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Tentando equilibrar e cuidar das minhas atuais demandas: Diabetes e Maternidade

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Oi pessoal!

Meu nome é Camila, tenho 21 anos, sou casada (moro junto rs),atualmente não trabalho, tenho diabetes Mellitus Tipo 1 há 15 anos. Faço meu tratamento pelo SUS, uso as insulinas NPH e Regular, as aplico com seringa.

Era criança e não lembro muito bem sobre o início do meu diagnóstico. Mas me recordo de aprontar demais comendo tudo o que não podia. Vivia descompensada a ponto de ser internada por ter meu fígado afetado, o mesmo inchou demais e fiquei bem prejudicada.

Confesso que tenho muita dificuldade em me cuidar e levar o tratamento a serio. Hoje estou melhor do que já estive, mas tenho plena consciência do quanto preciso melhorar... Não é fácil!



Já usei inúmeras insulinas na tentativa de ter um melhor controle (Lantus, Humalog, Levemir, NPH e Regular), com dosagens fixas e contagem de carboidratos, mas minha rebeldia em não fazer a contagem de carboidratos adequadamente me impediu de continuar com este tipo de tratamento, me fazendo voltar para as dosagens fixas. Hoje voltei a usar a NPH e Regular devido a precariedade de onde moro. Estas são as insulinas mais acessíveis no momento.

Não tenho nenhuma sequela do mau controle glicêmico. Graças a Deus! Minha família sempre me incentivou a me cuidar. Mas nunca me conformei em ter diabetes. Até hoje não controlo muito, pretendo voltar a me cuidar o mais rápido possível.

Embora minha gestação não tenha sido planejada,foi muito bem aceita e amada. Quando engravidei minha glicada estava 10%. Totalmente fora dos padrões esperados,mas de maneira geral tudo foi correndo bem. Fiquei internada pelas hipos que tive e algumas descompensações.



Miguel nasceu no dia 31 de maio de 2016, parto cesárea, com 36 semanas, 3.940kg e 46,5cm. Um bebezão! Ficou 16 dias na UTINeonatal, pois nasceu com macrossomia e pegou uma sepse.Mas deu tudo certo!

Infelizmente não consegui amamentar, Miguel rejeitou e de forma alguma quis mamar no peito.

Hoje meu príncipe tem 2 anos de idade. Tenho muita dificuldade conciliar a maternidade e o diabetes. E este é um dos motivos que atualmente me impede de levar o tratamento a sério.



Sei que deveria me cuidar mais, por mim, por meu filho,pela minha família  e por todos que me amam. Estou neste momento me fortificando, empoderando e tentando aceitar a doença. Embora isso já devesse ter ocorrido, por aqui ainda não ocorreu, mas há em mim a certeza de que vou conseguir.

Talvez meu depoimento não fale de grande responsabilidade com o tratamento ou modelo a ser copiado, porém me considero uma resiliente e tenho muito o que agradecer a Deus por nunca ter permitido que algo pior me sobreviesse.


Se hoje eu pudesse deixar uma mensagem a todas as mulheres com diabetes que desejam engravidar eu diria: A fé me possibilitou a maternidade, assim como poderá fazer o mesmo com vocês. Mas não percam o foco em cuidar-se para que tudo lhes corra bem, não só na gestação como em todos os dias. Neste momento esta não é minha realidade, e até por isso lhes aconselho,mas sei que CONSEGUIREI!

Agradeço minha família, esposo e amigos pelo amor,paciência,por cuidarem e acreditarem em mim.

Beijos a todas




Sobre a alegria de ajudar pessoas

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São + de 700 mil visualizações no blog. Talvez pouco pelo tempo de blog,porém isso me traz alegria.
Mais + de 150 depoimentos de mulheres com diabetes que se tornaram mães.

Estive presente com mais de 100 delas, sendo que 20 tornaram-se minhas amigas e me mandam notícias até hoje.

No começo eu sentia muito com o desaparecimento e sumiço de algumas delas,hoje entendo que cada pessoa que passa por nossas vidas tem uma missão e nem sempre precisa permanecer, fiz a minha parte e a vida se encarregou do resto.

