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Maternidade e diabetes na adolescência

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Meu nome é Isabelle Luiza, tenho 18 anos e moro em Sete Lagoas-MG. Trabalho com maquiagem aos fins de semana, mas ainda curso o ensino médio.

Sou diabética tipo I há nove anos e nem sempre aceitei isso com muita leveza. Por ser adolescente, acho que passei por uma fase de rebeldia que acabou incluindo os cuidados com a doença. Não me alimentava bem, não aferia minha glicemia com frequência e nem me preocupava em tomar doses corretas de insulina. Um pouco depois tive cetoacidose e depois do ocorrido decidi me cuidar melhor, mas ainda sim, não era tão bem quanto atualmente. Fiz o test drive com a bomba de insulina, porém meu corpo teve uma rejeição, tive abscessos e precisei drená-los através de mini cirurgias. Foi uma fase tensa, então voltei a usar minhas canetas mesmo.

Um dia após meu aniversário de 17 anos, descobri minha gestação, me desesperei, pois não era algo planejado. Imediatamente comuniquei meu namorado na época, e à minha família. Assustei a todos, mas tive 100% de apoio, principalmente da minha mãe, que sempre esteve ao meu lado em qualquer situação.
  
Minha glicada se mantinha na casa dos 11%, assim que descobri a gestação ela estava 7,8%. Ao final da gravidez,consegui baixá-la para 7,2%. Foi uma gestação muito tranquila, sem complicações, porém, com muitos cuidados. Aferia minha  glicemia cerca de 15 vezes por dia para evitar pico glicêmico, e assim não prejudicar meu bebê. Se eu a via subir, já corrigia, e se notava que estava abaixando, me alimentava, pois não queria que nada de ruim acontecesse.




Minha sensibilidade à insulina mudou por completo, antes eram 3u para o café da manhã, e na gestação tomei 10u para comer a mesma coisa. Nada incomum de acordo com a endocrinologista que me acompanhou. Perdi peso e ganhei apenas o peso do bebê, seis quilos e meio ao todo.

Meu pré-natal foi maravilhoso, tive um acompanhamento bem de perto de dois obstetras (a que me acompanhou e a que fez meu parto), dois endócrinos (a especializada em gestante e a que me acompanhava antes da gestação), e a futura pediatra do bebê. Apesar de tudo correr bem, meu bebê era GIG (grande pra idade gestacional) nada incomum pra quem é diabética. Estava acima da curva desde 20 semanas, devido a isso, os médicos acharam por bem fazermos a cesariana com exatas 36 semanas. Gael nasceu com 4.205 kg, 50 cm e uma hipoglicemia 21mg/Dl. Tivemos que ficar internados no hospital por 10 dias para um melhor acompanhamento. Gael ficou na incubadora, tomou soro glicosado, precisou de oxigênio, recebeu luz ultravioleta para icterícia e fez alguns exames lá mesmo.  


Foram dias tensos, porém tudo  valeu a pena para poder tê-lo conosco. Só pude pegá-lo no colo quando ele tinha 2 dias de vida... Foi incrível! Sensação indescritível!



Antes da gestação eu pesava 63 kg, e em menos de um mês após o nascimento do bebê passei a pesar 60 kg, dois meses depois, meu peso estabilizou e atualmente peso 57 kg.

Tive muita dificuldade no início da amamentação, processo longo e demorado, mas no fim tudo deu certo. Hoje meu bebê tem cinco meses e mama exclusivamente no peito.


Ser mãe e conciliar com os estudos não é fácil, porém minha mãe me ajuda demais. Eu e o pai do bebê não estamos mais juntos desde o sétimo mês de gestação, mas ele tem contato com o filho e nossa relação é amigável.


Uma dica que posso passar para as mamães e futuras mamães são: Tenha controle, meça a glicemia várias vezes ao dia para um melhor monitoramento, e tenha fé, pois Deus sempre está no comando de tudo. 

Maternidade com Diabetes: Um Desafio Posssível!

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Olá!

