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Os médicos disseram que eu não poderia engravidar devido ao diabetes: Sou mãe!

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Olá!
Sou Camila, 34 anos, cabeleireira e manicure, tenho diabetes tipo I há 17 anos, casada com Alexandre e mãe da linda Letícia de 10 anos. Me trato com insulinas NPH (seringa) e Apidra (caneta). Meu tratamento é feito pelo plano de saúde.

Foto da esquerda antes do diagnóstico - Foto da direita depois do diagnostico




Meu sonho sempre foi em ser mãe. No começo do meu diagnóstico, os médicos diziam que eu não poderia ser mãe. Mas como os planos de Deus são diferentes, no ano de 2008 engravidei. Que susto! Minha glicemia nessa época era bem descontrolada, eu bem rebelde. A partir da notícia que estava gerando uma criança, comecei a fazer tudo o que podia para levar a gestação até o final sem problemas nenhum. Segui tudo a risca! Por incrível que pareça minha gestação foi tranquila. Mas haviam significativos descontroles glicêmicos e a glicada não baixou muito,mesmo com todo esforço.

Gestação

Tive muito apoio do meu marido Alexandre e isso foi muito importante.

Com  34 semanas meu médico achou prudente fazermos uma cesariana, poucos meses antes ele havia perdido uma paciente com diabetes e não quis arriscar comigo. Por isso Letícia nasceu prematuramente, com 2.800kg e 46 cm. Teve hipoglicemia, precisou ficar uma semana no hospital, mas com a graça de Deus, ela teve alta sem quadro de hipoglicemia. Não tive leite(mesmo com estímulos)por isso não tive o prazer de amamentar.

Nascimento


Letícia 1 dia em casa depois de 7 dias no hospital
Com 1 ano e 8 meses, ela foi diagnosticada com paralisia cerebral. Daí vieram os por quês:

Sorriso!


Foi por conta da hipoglicemia que teve quando nasceu?

Por ter nascido prematura?

Porque sou diabética?
Ainda não andava, precisava da ajuda de um carrinho.

A resposta que tenho para esses questionamentos são que Deus quis nos presentear com um anjo em nossas vidas, para cuidarmos e Ele sabia que daríamos muito amor e faríamos de tudo para ajudar nossa filha a crescer e superar seus obstáculos.
Aqui já andava e seu equilíbrio estava melhorando.

A paralisia cerebral dela é leve não progride e também não regride. Desde do diagnóstico dela até o dia de hoje, ela tem uma vida normal, posso te dizer que ela sem sombra de dúvida é o meu melhor PRESENTE.

Primeiro ano da escola e seu primeiro passeio

O diagnóstico da Lelê veio quando percebemos que ela não era tão durinha e não engatinhava. O pediatra nos que nem toda criança engatinhava, que era comum. Quando ela estava com 1 ano e 8 meses, ele nos encaminhou para um neurologista,aí veio o diagnóstico. Desde então fazemos tratamento dela com fisioterapia. Em janeiro de 2018, ela passou por uma cirurgia no tendão do pé direito.Graças a Deus está bem, correndo tudo como o previsto pelo ortopedista dela. Lelê hoje tem 10 anos está no quarto ano na escola , estuda numa Escola Municipal e acompanha as crianças de sua idade. Até brinco que ela não quer ser bailarina por isso faz tratamento para o pé direito.

Familia

Com diagnóstico de 17 anos de diabetes, não tenho nenhuma complicação, controlo a glicemia da melhor maneira dentro das minhas possibilidades. Claro que tem dias que digo não aguento mais, mas aí olho para minha “pitika” Letícia e percebo o quanto ela precisa de mim. Não deixo o diabetes tomar conta de mim , porque afinal quem é intrusa é ela, então eu tomo conta dela e vivo cada dia imensamente.