Antes da formatação, meu computador tinha uma galeria com fotos de gestantes, mães e bebês. Todas as vezes que eu ficava na "bad" era lá que eu olhava. Me trazia paz, esperança, fé e tranquilidade.

Atualmente converso diretamente com 9 mães com diabetes e 5 gestantes. Sei que indiretamente alcanço mais pessoas.Glória a Deus pelas Redes Sociais não?

E o que temos para hoje? GRATIDÃO!

São mais 7 anos e meio de blog, de trabalho voluntário ininterruptos com um público-alvo específico (mulheres,gestantes e grávidas com diabetes).

Me autointitulo tia e/ou madrinha de alguns bebês e crianças e assim me sinto,por muitos deles me apaixono,alguns tive o privilégio de conhecer pessoalmente.

Se eu pudesse abraçaria mães e filhos.

Sai de São Paulo para conhecer uma delas, e pretendo fazer isso mais vezes.

Tenho amor pelo o que faço, me cobro por não poder fazer mais e muitas vezes não dar conta...Mas a vida é assim né? Temos os nossos limites.

As pessoas que me conhecem de perto dizem que não sabem como dou conta, ou, enfatizam o "pra quê" de eu me dedicar tanto,algumas até ficam bravas comigo. Não consegui ainda ser diferente.

Dou graças as Deus pela existência de alguns grupos no Facebook e pessoas que também apoiam e dialogam com mulheres "diabéticas".Fico super feliz a cada depoimento que recebo, a cada rede social criada a fim de disseminar informações sobre diabetes, aos eventos que organizamos ou outras pessoas organizam. Fico alegre por ver pessoas se ajudando,dando a mão umas para outras,mostrando o caminho...

Me encontrei ajudando mulheres e noto que cada um dos meus amigos tem um enfoque e público diferenciado,embora todos nós alcancemos a todas as pessoas. Fico super feliz por todos os públicos serem alcançados.

Minha mensagem é: Gente, por gentileza, EMPODERE ALGUÉM! Dinheiro certamente não dá, mas traz uma ALEGRIA,LEVEZA e SATISFAÇÃO que dinheiro nenhum paga. Ás vezes dá dor de cabeça rsrsrsr, mas ainda sim AJUDAR vale a pena.

Pense nisso! Escolha alguém e invista nele(a).EMPODERE!

Ter uma doença crônica ou estar numa fase dificil, tem dia que é PUNK, somado a tantas outras questões então...

Sem falar que cada pessoa tem a sua maneira particular de sentir o mundo que não nos cabe julgar.
MENOS JULGAMENTO,MAIS AMOR POR FAVOR!




Endometriose,cisto no ovario e diabetes...Como me tornei mãe da Valentyna

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Olá!

Meu nome é Myslene, tenho 28 anos anos, sou professora e há 8 anos tenho Diabetes Tipo I. Uso as insulinas NPH e Regular e as aplico com seringa. Faço meu tratamento na rede pública.

Descobri o diabetes em um exame de urina.Sempre passei mal, mas nunca pediram a Hemoglobina Glicada e nos exames que eu fazia, só pediam glicemia em jejum.Como tenho tendência de ter hipoglicemia cedo, os exames comuns não apontaram hiperglicemia pela manhã.

Assim, foi me pedido um exame de urina para averiguação de uma possível infecção. Quando o resultado chegou,o médico me disse que o resultado era um absurdo, e que minha diabetes deveria estar alta. Me perguntou se eu me cuidava. Veementemente disse que não era diabética.Bati o pé, pois eu havia feito inúmeros exames e nenhum havia apontado isso. Ele repetiu os exames por 4x e os resultados continuaram alterados. Fui levada para o hospital com a glicemia em 718 mg/dl.

O tempo seguiu. Passei a fazer o tratamento, e ia me adaptando como podia a minha nova condição.

Sonhava em ser mãe, mas fui desenganada pela medicina. Não poderia ser mãe. Tenho diagnóstico de endometriose e cisto no ovário, além do diabetes tipo I . Mas em outubro de 2016 engravidei.Foi um susto!