Chamo-me Fernanda e hoje vou compartilhar com vocês a minha história. Sou brasileira, baiana, e moro em Portugal há 20 anos. Sou Arquiteta de formação, e atualmente trabalho como Desenhista Projetista de Moldes para injeção de plásticos.

Tenho Diabetes Tipo I desde os meus oito anos de idade. No início do diagnóstico, usei a insulina NPH, era o que tinha para o momento. Com o passar dos anos, e com novas insulinas no mercado, mudamos, o que ajudou muito no tratamento.

Cresci ouvindo que não poderia ser mãe. Os médicos eram unânimes: “Diabéticas” não podem ter filhos! Existem casos, mas é uma irresponsabilidade!

Com este “veredicto”, programei minha cabeça para nunca engravidar, apenas adotar (coisa que ainda sonho fazer). 

O tempo passou,namorei, fiz grandes farras, comi e bebi o que "podia e o que não podia", nunca controlei a glicemia, tomava insulina porque sabia que tinha que tomar, mas, fazer as glicemias capilares ou contar carboidratos... Só fazia quando bem queria.

Casei-me, meu marido era louco para ser pai, começamos a construir esse plano, mas sem autorização médica, pois a minha Ha1C estava 7,5%, sabíamos que os médicos não autorizariam. Enquanto sonhávamos, a Associação Portuguesa de Diabéticos me deu o Sensor Libre, assim minhas glicemias eram constantemente monitoradas, o que me deu mais responsabilidade em meu tratamento.  Parei de tomar o anticoncepcional, usávamos apenas preservativos, mas, algo “falhou”... Engravidei no mesmo mês!  E assim, depois do tão esperado “POSITIVO”, me dediquei de corpo e alma à gestação, fiz tudo o que me foi recomendado, em um mês baixou a Ha1C para 6,5%.



O primeiro trimestre gestacional foi bem tenso, tinha muito medo de ter hipoglicemias, mas consegui controlar tudo impecavelmente! Chorei todas as vezes que fazia exames, tive medo de falhar... Ter conseguido me foi uma GRANDE VITÓRIA!

Só nós mães, sabemos o quanto um filho pode mudar nossa maneira de ser e pensar... No final da gestação minha glicada estava em 5,4%.

E assim, no dia 24 de novembro de 2018, nasceu Maria Leonor, com 2.740g e 45 cm. Ela não teve intercorrência nenhuma, graças a Deus.



Em casa tivemos o grande desafio... A amamentação! Aqui, as maiores partes dos médicos não sabem orientar e acompanhar uma mulher com diabetes que deseja amamentar... Eles não me ajudaram, sai do hospital com um receituário médico prescrevendo Leite Artificial/ Fórmula, para alimentar a minha filha, achei aquilo o “fim do mundo”, mas graças a Deus encontrei a CAM (conselheiras de aleitamento materno), foram elas que me apoiaram e me instruíram.  Tive muitas hipoglicemias neste período, mas as driblei corrigindo com mel, eles sempre estavam ao meu lado ao amamentar



Amamentei até a Maria Leonor completar 12m+4 d; depois ela deixou de querer, e assim desmamou-se.

Hoje minha pequena tem um ano e meio, não posso dizer que é fácil conciliar carreira, maternidade e os demais afazeres, mas como se diz aqui em Portugal: “o que tem que ser, tem muita força". Simplesmente tento! Corro atrás, durmo tarde, mas tento. Tenho em mente que preciso tentar ser o melhor que eu consigo, mas não preciso ser a melhor do mundo... Fica sempre alguma coisa por fazer... 

Meu conselho de hoje para quem deseja engravidar é: Acredite! É possível! Às vezes parece assustador, mas é possível!

Tenham foco! Se planejem antes de engravidar!

Durante a gravidez é pensar: Tudo que pode dar errado comigo, pode acontecer com qualquer mulher grávida sem nenhuma doença preexistente, eu sou igual a todas as outras... E acreditem, é verdade! Procurem informação! Procurem médicos especializados (digo já que é bem difícil), procurem paz, amor e boas glicemias!