Mamãe e filha
O que dizer para as mulheres diabéticas que desejam ter filhos?O que não podemos é perder a fé e a confiança em Deus que no tempo certo ele nos dará sua herança, ou seja, filhos. Não tenham medo, fazendo um bom tratamento podemos sim ter filhos!

Aqui já com 10 anos minha bênção de Deus


Educação em Diabetes,informações e interação=Sucesso Gestacional!

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Oi, Kath! Tudo bem?

Meu nome é Paula, sou diabética desde os 12 anos e sempre sonhei ser mãe. Hoje sou a feliz mamãe da Isabela, mas ouvi muitos nãos, troquei de gineco muitas vezes depois de ouvir que a gestação era impossível e que mais da metade dos bebês de diabéticas morriam durante a gravidez sem qualquer problema aparente apenas por conta da oscilação da glicemia.

Em 2012, pedi demissão do meu trabalho pra poder me dedicar a um novo tratamento da diabetes pra poder realizar meu grande sonho. Na época comecei a usar a Lantus e a Apidra e a contar carboidratos. Virei rata de academia. Malhava todos os dias, duas horas por dia, mas não conseguia baixar a glicada de 8.8%. 

Era tanta cobrança dos médicos, tantos apontamentos de problemas que achei melhor nem tentar com esse resultado.

Três anos passaram. Entrei em parafuso e fui diagnosticada com síndrome do pânico. A medicação tornava impossível engravidar. Fui pra terapia. Lá descobri, em 2016, que meu problema era TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) não tratado na infância. A ansiedade era uma "comorbidade" disso, o que tornava essencial a terapia, mas não a medicação. Parei com o remédio, voltei a malhar e segui na terapia.

Em 2017, começo do ano, fui pra gineco pedir exames pra saber como estava a diabetes e o corpo pois queria engravidar em 2018. Por conta da diabetes nunca tomei anticoncepcional, mas achamos que era melhor não esperar mais e começar a tentar logo, pois o tempo médio de espera até engravidar é de um ano e meio, tempo que podia usar pra regularizar a glicemia. 

Acontece que engravidei no primeiro mês de tentativas. E minha glicada estava em 10.5%. Chorei muito. Não contamos pra ninguém antes dos 3 meses porque ficamos com muito medo de "perder o bebê sem motivo aparente". Quando ouvimos o coraçãozinho na ultra de 8 semanas achei que fosse morrer de felicidade. 



Procurei um especialista em gravidez de alto risco, passei a fazer consultas semanais no HC (Hospital das Clínicas) com a equipe de diabetes e mensais com uma nutricionista especialista em diabetes.

Foi dai que dei uma guinada no tratamento- conheci e amei o FSL (Free Stiye Libre). A dieta low carb também foi fundamental pro meu sucesso. Os exames de glicada eram mensais. E no segundo já tinha baixado a glicada pra 8.8%. 

O ultrassom da 12 semanas foi para acalmar o coração. Isabela se desenvolvia normalmente. Chorei de novo.

No segundo trimestre da gravidez estava com a glicada em 5.5%. Foi preciso muita força de vontade. Nao podia comer nada de carbo porque a sensibilidade a insulina piorou muito. Precisava de 1 unidade de insulina a cada 3 gramas de carbo!  

O obstetra (obrigada Deus por colocar esse médico no meu caminho) também foi fundamental pro sucesso. Primeiro me acalmou: disse que as chances de mau desenvolvimento fetal sao apenas 0.03% maiores em pacientes diabéticas do que numa gestação normal. Depois explicou que os riscos de morte fetal em diabéticas "sem motivo aparente" acontecem a partir de 38 semanas. Isso porque as diabéticas tem maior chance de uma doença chamada poliglobolia- que torna o sangue mais grosso. A partir das 38 semanas, com o bebê grandão, ele pode ter maior dificuldade de bombear o sangue pro coraçãozinho e pode morrer. Mesmo assim ele insistia que tudo estava bem e que eu nao estava numa gestação de alto risco, desde que mantivesse o controle entre 100 e 180.

