da perda do bebê com ênfase, eu muito assustada, mudei totalmente minha alimentação.Chorava muito, o medo sempre me rodeava, era uma alegria ao meu bebê mexer e uma angústia quando ele estava quieto!

Contudo,mesmo sem conhecer a fundo o diabetes, sem entendê-lo, eu me cuidava para que pudesse ter meu filho com saúde.

Foram meses de angustia e de apreensão!

Feliz por realizar o sonho da maternidade,triste por não poder usufruir daquele momento como esperava.

Com 36 semanas, fizemos uma cesárea de urgência, pois meu liquido amniótico estava secando pela acidez do açúcar em meu sangue. Samuel nasceu com 2,790 kg e não precisou ficar na UTI.

Ver meu filho bem,mesmo diante das circunstâncias,fez tudo valer a pena.Ele foi amamentado por 2 anos e 2 meses, as primeiras hipos significativas que tive foram durante a amamentação, mas logo foram controladas.

Pelo desconhecimento em relação ao diabetes, não usava métodos contraceptivos, achava que o diabetes me impediria de engravidar.Por isso nunca me preocupei em tomar remédios,até que 3 anos após o nascimento do Samuel,novamente engravidei.

Foi novamente um choque, por outro lado achei que seria mais fácil,uma vez que eu já havia engravidado e tinha esta experiência,ledo engano.

Comecei a ter dilatação aos 7 meses de gravidez, fiquei afastada e de repouso até o nascimento do meu filho. Com 37 semanas, senti todas as dores do parto, fomos tentar um parto normal, mas assim que estouraram a bolsa, a placenta deslocou e foi aquela correria para o parto cesárea. E assim nasceu José Henrique, com 4.275kg.Ficamos internados uns dias por conta de uma bactéria que deu nele (fisiometria), mas no final tudo deu certo!




Gestaçào do José Hnerique


José Henrique, foi amamentado por 1 ano e 10 meses, no início tive muitas hipos, mas me alimentei corretamente e mudamos as dosagens de insulina e assim as glicemias foram estabilizando.



José Henrique e Samuel

Me sinto realizada por ser mãe de dois meninos, aprendi a lidar com o diabetes e hoje me cuido bem melhor.Conhecer a doença, ajuda muito no tratamento e até mesmo mudarmos pensamentos e posturas frente a doença. No fundo ninguém deseja ter diabetes,é muita responsabilidade! Cuidar de tudo e de todos,além de seus cuidados básicos e ainda ter mais esta preocupação...Mas como diz o ditado “o que não tem remédio, remediado está”.Ou seja, o diabetes não tem cura, mas tem controle,posso viver e também usufruir de muitas coisas daqui.Só depende de mim.

Samuel, foi a minha cura emocional, foi por ele que atravessei momentos difíceis e por ele que aceitei o diabetes. Senão fosse a gestação, eu não teria tido o diagnóstico do diabetes “tão rápido”, eu tinha uma doença dentro de mim que estava silenciosa.

Atualmente uso as insulinas NPH e Regular e tomo o medicamento Glifage.

Podemos sim ser mães!Basta termos fé e fazermos nossa parte .

Esse é o meu testemunho vivo: Samuel 5 anos e José Henrique de 2 anos de idade.



Nossa Familia

II DOCE Encontro -Bate-papo sobre a experiência de ser mulher,mãe e ter diabetes

0 comentários |
Evento destinado a mulheres que desejam engravidar, grávidas, mães com diabetes e seus filhos. O objetivo é reunir mulheres com diabetes em um descontraído bate-papo com troca de experiências. Em um lugar lúdico, acolhedor e familiar, adequado para seus filhos, que serão recebidos, em um espaço repleto de significados, por brincantes (monitores preparados) para ensinar brincando.

Dica: MÃES vistam-se com uma roupa que se sintam à vontade e levem seu (s) FILHO (s) vestido (s) com roupas com as quais possam se sujar. Preparem-se, será uma experiência incrível, aqui você ouvirá o que sempre quis ouvir : "te entendo", "sei bem como é", "estamos juntas" e "conte comigo".