Beijinhos

Antonella, o meu milagre

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Meu nome é Lorena, tenho 21 anos e desde os 6 tenho Diabetes Tipo I. Durante a infância, me sentia diferente das demais crianças, e por isso não respeitava meu tratamento, isso se arrastou até o início da minha vida adulta. Devido a minha irresponsabilidade e rebeldia, desenvolvi uma lesão renal (proteinúria). Foram vários anos de um péssimo controle.

Comecei a estudar enfermagem, até que no dia 28/12/18, após sete dias de atraso menstrual, decidi fazer um teste a fim de tirar a dúvida se estava ou não grávida e por sinal estava, deu POSITIVO.

Foi desesperador! Não por estar grávida, mas por que sabia da atual condição do meu tratamento, sabia dos riscos que eu e o bebê corríamos. Na minha mente eu iria morrer e meu bebe também. E a lesão renal? Meu Deus!

Mas... Já que estava grávida, e iria fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para que meu bebê viesse ao mundo com muita saúde.

Encontrei um obstetra excelente (Dr. Luciano) que foi meu Anjo da Guarda no momento de tanto desespero. Ele me explicou sobre todos os riscos existentes pro bebê e pra mim, mas disse que me ajudaria no que fosse preciso.



Ao longo dos meses, a gestação evoluía bem, e a cada ultrassom era uma gratidão enorme a Deus por ver a evolução da minha filhinha. Não vou dizer que foi fácil, tive muitas oscilações glicêmicas, e em todas essas vezes, eu só pedia para que Deus preservasse a vida da minha pequena.

Tomava há anos a fio um remédio para proteção renal, engravidei tomando este medicamento, quando fui ao nefrologista, na hora ele pediu para que eu parasse de tomá-lo, pois este tipo de medicamento poderia ocasionar mal formação fetal e possível danos a mim. Deus e Maria Santíssima preservaram a vida da minha filha e a minha vida também, fiquei todos os meses gestacionais sem o remédio e com a perda de proteína altíssima. Foi um milagre nada ruim não nos ter ocorrido.  

Além do bom desenvolvimento da minha bebê, consegui uma boa glicada, engravidei com 8.3% e terminei a gestação com 6%. Graças a Deus e ao meu empenho! Comecei errado, tenho consciência disso, mas fiz o certo, quis que desse certo e Deus nos ajudou.



Na reta final da gestação, passei a ter muitas dores, eram dores indescritíveis, ao investigarmos, descobrimos que se tratava de uma crise na vesícula e por isso, precisaríamos fazer uma cesariana “urgente”. Foi então, que com 36 semanas + 4 dias, Antonella Maria veio ao mundo. Nasceu no dia 02/08/2019, pesando 3.510kg e 46 cm. Nasceu LINDA, BELA, SAUDÁVEL E ABENÇOADA, teve uma hipoglicemia de 36 mg/Dl, que foi logo tratada e tudo deu certo.



A amamentei exclusivamente até os 5 meses. No primeiro mês de amamentação foram hipos atrás de hipos, chupei muitas balas, media muito a fim de evitar quaisquer acidentes a mim, a bebê ou a nós duas. Temia por ficar inconsciente e algo nos ocorrer. As hipos eram tão constantes, a ponto de eu nem precisar tomar insulina ultrarrápida ao longo do dia, e as glicemias ficarem estáveis ou cairem “do nada”. Após um mês, meu corpo entendeu este processo de amamentação, passei a ter menos hipos, aprendi a ter melhores estratégias para estas horas e hoje isso raramente ocorre. Começamos a inserir frutas e legumes na alimentação da Antonella e estamos numa nova fase. Tudo tem sido uma descoberta!

Tive uma ótima recuperação, voltei logo ao meu peso e confesso que fico como uma equilibrista, me dividindo entre os meus cuidados e os dela, mas tenho tentado, lembro do quanto ela precisa de mim, e encontro forças de onde não tenho para prosseguir.