Lembro de chegar numa consulta, já com 6 meses, e ouvir dele que tinha acabado de fazer um parto de uma diabética com 34 semanas por conta do polidramínio - excesso de líquido amniótico na placenta. Ele explicou que esse é o maior risco na diabetes porque se a glicemia sobe, o bebê consegue combater o açúcar no sangue porque o pâncreas dele está formado já no segundo semestre. Mas o tempo entre a hiperglicemia e a regulação do açúcar, ele vai agir como diabético: tomar mais líquido e fazer mais xixi. Isso aumenta o líquido amniótico, o que torna o bebê mais gordinho do que os bebês de mães não diabéticas. 



Ele explicou também que esse é o motivo dos bebês de diabéticas terem hipos no pós parto. Com o pâncreas já em funcionamento, quando cortam o cordão umbilical, o bebê tem hipo pois já está produzindo insulina em nível mais rápido do que um recém nascido de mãe sem diabetes. Me acalmou também daquela história lá atrás de que oscilação na glicemia mata o bebê- não mata.

A gestação corria tão bem que fui até viajar. Nada longe porque o marido me tratava como ogiva nuclear, mas fomos para Pernambuco curtir 10 dias de merecido descanso.

Ela nasceu de 37 semanas, 2.7 kg e 47 cm, de cesarea, para evitar riscos. Durante toda a gestação engordei 11 kg. Ela não teve hipo no parto - graças ao excelente controle na gestação, e também nenhuma hipo depois. Nasceu linda, esperta e PERFEITA.


Chorei muito e choro sempre contando a história de como gravidez é possível SIM pra diabéticas. Minha filha taí pra mostrar isso. Minha tristeza é já ter 34 anos. Se tivesse engravidado lá atrás, poderia ter outro bebê. 

As medições do free stylelibre são essenciais num bom controle da glicada e recomendo muito o uso para quem quiser engravidar - e tb na amamentação. No primeiro mês foram algumas hipos, mesmo diminuindo pela metade a insulina. Fora isso, somos normais, normalíssimas e merecemos ser mães.



Me disseram que não poderia ser mãe,estava me preparando para adoção...Quando...

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Olá Kath! Tudo bem?

Sou Thaís. Minha história começa em 2014. Eu já estava casada há 2 anos e sentia que era o momento de termos um bebê. 

Sempre ouvi relatos de que seria difícil engravidar, e que mais difícil ainda seria levar a gravidez adiante, foi quando comecei a pesquisar à respeito e descobri o seu blog. Li vários relatos e vi que era possível sim.

Na época conversei com a minha endócrino, ela me orientou a melhorar os controles, pois minha glicada estava em 8%, passei a fazer contagem de carboidratos e usar a insulina apidra mais NPH,  pediu pra eu procurar um GO que atendesse gravidez de alto risco.  Foi o que fiz. 

Busquei no meu convênio e fui fazer todos os exames que ele pediu, inclusive para o meu esposo. No retorno com os resultados um balde de água fria, o medico me disse que não poderíamos ter filhos e que somente por meio de uma inseminação in vitro. 

Parei com os contraceptivos,  já  que não poderíamos ter filhos e a partir daí me dediquei a pesquisar a respeito de adoção. 

O diabetes melhorou nesse período. E eu desencanei de engravidar.

Passaram-se mais 2 anos. Em agosto de 2016 eu saí de férias e junto com meu marido programamos uma viagem para o Chile. No retorno iríamos  atrás da papelada para adoção. 

Ficamos 5 dias no Chile e nesses dias eu teria que menstruar. O que não aconteceu,  chegando no Brasil, fiz um teste de farmácia e pra minha alegria e meu desespero veio o POSITIVO.
Grávida de 32 semanas

Na mesma semana passei com minha endócrino e comecei o pré-natal na Unicamp,  hospital de clínicas de Campinas.

Tive uma gestação muito tranqüila,  sem nenhuma intercorrencia, minha glicada ficou entre 6.8% e 6.2%. Engordei 7.500kg durante toda a gestação. 