A primeira consulta foi assustadora.O médico falou que não sabia como eu estava grávida pois era impossível.Após ver os exames, ele falou sempre com um ar pessimista ''se o coração bater'' e ''se o feto resistir'' . Meu coração ficava em pedaços e ainda pra acabar comigo, me disse que não faria o acompanhamento da minha gestação, pois era de altíssimo risco e que se eu morresse era morte nas costas dele.

Foi um balde de água fria! Fiquei triste,mas Deus preparou que eu fosse até a maternidade do plano de saude resolver umas coisas, e foi lá que tive a sorte de cair com a melhor médica amorosa, carinhosa e super dedicada. Ela me indicou uma endocrinologista e esta dupla me acompanhou assiduamente no período gestacional.

Na primeira ultrassom com 6 semanas, ouvi som do coraçãozinho do meu bebê. Foi a coisa mais bonita que escutei na vida! A gestação foi muito difícil, mas as médicas sempre me acompanharam muito bem.

Eu media a glicemia pelo menos 7x ao dia e mandava os valores para as médicas, elas me direcionavam se precisava alterar o valor das dosagens de insulina, e assim eu ia fazendo. O controle diante do meu quadro deveria ser assíduo,por meu histórico e riscos para o bebe,como por exemplo, parada cardíaca.

Passei vários sufocos. Com 27 semanas, quase tive pré-eclampsia e por pouco não precisei fazer um parto prematuro. Mas graças ao bom Deus, ocorreu tudo bem.Fazia cardiotoco a cada dois dias e ultrassom cada 15 dias.


Com 36 semanas minha bebê parou de mexer. Corri para maternidade, fiz exames e descobri que minha placenta estava grau três; não passava mais alimentação para ela. O parto tinha que ser feito imediatamente. Me internaram e iniciaram a indução.  24 horas em trabalho de parto, contrações sem parar e a bebê não nascia. A equipe médica tentava parto normal pois a minha cicatrização é péssima.

Eu já não tinha mais força, chorava gritava, desmaiava pedindo cesárea.Me falaram que tinha que esperar os partos já agendados. Um absurdo! Em um último fôlego, exigi a cesárea e disse que chamaria a polícia, pois eu estava morrendo e meu bebê também.

Rapidamente apressaram o parto cesárea e minha princesinha nasceu linda, mas bem roxa com o cordão enrolado no pescoço. Teve hipo e desconforto respiratório,porém se recuperou super bem  e ficou ótima.


Tive algumas complicações após o parto. Me deu alergia da anestesia, precisei ser medicada. só receberia alta, se me quadro mudasse. Pro momento fiquei bem, vim para casa, mas em meu lar as coisas não foram tranquilas. Fiquei 18 dias tendo vômitos,nem água parava no estômago. Foi horrível! Fiz inúmeros exames, deram alterações ,porém ninguém descobria ao certo o que eu tinha.  Até que passou, e as coisas progressivamente foram entrando nos eixos.



Por ter dificuldade de perder peso, não consegui ainda voltar ao de antes. Amamentação foi um sonho difícil no começo pelas oscilações glicêmicas. Mas valeu a pena! Amamento até hoje com prazer! Tem gente que acha que diabetes passa pelo leite materno e que Valentyna pode tê-la por isso. Ledo engano! Não desistimos e estamos aqui firmes e fortes, informando as pessoas que nos dizem isso. Sou mãe,produzo leite e não há nada melhor pra minha filha do que o meu leite. Diabetes é crônico e não contagioso!

O mais importante é que minha princesa tem 1 ano e 5 meses e é extremamente saudável alegrando nossas vidas.

Foi difícil? Foi! Mas valeu cada sacrifício! O impossível, Deus fez se tornar possível em nossas vidas... Do que posso reclamar? Só devo me cuidar para aproveitar ao máximo cada segundo ao lado dela.





Quimioterapia,diabetes e maternidade: Um caminho árduo,mas compensador!

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Olá pessoal do blog da Kath!

Me chamo Nilziane, tenho 24 anos, nutricionista, gaúcha da cidade de Passo Fundo – RS e vou contar um pouquinho da minha história até conhecer o grande amor da minha vida minha filha amada.