Aproveito a chance para agradecer também aos Anjos que tive nesse percurso: Minha mãe, que esteve comigo durante todo o tempo, meu pai, minha querida amiga Kath, que entendia tudo o que se passava comigo, pois viveu na pele essa situação, Ana Laura, que também é mãe e tem diabetes e em muito me entendeu, ao Reginaldo meu namorido e o pai maravilhoso da Antonella, e ao meu obstetra Dr. Luciano. Abaixo de Deus e Nossa Senhora sem vocês nada disso seria possível.  

Se hoje eu pudesse aconselhar mulheres com diabetes eu diria: Eu e Antonella somos testemunhas vivas de um grande milagre. Não é fácil! Dá medo, a gente se sente mega responsável, não só por nós, mais também por mais uma vida, nos culpamos, nos cobramos ,choramos, os hormônios sobem e descem... São sensações indescritíveis... Mas vale a pena sentir cada uma delas! Ser mãe é a melhor coisa da vida! Antes eu achava que isso era lenda, hoje sei o quanto isso é real. É uma dádiva! É uma benção! Deus nos dá um filho para nos provar o quanto nos ama, o quanto confia em nós e que possamos dar a devida credibilidade ao nosso tratamento. Ouçam seus médicos, tenham amigos, se empenhem... Vai dar certo!



Com fé, após 4 gestações Tainá nasceu para nos alegrar

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Meu nome é Débora Cerqueira, tenho 33 anos, sou bancária, tenho Diabetes Tipo I há 6 anos, recebi o diagnóstico aos 27 anos de idade. Atualmente faço uso das insulinas Tresiba e Novorapid (ambas na caneta).


Vou tentar contar minha historia de forma bem resumida.


Há 6 anos, comecei emagrecer e ter todos os sintomas que os "diabéticos" já sabem, junto a isso, tinha sucessivas crises de infecção urinária, cheguei a ir no Pronto-Socorro devido a isso, fiz acompanhamento com  ginecologista, tomava antibiótico e nada melhorava. Mexendo em minhas coisas, achei uma guia de exames da minha ginecologista. Quando peguei os resultados, a glicemia em jejum foi o que mais me chamou atenção 247 mg/Dl. Marquei  endócrino, porém a data era distante... Neste interím, um dia na hora do almoço fui cochilar,quando acordei vi tudo brilhando, me levaram para PS e ali começamos o meu tratamento.


Foram dias de grandes aflições e incertezas, não sabia nada sobre a doença e nem conhecia ninguém que a tivesse. Inúmeras vezes me senti sozinha na jornada como "diabética", mas sempre fui acompanhada por minha família e namorado (atual esposo).


Após tudo isso, com 2 anos de diagnóstico, descobri que estava grávida, nós ainda namorávamos, fiquei sem saber como me cuidar, o que fazer... Foi um susto! Não me recordo do valor da glicada, porém tive significativas oscilações glicêmicas, fiquei insensível as hipos... Foram momentos frustrantes, mas felizes pois seríamos pais, glicada chegou a 6,8%,mas não me alegrei, sabia que este valor era a troco de uma glicemia descompensada.


Com 34 semanas de gestação, chegou o pior dia da minha vida, Davi não tinha mais batimentos cardíacos, achei que iria morrer, porém precisei ser forte  por meus pais, que são muito apegados a mim, e não teriam estrutura para me ver prostrada.



Depois de ter perdido nosso filho, engravidei 3 vezes, mas nenhuma delas vingou. Na primeira, tive gravidez ectópica e nas duas seguintes, perdia rapidamente após um sangramento.

Três anos após todas estas perdas , engravidei da Tainá, foi uma gestação de certa forma tranquila, mas confesso que fiquei meio neurótica, media a glicemia muitas vezes por dia a fim de me certificar que tudo estava bem. No inicio da gestação tive um sangramento, e por isso a médica por precaução resolveu me afastada do trabalho até o nascimento da bebê.




No dia 3/9/19 ,minha filha veio ao mundo com 3320kg e 49cm.Nasceu com 37 semanas de parto cesárea, precisou ficar uns dias na UTINeo devido a imaturidade de seus pulmões. Ficou aproximadamente duas semanas internada e teve alta. Terminamos a gestação com a glicada em 5,8%.