No final da gravidez, troquei de G.O por motivos apenas de conveniência,  quis ter o parto pelo meu convênio. 

Minha Luísa no dia 13/04/2017,nasceu com 3.845kg, 49cm, 38sem e 5 dias, cesárea, pois como tenho retinopatia, minha oftalmologista não aconselhou tentar o parto normal. Ao nascer ela teve hipoglicemia e ficou 1 dia e meio na UTI Neonatal até estabilizar a glicemia. Fora isso ela não teve mais nada.
Luisa com 5 meses
Minha recuperação foi muito boa. Fora as várias  hipos que tive no começo, tudo foi bem tranquilo. Luísa mama no peito até hoje.

Hoje penso em ter um filho daqui uns dois anos mais ou menos...

Um conselho que  eu posso dar é: Cuide do diabetes, tenha força e fé, que dá tudo certo.

Luisa com 7 meses


Um amor para a vida...

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Bom dia Kath!!!

Tudo bem?!

Minha história é um pouco diferente das que leio em seu blog, em todo caso quero muito partilhá-la com vocês. Há nela muito amor, força de vontade e uma forma peculiar para uma DM1 viver a maternidade, e isso não nos torna menos mãe.

Aos 18 anos recebi o diagnóstico de Diabetes Tipo I com aqueles sintomas clássicos, ou seja,  poluiria, polifagia, polidpsia e perda de peso (emagreci 10 quilos em um mês). Fui internada no CTI  com cetoacidose diabética.

Receber o diagnóstico não foi fácil, a gente não entende no início, e acho que nem a minha família entendeu,ficaram assustados com a internação no CTI. Iniciei o tratamento ainda no hospital com insulina e dieta restrita. Já usei todas as insulinas, atualmente uso Tougeo e Apidra com caneta de aplicação.

Passei por todas as fases, no início achei legal, eu era a diferente, todo mundo perguntava, as pessoas queriam ajudar, me vigiavam comer e eu achava isso legal, era o centro das atenções. Posteriormente veio a fase da negação, comia doce escondido, ficava dias sem aplicar insulina, aquela loucura toda.

Chegou o momento do vestibular, sempre quis ser médica, desde criança, pelo valor da mensalidade sabia que minha família não teria como arcar com a mensalidade, tentei em universidades públicas outros cursos na área da saúde, até passei, mas nada me encantava, queria mesmo era ser médica. Até que fiz o vestibular em uma universidade privada, passei e consegui o FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), o que me possibilitou me tornar médica.

Durante a faculdade, fui negligente com meu tratamento. É antagônico dizer, pois por estar na área da saúde, e ter meios, algo estranho me sobreveio. Foi um misto de sensações e acontecimentos. Meus pais se separaram, nas aulas eu tinha contato com as inúmeras sequelas do diabetes e isso me deixava pra baixo, pensando se aquilo ocorreria comigo mesmo... Enfim, eu fiquei por anos anestesiada, impotente e sem ação quando o assunto era tratar do diabetes. Foi uma impotência que não sei explicar. Muitos podem me julgar, mas não foram anos fáceis. Lidar com a pressão da faculdade, pais se separando família se reorganizando, o diabetes e ter que diariamente lidar com suas patologias reais no período da faculdade, em mim causou um efeito reverso, paralisador.

Nos últimos meses de faculdade, fui para uma cidade do interior estagiar, lá conheci meu marido, começamos a namorar e dois anos depois nos casamos. Me tornei Médica (clínica geral) e trabalho em um Pronto- Atendimento.

A relação dele com o DM foi sempre tranquila, isso não nos foi um empecilho, ele tinha poucas informações sobre o diabetes, mas sempre me ajudou no que pôde. Contudo, até hoje se assusta com as hipos rs.