Minha história de lutas e vitórias na vida começa no ano 2000, quando fui diagnosticada com um câncer no ovário direito aos 6 anos de idade, um diagnóstico muito difícil na época, uma vez que um câncer maligno de ovário em crianças é raríssimo, meu tratamento foi todo realizado na cidade de Porto Alegre, onde passei por cirurgia a qual fizeram a remoção do ovário direto, pois o tumor já havia tomado conta dele. Fiz 5 sessões de quimioterapia, acompanhamento durante 5 anos e no início do ano de 2005 os médicos constaram que eu estava completamente curada.

Os meses se passaram e veio o inverno, foi então que no dia 05 de julho de 2005, em uma tarde fria onde eu passeava com minha mãe, ao invés de olhar as lojas apenas queria ir ao banheiro e beber água. Foi quando veio o diagnóstico de Diabetes Tipo I. Mais uma vez a vida nos golpeou e nos fez ser forte nos fez provar que eu era forte, os médicos na época relacionaram a quimioterapia que havia feito anos atrás com o desenvolvimento do diabetes.

O início do tratamento não foi nada fácil, com apenas 11 anos eu precisava aprender que dependia de um líquido para me manter viva. Como entender que eu nunca seria curada do diabetes como eu fui do câncer? A vida mais uma vez pregava suas peças.

As medicações que eu utilizava no início eram NPH e Regular, depois com as atualizações da medicina, meu tratamento passou para Lantus e Humalog. O controle das glicemias sempre foi muito difícil, não havia aderido ao tratamento totalmente. Já tive hemoglobina glicada em 17%.

Os anos da adolescência foram os mais negligentes, eu negava minha doença para todos, e muitas vezes ficava até dois dias sem aplicar uma unidade de insulina. Aos 15 anos conheci meu namorado, atual esposo e pai da minha filha, lembro que escondi o diabetes dele por 2 anos, por vergonha. Mas quando contei a ele, percebi que ele seria um aliado no meu tratamento.

Aos 17 anos comecei a criar um pouco de juízo, decidi cursar nutrição e me tornar Nutricionista para poder ajudar as pessoas entenderem como a alimentação é importante no cuidado do paciente com diabetes. Me formei em 2015, arrumei um emprego e a vida foi se encaminhando.

Os anos de namoro e o amadurecimento sempre me fez pensar em ser mãe. Mas como tornar esse sonho realidade? Diabética descompensada, com apenas um ovário e com o outro ovário cheio de cistos. Isso seria possível?

A resposta era enfática: Não! Exatamente isso que eu ouvi de uma de minhas ginecologistas. Tornar-me mãe era impossível e inviável na minha situação.

Em agosto de 2016 juntamente com meu namorado pensamos: Vamos nos cuidar e voltar a outro médico para uma nova avaliação quando acharmos que for a hora.

Desde 2013, meu processo para conseguir a bomba de insulina estava tramitando. Para as minhas condições, sabia que engravidar sem a bomba de insulina era um risco enorme. Decidimos então deixar o plano da gravidez para outra hora, afinal eu era nova, tinha apenas 23 anos e bastante tempo para ser mãe.

Em dezembro de 2016 parei de tomar anticoncepcional e segui minha vida. Casamos em janeiro de 2017, mas a lua de mel foi apenas em março. Antes de ir viajar fiz um teste de gravidez, o qual deu negativo, fiquei tranquila até porque viajar grávida não estava nos planos. Viajamos aproveitei a praia curtimos nesta época minha glicada estava em 9%. Voltamos de viagem, retornei ao trabalho e às minhas atividades normais, com a glicemia sempre oscilando.

Foi então que em 28/03/2017 após chegar ao trabalho fiz um teste de gravidez, estava me sentindo estranha. De repente dois risquinhos apareceram, achei que pudesse estar errado. Fiz mais três testes de farmácia. Até que o exame de sangue deu o veredito final: Eu estava grávida !Como era possível? Deus!

Nesse momento só queria cuidar da minha glicemia. Desejava tanto aquela criança! O primeiro passo foi achar um médico que atendesse grávidas de alto risco, um obstetra que fosse conduzir minha gravidez da melhor maneira possível. Para minha surpresa e felicidade ganhei a bomba de insulina no mês de abril, nas primeiras semanas de gravidez.