Tenha fé e perseverança, mas acima de tudo CUIDEM-SE! É POSSÍVEL UMA MULHER COM DIABETES SER MÃE.



Após indicação, li este blog e amei. Estou feliz em poder contar aqui nossa história.

Abs.











Valentina trouxe cuidado e assiduidade a minha vida

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Me chamo Elaine Freitas, tenho 35 anos, sou de Belo Horizonte - Minas Gerais. 


Venho de uma família com vários casos de diabetes tipo II, mas por algum motivo aos 25 anos fui a "privilegiada" e diagnosticada com diabetes tipo I. Saber que você tem uma doença que traz tantos malefícios não é  facil, foi muito sofrido, tinha acabado de perder a minha mãe e pouco depois descobri que tinha diabetes.


Comecei o tratamento aplicando NPH e Regular, atualmente uso Lispro porém nunca me dedicava por completo, burlava as glicemias, fugia das consultas, não  aceitava a doença e foram  assim por vários anos. 


Sempre quis ser mãe, mas não era uma prioridade...A idade foi chegando e a vontade de ser mãe se foi tornando mais forte. Conheci o meu esposo e fui bem clara que eu queria ter um filho e não iria esperar muito. 


As taxas de glicemia não estavam boas, mesmo com a imensa vontade de engravidar não levava tão a sério a doença. Nao me protegia pra não engravidar e assim a vida seguia. Em um exame oftalmológico descobri que estava com retinopatia diabética, e que teria que fazer o laser, no mês que dei inicio a primeira sessão, descobri que estava grávida.Foi uma alegria imensa, o maior presente que Deus podia me dar. Minha glicada estava em 11%, super alta, veio junto o medo, o desespero...Não queria perder o meu bebê. 


As circunstâncias não eram favoráveis para a gestação, porém naquele momento meu bebê era a coisa mais importante para mim. Procurei um novo endocrinologista e passei a me tratar. 


No primeiro mês tive um sangramento que me deixou morrendo de medo, aliás, os primeiros três meses foram "tensos".O medo da gravidez não  ir pra frente é enorme, mas gracas a Deus  o bebe estava bem. 

Minha meta glicêmica era, glicemia de jejum abaixo de 100mg/Dl, e após as refeições 140mg/Dl. Media a glicemia 10x por dia, e se a glicemia subisse mais do que 150 mg/Dl, ficava apreensiva demais... Conversava com a bebê pra ela chuta e  pra dar algum sinal que estava bem, funcionava.

Minha alimentação mudou completamente, comecei a fazer hidroginástica e assim foram os 8 meses de muito cuidado, preocupação e a sensação incrível  de ter um anjinho crescendo dentro de mim. 


No dia 20 de dezembro de 2018, com 37 semanas, 2.590 kilos, com a glicada em 5.8% nasceu a melhor parte de mim, minha princesa Valentina, escolhi este nome por significar   "pessoa Valente e cheia de saúde". Ela tinha sido valente e resistente em meu ventre. 




O medico me disse que dava pra ver que eu tinha me cuidado, Valentina nasceu pequena, não  era gordinha, não teve macrossomia e isso era sinal que a gravidez foi bem controlada. Era tanta felicidade que não cabia dentro de mim!


Você que é diabética, uma mensagem pra você: "Nós podemos ser mãe SIM! Confie no Senhor e cuide da sua doença. Você  é  o único responsável pelo controle dela! 




José Fabrício e Antônio: Nossas Dádivas!

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Chamo-me Mayra, tenho 37 anos, casada, mamãe de dois lindos príncipes, sou formada em engenheira civil, mora em Palhoça – Santa Catarina. 


Minha historia com a diabetes iniciou na 28ª semana da 1ª gestação, no ano de 2009, controlamos com dieta, não sendo necessário uso de insulina, realizava ultrassonografia a cada 15 dias, com consultas semanais. 