Negligenciei o tratamento por muito tempo, e uma hora as complicações vêm, embora a gente ache que nunca acontecerá conosco. As sequelas do mal controle glicêmico em mim são: retinopatia (já fiz 3 lasers porém está controlada agora, enxergo muito bem); neuropatia (muitas dores nas pernas); nefropatia (renal crônica em diálise, na fila para transplante duplo rim-pâncreas) e mastopatia diabética (alteração nas mamas com nódulos devido ao mal controle glicêmico).

Quando passei a ter uma consciência real da necessidade do cuidado, e passei a me cuidar, já tinha sequelas.

Como na maioria dos casais, quisemos ter filhos, porém com as complicações do diabetes a minha gestação foi contra-indicada pelos médicos, por causa do risco de piorar todo meu quadro.

Receber uma notícia destas, claro, ninguém quer, mas havia dentro de nós um sonho, queríamos realizá-lo, porém não com impulsividade, de forma irresponsável, eu já havia sido negligente demais por anos a fio, agora minha visão era outra . Corria sérios riscos se gestasse, poderia trazer problemas também ao bebê. Nós dois correríamos sérios riscos. Um sonho neste caso, não poderia falar mais alto do que a razão. Nessa hora como médica, resolvi aceitar os conselhos médicos e não engravidar.

Por um tempo havia desistido da maternidade, mas comecei a ler sobre a possibilidade de fazer útero de substituição. Foi então minha irmã se propôs a ser minha barriga emprestada, surgindo para nós, uma luz no fim do túnel.

Começamos a fazer os exames, e graças a Deus tudo estava certo.  Minha irmã já era mãe de 2 meninas lindas, e decidiu gerar os sobrinhos, gesto mais lindo que alguém pode fazer, doação sem limites.

Durante a inseminação, foram inseminados 2 embriões. Sabíamos que poderíamos ter gêmeos, mas esta era uma possibilidade e não um veredicto. Foi então que no primeiro ultrassom já vimos 2 bolsas gestacionais. Foi muita alegria! Dois filhos de uma vez só! E ainda um casal! Era Deus cuidando com todo carinho mais uma vez.



A gravidez foi um período de muita alegria e também de muitos questionamentos. Estava realmente muito feliz, vivendo a melhor fase da minha vida, era uma alegria indescritível, um amor que não cabia no peito.... Feliz de estar realizando um sonho, de ter uma irmã como a minha que me acompanhou, e me permitiu esta concretização... Mas confesso que por vezes me culpei pois não cuidei o suficiente do diabetes para poder me tornar ser mãe... Por outro lado, me sentia muito agraciada por Deus, por Ele ter me concedido a graça de ser mãe mesmo por outro meio, e por ter a minha irmã como parte deste sonho.




O pré-natal foi super tranquilo, minha irmã Renata, graças a Deus tem uma saude de ferro e trabalhou até a semana do parto.Ela mora em outra cidade,para participarmos dos exames e novidades,sempre nos deslocamos até sua cidade, e foi lá que os bebês nasceram.

A cesárea foi marcada para o dia 16/06/2016, quando Renata estava com 38 semanas. Fomos todos juntos para o hospital no dia do parto. Foi emocionante ouvir os chorinhos deles, e ver ali concretizado o ato de amor da minha irmã para conosco. Era uma irmã num ato incondicional e duas novas vidas ao mundo, vidas que amei antes mesmo as conhece-las. Eu e meu esposo ficamos extasiados com tamanho sentimento. Foi uma atmosfera sensacional.

Lucas (São Lucas era médico e como sou médica quis fazer uma homenagem), nasceu com 2.930g e 51cm. Lorena (nome forte que me remete a alguém que sabe o que quer), nasceu com 2.860g e 49cm. Nasceram lindos e saudáveis, tanto que 48h depois do parto já haviam recebido alta.

Há quase 2 anos recebemos a graça de termos nos tornado PAIS. Cada dia uma novidade, uma alegria, uma descoberta, um amor imensurável. Não os amamentei, desde que vieram para casa tomaram fórmula, crescendo alegres e sadios.