Sempre fui muito ciente que se tratava de uma gravidez de risco, mas ao mesmo tempo me sentia tão abençoada por Deus por ter me dado aquele pacotinho. Afirmo com toda segurança que a bomba de insulina foi fundamental para a evolução da minha gravidez. Minha hemoglobina glicada estava em 9% e foi para 6% em apenas 1 mês de uso. Confesso também que meus cuidados com o diabetes nunca foram tão bons como foram durante nos 9 meses gestacionais.



A gestação em si foi maravilhosa!Em nenhum momento precisei me afastar do trabalho em função da mesma, inclusive trabalhei até 38 semanas de gestação. Foi uma gravidez muito tranquila!Fui muito bem assistida, fiz cerca de 12 consultas de pré-natal e 10 ultrassons, incluindo morfológicos e ecocardiograma fetal, para acompanhar como transcorria tudo.




Minha equipe médica incluía: obstetra, endocrinologista, oftalmologista e nutricionista. Ganhei cerca de 8 kgs durante a gravidez, o que foi muito importante para que corresse bem. Meu obstetra e nutricionista sempre me alertaram que o ganho excessivo de peso poderia ocasionar pré-eclampsia e um parto prematuro, então seguia  um plano alimentar muito saudável para adquirir um peso adequado durante a gravidez, que foi facilmente eliminado após o parto.

Então no dia 23/11/2017, às 9:47 da manhã, com 38 semanas e 5 dias de parto cesárea, conheci meu grande amor minha princesa Ana Lívia, escolhi este nome, pois significa “VIDA ABENÇOADA POR DEUS”. Foi o dia mais feliz da minha vida tinha chegado!Meu sonho estava se realizando! Uma bebê de 3.175kgs e 50 cm e cheia de saúde.



O início da vida de mãe de primeira viagem é sempre difícil, na verdade é muito difícil, quase desesperador, mas o mais importante é você ter ao seu lado pessoas que se comprometam a te ajudar isto inclui o pai os avós as tias, tios, padrinhos madrinhas e quem mais que venha a somar. Com o apoio familiar, é possível sim curtir o bebê. A amamentação também não é fácil, mas fui abençoada e minha bebê mama até os dias de hoje.



Hoje ela está com quase 11 meses, quase caminhando saudável, e eu me tornei um ser humano melhor que acredita na vida que acredita que tudo é possível quando se tem fé, quem imaginaria que uma mulher diabética com apenas um ovário e com síndrome do ovário policístico seria mãe, EU e minha FÉ acreditávamos!




Conciliar a vida de mãe, esposa, dona de casa, profissional e diabética é uma tarefa árdua, tanto que troquei um emprego de 44 horas semanais, por um de 20horas. O salário até diminuiu um pouco, mas não há valor no mundo que pague os momentos com minha pequena e poder fazer todas minhas tarefas bem feitas.



Minha mensagem as mulheres que tem diabetes e sonham com a maternidade é: Lutem! Busquem informações e corram atrás. Não desanimem, pois a Fé move montanhas e faz tudo se realizar.

Meu grande abraço a vocês. Espero ter colocado um pinguinho de esperança em vossos coraçõezinhos com minha história!
Nilziane (Mãe apaixonada)

Diabetes,hipertensão e síndrome do pânico: Mas eu venci!

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Meu nome é Elaine Aparecida de Sousa, tenho 39 anos. Sou professora, pedagoga e Psicopedagoga, divorciada e namoro o Raphael.

Tenho Diabetes Tipo LADA desde os 19 anos, uso insulina Lantus (aplico com seringa) e Novorapid (caneta descartável), faço contagem de carboidratos e uso Glifage 500mg (4 ao dia). Antes eu usava as insulinas NPH e Regular, há 5 anos mudei o tratamento para Lantus e Novorapid, e isso ajudou muito a controlar as taxas glicêmicas.

Por ser hipertensa, uso medicamentos para pressão e ansiolíticos para tratar a síndrome do pânico. Não tenho nenhuma sequela do mau controle glicêmico, apenas minha imunidade que é  baixa, o que me faz gripar muito.