Nosso primeiro grande sonho nasceu de um parto lindo normal induzido com 38 semanas e 6 dias no dia 20/09/2009, um menino lindo e saudavel com 3140kg e 47 cm, dextro de 51, chamado José Fabrício, tivemos alta com 2 dias e felizes para casa. 


Conforme orientação médica, após 6 meses do nascimento, fui refazer exames, e acusou ainda glicoses alteradas, a danadinha da Betesss continuava comigo. 


A partir dai começamos nossa convivência e o sonho de uma 2ª gestação guardadinho, sem noção nenhuma de como seria e do que me esperava. 


Sem conhecimento e informação, até porque não procurava, esqueci a tal, continuei trabalhando, curtindo ao máximo o mundo divino e tão esperado da maternidade. E o sonho da 2ª gestação guardadinho. 


E com este amor pleno pelo filho lindo que Deus nos deu, a gente começa a pensar que precisa se cuidar, para poder viver muito junto a família que temos, mas até então só pensamentosssss. 


Confesso não ser fácil, quantos deslizes, quantas crises, controvérsias de pensamentos e ações, até que o corpo começa a dar sinal que algo não está bem e quando se vê está com 47 kg e uma glicada imaginável de 15. 


Indo em uma direção totalmente contraria ao pensamento e a vontade de se cuidar, nesta altura não ia a médicos muito tempo. 


E agora? Fazer o que? Que momento negro. 


Criar vergonha na cara, dar a volta por cima, procurar ajuda, buscar informação, conhecimento, apoio, foi aí que encontrei este blog, lendo os vários depoimentos, cada um com a sua história de vida, fui tirando lá do fundinho aquele sonho guardadinho da 2ª gestação, um motivo para recomeçar, para sair de onde eu estava. 


Que caminho difícil, como é complicado de se ter auto controle, saber o que é correto e mesmo assim ir pelo errado. Baixar uma glicada de 15, que trabalho diário, de formiguinha. 


O tempo foi passando, a idade apertando, não podia mais esperar, estava chegando a hora, foram três longos anos para chegar em uma glicada tão sonhada “6,4”, com muitas derrapadas. 


Tinha noção que não bastava somente a glicada, que a gravidez era de risco, que teria de ter tempo, cuidado e dedicação, trabalhando mais de 14 horas por dia, como daria conta. 


Nestes três anos longos anos, além da busca pela glicada, fui me preparando psicologicamente, emocionalmente e financeiramente. 


Criei coragem e fui procurar meu obstetra (estava fugida dele devido a cobrança com a diabetes), consegui consulta para o dia 27/08/2015, para verificar a possibilidade de ter esta 2ª gestação, o mesmo me falou que sim, porem precisaríamos fazer vários exames para verificar como estava meu corpo, sangue, rins, visão. Com os resultados voltaríamos a conversar. 


Voltei ao meu endócrino que me incentivou muito, que seria possível, com controle e acompanhamento, tudo daria certo. Era tudo o que eu precisava. 


Com os resultados voltei ao obstetra, não estava legal a glicada, que tortura, agendamos para janeiro/16 e com mais requisições de exames. 


Janeiro chegou e uma glicada de 7,4, ainda não, mas estávamos mais perto. Mais uma vez saio do consultório com novas guias de exames e consulta marcada para maio/16. 


No dia 05/05/16 chego ao consultório com uma glicada de “6,4” e uma esperança enormeeeeeeee. 


Era o dia do sim, do inicio, obstetra e endócrino disseram sim, que já tínhamos condições de tentar uma gestação. Sai emocionada, chorando de alegria, passando um filme, parecia mentira.

Naquela noite conversei com Nosso Pai e pedi em oração, que se fosse da vontade Dele como é da minha, que Ele abençoasse este ventre mais uma vez, que me tirasse todo o medo e angustia, pensamentos negativos e agradeci. 


Minha ultima menstruação veio em junho/16, sempre fui bem certinha, única vez que atrasou foi na primeira gestação. Então só podia ser, era nosso pacotinho chegando, fiz dois exames de farmácias e aqueles famosos II risquinhos apareceram, dia 18/07/16 o de sangue confirmou cheio de amor, alegria e paz!! 