Dia: 21 de janeiro (domingo)
Horário: ás 15:00 hs
Local: Brincando no Pé Rua Pedroso de Camargo 319 (próx. a Estação Granja Julieta da CPTM) -SÃO PAULO
Valor: 15,00 reais
O local oferece lanches as pessoas que desejarem, ospreços variam de de R$2,00 a R$10,00, são aceitos apenas cartão de débito e dinheiro.

Faça a sua inscriçào no link
https://www.sympla.com.br/ii-doce-encontro---bate-papo-sobre-a-experiencia-de-ser-mulhermae-e-ter-diabetes__226544

BODAS DE AÇO – 11 ANOS DE CASADOS, 11 ANOS QUE CONVIVEMOS COM O DIABETES EM NOSSAS VIDAS

0 comentários |
Neste dia treze de janeiro completamos 11 anos de casados. Lembro que escolhemos esta data para que pudéssemos terminar a nossa tão esperada casa sem pressa. O conheci com 14 para 15 anos, quando completei 20,nos casamos. Na correria, na felicidade, nos preparativos do casamento e anseio de uma vida a dois, nem me dei conta dos sinais que meu corpo dava.Na data do casamento os senti,sabia que algo estava errado, mas tudo o que eu queria, era poder ser feliz,negligenciando assim, a urina frequente, o inicio do emagrecimento e a fome absurda, a qual eu julgava ansiedade por todo o estresse que eu estava passando. Nos casamos, fomos para a lua-de-mel, eu bebia muita água e a cada esquina eu parava para fazer xixi, na data do nosso casamento, sabia que algo estava errado e por isso escolhi esta data para o diagnóstico, que com os exames abertos vieram a se confirmar: Eu tinha diabetes!Logo soubemos ser tipo I. Emagreci muitos quilos em questão de dias, o que era para ser a festa da libido por estarmos no inicio do casamento, se tornou uma candidiase sem fim,fiquei prostrada, de cama ,refém de médicos e hospitais. Me culpei inúmeras vezes por não ter podido lhe proporcionar momentos felizes e sim de dias no hospital, com gasometrias,exames,soros,hipos e hiperglicemias, nós desinformados, apenas achando que em questão de dias eu ficaria,cega,amputada e sem os rins. Você abriu mão de curtir fisicamente todo período de lua-de-mel ,para poder cuidar de mim. Foram meses de adaptação, busca por informações e anseios, ate que juntos fizemos do limão uma limonada, fomos nos ajeitando e vencendo, diabetes passou a ser o de menos... Você passou a entender bem do diabetes, me enchendo o saco quando eu não media, preocupado com as hipos e hipers ... O nosso maior desafio passou a ser a individualidade de cada, no dia-a-dia de casados. Eu era uma moça suburbana,recém-formada na faculdade, com dois empregos, 20 anos de idade, com pais recém-separados, sofrendo com a rejeição materna,sem referências familiares, totalmente fragilizada e agora doente e prostrada...Achei que meus sonhos haviam terminado ali,já que constituir uma família passou ser algo bem vago dentro de mim, mas Deus e você , me mostraram que eu poderia ir além. Se hoje chegamos as BODAS DE AÇO foi porque, só sendo aço para suportarmos todos os processos siderúrgicos pelos quais passamos, com temperaturas altíssimas. O aço, para chegar a ser de fato aço, passa por pelo menos três grandes fundições, e em cada uma delas muitos resíduos foram desprezados. Assim como tem sido até hoje conosco. Somos aço, somos um, a simbiose é perfeita. Obrigada por tudo! E como digo, estamos longe da perfeição, distantes de sermos um casal Disney, mas felizes por termos teus familiares por perto, termos tido nosso filho e sabendo O DIABETES NÃO DEFINIU A NOSSA HISTÓRIA.