Quando recebi o diagnóstico do diabetes,  não me revoltei, mas foi um choque tão grande que eu tive crises de ansiedade fortíssimas. Hoje lido bem com a questão. O que ainda me revolta a falta de comprometimento dos nossos governantes em deixar faltar-nos insumos e muitas vezes não termos condições para comprá-los. Mas esta é uma questão de todos nós,não?

Graças a Deus, tenho uma endocrinologista sempre disposta a me ajudar e a responder minhas mensagens via whatsapp. Posso conta muito com ela,isso me dá segurança no tratamento.

Em meus relacionamentos, sempre disse sobre o diabetes, não encontrei dificuldades para falar sobre isso. Meu namorado lida muito bem com isso, minha família me apoia e me ajuda no que preciso.

Tive dois abortos espontâneos e quando novamente engravidei, não foi planejado. Mas foi uma benção! Minha hemoglobina estava em  8% e na medida do possível, a glicemia ia se mantendo.

Fiz meu pré-natal pelo convênio, ia de semana a semana até que espacei para 15/15 dias até o dia do parto. Só internei uma vez para fazer a cesária, quando cheguei no hospital a Lara já estava a ponto de nascer de parto normal, mas precisei fazer cesariana devido a necessidade de fazer ligadura. A laqueadura foi porque eu tive dois abortos espontâneos antes, e em razão de usar antidepressivos, na gravidez precisei ficar sem eles e tive depressão pós parto e as crises de pânico voltaram. E também eu sou mãe solteira, além da falta de saúde, eu tinha muito medo de engravidar de novo e passar tão mal devido as crises de pânico.

A Lara ficou super bem na gravidez,não tivemos intercorrências. Lara Gabrielly de Sousa nasceu dia 09/10/2004, com 35 semanas, 44cm e 2.600 kg. Ela ficou de observação de um dia para o outro. Mas logo estávamos em casa. Eu amamentei somente um mês, pois tive uma forte abstinência dos remédios controlados que não usei durante a gravidez.






Em breve Lara fará 15 anos e estamos planejando sua festa de 15 anos. A vida seguiu e meus tratamentos também. A luta atual tem sido perder peso, tenho me empenhado, faço musculação e estou conseguindo perder medidas. Aos poucos vamos que vamos!


Para as mamães que querem engravidar e tem diabetes, digo que vale cada minuto. Lara é minha melhor amiga!Posso perder tudo na vida, mas tenho minha filha. Ela me ajuda muito com o tratamento!

Dificuldades todas passamos, mas vem a vitória.

Abraços e beijos.




Os médicos disseram que eu não poderia engravidar devido ao diabetes: Sou mãe!

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Olá!
Sou Camila, 34 anos, cabeleireira e manicure, tenho diabetes tipo I há 17 anos, casada com Alexandre e mãe da linda Letícia de 10 anos. Me trato com insulinas NPH (seringa) e Apidra (caneta). Meu tratamento é feito pelo plano de saúde.

Foto da esquerda antes do diagnóstico - Foto da direita depois do diagnostico




Meu sonho sempre foi em ser mãe. No começo do meu diagnóstico, os médicos diziam que eu não poderia ser mãe. Mas como os planos de Deus são diferentes, no ano de 2008 engravidei. Que susto! Minha glicemia nessa época era bem descontrolada, eu bem rebelde. A partir da notícia que estava gerando uma criança, comecei a fazer tudo o que podia para levar a gestação até o final sem problemas nenhum. Segui tudo a risca! Por incrível que pareça minha gestação foi tranquila. Mas haviam significativos descontroles glicêmicos e a glicada não baixou muito,mesmo com todo esforço.

Gestação

Tive muito apoio do meu marido Alexandre e isso foi muito importante.

Com  34 semanas meu médico achou prudente fazermos uma cesariana, poucos meses antes ele havia perdido uma paciente com diabetes e não quis arriscar comigo. Por isso Letícia nasceu prematuramente, com 2.800kg e 46 cm. Teve hipoglicemia, precisou ficar uma semana no hospital, mas com a graça de Deus, ela teve alta sem quadro de hipoglicemia. Não tive leite(mesmo com estímulos)por isso não tive o prazer de amamentar.