Sai do serviço, já havia me planejado e fui cuidar da gente, uma gestação maravilhosa, a cada exame, a cada ultra, tudo ocorreu bem, claro que ocorreram hipos e hipers, fazendo no mínimo 12 dextros/ dia, inclusive todas as madrugadas. 


Confesso que as vezes escorregava na alimentação, conseguimos manter a glicada em “6,4” durante a gestação. Pedia em minhas orações para passar das 34 semanas. 


Minha pressão sempre foi baixa, e para surpresa, consulta 35ª semana alerta com pressão alterada, sai angustiada, era um mundo que eu não conhecia, aquela noite não dormi. 


Naquela mesma semana baixei plantão da maternidade com pressão 16x10, fiz vários exames para verificar pre-eclampsia, que deram todos negativos, sai de lá com medicação metildopa 250 e repouso absoluto. 


Até as 34 semanas tinha engordado 8kg, depois eram 4kg/semana, estava muita inchada.Consulta de 36ª semana, sai com metildopa 500, pressão incomodando. 


Já tínhamos nos programado para o parto normal no dia do aniversário do papai. Diante da pressão alta precisamos alinhar um plano de B, encontramos um problemão, se precisássemos de Uti Neo, estavam todas com super lotação. No caso do nosso Antônio Guerrero, se precisasse seria para auxilio na respiração, todos exames feitos até então estava tudo certinho com ele. 


Com 37 semanas e 5 dias, no dia 06/03/17 (segunda) as 20:11 chegou nosso 2º grande amor, após uma subida de pressão no período da tarde, o obstetra achou por bem fazer uma cesárea, por não ser mais prematuro, já tínhamos escolhido a maternidade pela experiência da equipe da Uti Neo. 


Chegou um bebezão lindo com 3.820 kg e 49 cm, não consigo descrever a emoção de ouvir seu chorinho, nasceu com apgar 8, depois evoluiu para 9, ficou na observação comigo e fomos para o quarto juntinhos respirando lindamente ao encontro do maninho que esperava seu pacotinho de vida.

Um alerta que faço é com a equipe de pediatria da maternidade, passamos por uma situação horrorosa, são necessários medidas de dextros mais próximas, o Antônio com quase 40 horas de vida, eu não tinha nem colostro, ele já estava todo molinho, chorei, pedi, implorei, que ele é filho de diabética, que precisava se alimentar, pedi que fizessem a dextro, não podiam, só no intervalo marcado pelo pediatra responsável. 


Para ter noção, após uma hora que consegui que dessem um leitinho para ele, vieram fazer a dextro dele e estava 45. Mamães fiquem atentas a isso. Após este ocorrido, era só pedir que traziam o leitinho, foi horrível, desesperador. Deus estava conosco e evitou o pior. 


Devido isso, minha pressão ficou em 19x10, não baixava de jeito nenhum. O Antônio já estava de alta. Por bem meu obstetra resolveu me dar alta. 


Viemos para casa, que benção, nosso sonho realizado, as coisas foram se ajeitando, não consegui alimentar, não desceu leite. 


Nosso pacotinho hoje está com 2 aninhos cheio de amor e vida, muito saudável, trouxe tanta alegria e leveza, só temos a agradecer. 


Hoje estou em casa com eles, mas com planos de voltar a trabalhar, com o coração em paz e muito amor, com a certeza que tudo valeu e vale a pena. 


Espero que meu depoimento contribua de alguma forma, como por varias vezes busquei aqui força e coragem para não desistir, independente do ponto que estamos, sempre há um novo dia, uma nova oportunidade de recomeçarmos, somos filhas maravilhosas de Deus, precisamos ter fé, ter confiança, que tudo podemos Naquele que nos fortalece, Ele tem seus propósitos com a certeza de nos fazer evoluir e ser felizes. 


Acreditem, busquem ajuda, apoio, somos fortes.