Cada um com sua personalidade, características físicas paternas e maternas. Desejados desde sempre,  gerados num ventre regado de amor, e hoje aqui, fruto do nosso amor.

Sempre mantemos contato com a Renata, sou apaixonada pelas filhas dela. Ela é a madrinha da Lorena, sempre que conseguimos nos encontramos.



Agora mais que nunca, tenho a consciência que preciso me cuidar, tenho 2 crianças e um marido que dependem de mim. O que aconteceu, já aconteceu, decidi começar do zero e fazer diferente. Resolvi me dar um recomeço.

Meu controle glicêmico varia muito, ainda mais depois da insuficiência renal e tenho muita dificuldade para me alimentar, as vezes tenho hipoglicemia por conta disso, principalmente noturna.

A vida com diabetes não é fácil, mas quando você aceita e decide lutar em seu favor, ao invés de tentar lutar contra a doença, as coisas vão se ajeitando. Depois que meus filhos nasceram, minha vida mudou de forma indescritível. Trabalho dando plantões em pronto-socorro, em casa cuido deles, estou em processo de exames para um transplante duplo rim-pâncreas que será uma melhoria na minha qualidade de vida para cuidar dos meus pequenos. Mesmo diante desta correria ,amo ser MÃE.

Não espere chegar no ponto que cheguei para poder se cuidar. Cuide-se agora! Tome a decisão de se gostar agora! Ser mãe é a melhor coisa que pode acontecer na vida de uma mulher.Graças a Deus tive minha irmã que me proporcionou essa bênção, mas eu poderia não ter realizado esse sonho por irresponsabilidade minha, porque deixei de cuidar. A gente vive ilusoriamente atrás de um depois, que pode não chegar, ou vir comprometido, como foi no meu caso.

Se cuide para ser mãe, se o desejar. Senão, se cuide por você, por quem te ama. Sequelas trazem sofrimentos a todos, e não só a você. Se cuide para ter saúde para estar com seus filhos, isso não é só prova de amor, mas também prova de responsabilidade e respeito com eles, afinal, os mesmos não pedem para vir mundo, e se veem, precisamos ser maduros o suficiente para mudarmos.

Sou imensamente grata a Deus por estar me dando todas as condições de cuidados atuais com a minha saúde, mas principalmente por ter colocado a Renata em nosso caminho, nos dando a oportunidade de sermos PAIS.

É sim possível ser mãe, esposa, médica e diabética (com todas as complicações) e ser muito feliz.

Eu vejo flores por onde ando. Procuro não olhar para trás, pois vejo que isso não adianta mais. Deixei o passado lá, e hoje só lembro dele quando quero alertar pessoas.

Não desista dos seus sonhos, mas pincipalmente não se esqueça de você!!!

Por isso ressalto, que é possível sim, ser mãe com complicações do mal controle glicêmico, desde que vc tenha uma opção como eu tive. Não recomendo não seguir as orientações médicas, e engravidar sabendo dos riscos. A gente sempre se encoraja por ver a história feliz dos outros meus com complicações. Mas quem nos garante que teremos a mesma “sorte”? Mais do que pensar em mim, hoje penso em meus filhos.

Sigo agradecendo a Deus por todas as graças. Minha mãe será a doadora de um rim para mim, na verdade eu tenho a melhor família deste mundo. Meus dois irmãos também se propuseram a me doar o rim, porém pelos exames, minha mãe seria a melhor doadora no momento. Tenho ou não uma família especial? Sempre se dispondo ao meu favor.



Tenho também o melhor marido, alegre, otimista e sempre enfrentando as tempestades ao meu lado. 
GRATIDÃO DEUS,POR TUDO!

“ Sonho que se sonha só... e só um sonho que se sonha só... mas sonho que se sonha junto e realidade...”
FELIZ DIA DAS MÃES A TODAS.
OBRIGADA RENATA POR HOJE EU SER MÃE.