Nascimento


Letícia 1 dia em casa depois de 7 dias no hospital
Com 1 ano e 8 meses, ela foi diagnosticada com paralisia cerebral. Daí vieram os por quês:

Sorriso!


Foi por conta da hipoglicemia que teve quando nasceu?

Por ter nascido prematura?

Porque sou diabética?
Ainda não andava, precisava da ajuda de um carrinho.

A resposta que tenho para esses questionamentos são que Deus quis nos presentear com um anjo em nossas vidas, para cuidarmos e Ele sabia que daríamos muito amor e faríamos de tudo para ajudar nossa filha a crescer e superar seus obstáculos.
Aqui já andava e seu equilíbrio estava melhorando.

A paralisia cerebral dela é leve não progride e também não regride. Desde do diagnóstico dela até o dia de hoje, ela tem uma vida normal, posso te dizer que ela sem sombra de dúvida é o meu melhor PRESENTE.

Primeiro ano da escola e seu primeiro passeio

O diagnóstico da Lelê veio quando percebemos que ela não era tão durinha e não engatinhava. O pediatra nos que nem toda criança engatinhava, que era comum. Quando ela estava com 1 ano e 8 meses, ele nos encaminhou para um neurologista,aí veio o diagnóstico. Desde então fazemos tratamento dela com fisioterapia. Em janeiro de 2018, ela passou por uma cirurgia no tendão do pé direito.Graças a Deus está bem, correndo tudo como o previsto pelo ortopedista dela. Lelê hoje tem 10 anos está no quarto ano na escola , estuda numa Escola Municipal e acompanha as crianças de sua idade. Até brinco que ela não quer ser bailarina por isso faz tratamento para o pé direito.

Familia

Com diagnóstico de 17 anos de diabetes, não tenho nenhuma complicação, controlo a glicemia da melhor maneira dentro das minhas possibilidades. Claro que tem dias que digo não aguento mais, mas aí olho para minha “pitika” Letícia e percebo o quanto ela precisa de mim. Não deixo o diabetes tomar conta de mim , porque afinal quem é intrusa é ela, então eu tomo conta dela e vivo cada dia imensamente.

Mamãe e filha
O que dizer para as mulheres diabéticas que desejam ter filhos?O que não podemos é perder a fé e a confiança em Deus que no tempo certo ele nos dará sua herança, ou seja, filhos. Não tenham medo, fazendo um bom tratamento podemos sim ter filhos!

Aqui já com 10 anos minha bênção de Deus


Educação em Diabetes,informações e interação=Sucesso Gestacional!

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Oi, Kath! Tudo bem?

Meu nome é Paula, sou diabética desde os 12 anos e sempre sonhei ser mãe. Hoje sou a feliz mamãe da Isabela, mas ouvi muitos nãos, troquei de gineco muitas vezes depois de ouvir que a gestação era impossível e que mais da metade dos bebês de diabéticas morriam durante a gravidez sem qualquer problema aparente apenas por conta da oscilação da glicemia.

Em 2012, pedi demissão do meu trabalho pra poder me dedicar a um novo tratamento da diabetes pra poder realizar meu grande sonho. Na época comecei a usar a Lantus e a Apidra e a contar carboidratos. Virei rata de academia. Malhava todos os dias, duas horas por dia, mas não conseguia baixar a glicada de 8.8%. 

Era tanta cobrança dos médicos, tantos apontamentos de problemas que achei melhor nem tentar com esse resultado.

Três anos passaram. Entrei em parafuso e fui diagnosticada com síndrome do pânico. A medicação tornava impossível engravidar. Fui pra terapia. Lá descobri, em 2016, que meu problema era TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) não tratado na infância. A ansiedade era uma "comorbidade" disso, o que tornava essencial a terapia, mas não a medicação. Parei com o remédio, voltei a malhar e segui na terapia.

Em 2017, começo do ano, fui pra gineco pedir exames pra saber como estava a diabetes e o corpo pois queria engravidar em 2018. Por conta da diabetes nunca tomei anticoncepcional, mas achamos que era melhor não esperar mais e começar a tentar logo, pois o tempo médio de espera até engravidar é de um ano e meio, tempo que podia usar pra regularizar a glicemia. 

Acontece que engravidei no primeiro mês de tentativas. E minha glicada estava em 10.5%. Chorei muito. Não contamos pra ninguém antes dos 3 meses porque ficamos com muito medo de "perder o bebê sem motivo aparente". Quando ouvimos o coraçãozinho na ultra de 8 semanas achei que fosse morrer de felicidade. 



Procurei um especialista em gravidez de alto risco, passei a fazer consultas semanais no HC (Hospital das Clínicas) com a equipe de diabetes e mensais com uma nutricionista especialista em diabetes.

Foi dai que dei uma guinada no tratamento- conheci e amei o FSL (Free Stiye Libre). A dieta low carb também foi fundamental pro meu sucesso. Os exames de glicada eram mensais. E no segundo já tinha baixado a glicada pra 8.8%. 

O ultrassom da 12 semanas foi para acalmar o coração. Isabela se desenvolvia normalmente. Chorei de novo.

No segundo trimestre da gravidez estava com a glicada em 5.5%. Foi preciso muita força de vontade. Nao podia comer nada de carbo porque a sensibilidade a insulina piorou muito. Precisava de 1 unidade de insulina a cada 3 gramas de carbo!  

O obstetra (obrigada Deus por colocar esse médico no meu caminho) também foi fundamental pro sucesso. Primeiro me acalmou: disse que as chances de mau desenvolvimento fetal sao apenas 0.03% maiores em pacientes diabéticas do que numa gestação normal. Depois explicou que os riscos de morte fetal em diabéticas "sem motivo aparente" acontecem a partir de 38 semanas. Isso porque as diabéticas tem maior chance de uma doença chamada poliglobolia- que torna o sangue mais grosso. A partir das 38 semanas, com o bebê grandão, ele pode ter maior dificuldade de bombear o sangue pro coraçãozinho e pode morrer. Mesmo assim ele insistia que tudo estava bem e que eu nao estava numa gestação de alto risco, desde que mantivesse o controle entre 100 e 180.

Lembro de chegar numa consulta, já com 6 meses, e ouvir dele que tinha acabado de fazer um parto de uma diabética com 34 semanas por conta do polidramínio - excesso de líquido amniótico na placenta. Ele explicou que esse é o maior risco na diabetes porque se a glicemia sobe, o bebê consegue combater o açúcar no sangue porque o pâncreas dele está formado já no segundo semestre. Mas o tempo entre a hiperglicemia e a regulação do açúcar, ele vai agir como diabético: tomar mais líquido e fazer mais xixi. Isso aumenta o líquido amniótico, o que torna o bebê mais gordinho do que os bebês de mães não diabéticas. 



Ele explicou também que esse é o motivo dos bebês de diabéticas terem hipos no pós parto. Com o pâncreas já em funcionamento, quando cortam o cordão umbilical, o bebê tem hipo pois já está produzindo insulina em nível mais rápido do que um recém nascido de mãe sem diabetes. Me acalmou também daquela história lá atrás de que oscilação na glicemia mata o bebê- não mata.

A gestação corria tão bem que fui até viajar. Nada longe porque o marido me tratava como ogiva nuclear, mas fomos para Pernambuco curtir 10 dias de merecido descanso.

Ela nasceu de 37 semanas, 2.7 kg e 47 cm, de cesarea, para evitar riscos. Durante toda a gestação engordei 11 kg. Ela não teve hipo no parto - graças ao excelente controle na gestação, e também nenhuma hipo depois. Nasceu linda, esperta e PERFEITA.


Chorei muito e choro sempre contando a história de como gravidez é possível SIM pra diabéticas. Minha filha taí pra mostrar isso. Minha tristeza é já ter 34 anos. Se tivesse engravidado lá atrás, poderia ter outro bebê. 

As medições do free stylelibre são essenciais num bom controle da glicada e recomendo muito o uso para quem quiser engravidar - e tb na amamentação. No primeiro mês foram algumas hipos, mesmo diminuindo pela metade a insulina. Fora isso, somos normais, normalíssimas e merecemos ser mães.