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Tenho Diabetes Tipo II e estou gestante.Novos desafios!

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Meu nome é Mariana, sou bióloga e descobri que tenho Diabetes Tipo II há quatro anos.

Antes do diagnóstico, já objetivava ter uma vida mais saudável, acompanhada e orientada por equipe composta por endocrinologista, nutricionista, psicóloga e educadora física, fiz exames e dei início a esta mudança de vida.

Mesmo antes de iniciar a reeducação, sempre procurei fazer exames e acompanhar os as glicemias por precaução, pois meu pai tem Diabetes Tipo II, tinha passado por tempos difíceis, e eu não desejava passar pelo mesmo.

Após alguns meses, perdi dez quilos e fiz uma nova bateria de exames, foi quando o resultado da GLICEMIA EM JEJUM nos surpreendeu estava 140 mg/DL. O baque foi inevitável. Muitos julgamentos e acusações de que havia demorado muito para ter hábitos saudáveis, só me deixava mais triste. Não aceitei o diagnóstico, me perguntava como seria enfrentar essa doença por toda vida, estava com 29 anos, recém-casada e um sonho imenso em ser mãe.

Após absorver muitos julgamentos e lamentos, comecei o tratamento com Glifage, mas o mal-estar era insuportável. Por vezes não fui trabalhar. Todos agora me percebiam doente. Minha vida profissional precisou sofrer mudanças, trabalho em campo, ficar sem suporte alimentar, já não era possível. Precisei recusar projetos e abrir mão de grandes aprendizados. Devido aos sintomas de hipoglicemia e mal-estar mudamos para o Victoza, medicamento injetável que segundo a endocrinologista prometia reverter o diabetes em um ano, caso eu continuasse associando os novos hábitos saudáveis.

Mesmo diante da mudança do tratamento, as glicemias só subiam. Cansada de tantas agulhadas diárias, passei a fazer uso do Diamicron em jejum, aí sim, as glicemias melhoraram, a hemoglobina glicada foi para 5,0%%. Grande avanço!

Foi então que por meio de exames, descobri que tinha cistos no ovário, eles eram consequência da minha resistência à insulina. Tratando isso, poderia engravidar com mais facilidade no futuro. Mas toda vez que manifestava minha vontade de ser mãe, os médicos eram enfáticos em dizer que ainda não era o momento e os argumentos me deixavam com muito medo.

Continuei usando anticoncepcional, a fim de evitar uma possível gestação. Há um ano, comecei a ganhar peso sem motivos aparentes, mesmo mantendo hábitos saudáveis. Nos exames descobrimos que se tratava de alterações hormonais causadas pelo uso continuo de anticoncepcional. Fui orientada a parar de tomar o medicamento, mas alertada a não engravidar.

Em maio de 2017, engravidei. Deus tem seus meios e formas de trabalhar, nós às vezes não as entendemos. Ficamos imensamente alegres, mas claro com medo, fui tão orientada a não engravidar...

Passei a injetar a insulina NPH três vezes ao dia (jejum, almoço e jantar). Meu esposo sofreu com isso, dizia que eu não merecia tanto sofrimento. Com 14 semanas de gestação, um pré-diagnóstico, meu bebê estava maior do que o normal seria um bebê macrossômico devido ao grande aporte de glicose. Se fosse confirmado, teria que interromper a gravidez muito cedo, teria um parto prematuro. Chorei muito e as emoções só faziam minha glicose subir. Para os que estão a nossa volta, julga ser consequência da nossa “irresponsabilidade e falta de cuidado”, e isso só torna nossa vida mais difícil. Mas decidi me dedicar ao tratamento, por ele, por mim... Por nossa família!



Percebi que tudo é motivo para falarem, se recuso ou aceito doces, sempre tem alguém para falar, cheguei a escutar que estava privando meu bebê de saborear estas “delícias”.  

Pensando nas adversidades diárias, vejo que a dificuldade social em manter a alimentação saudável é a coisa mais difícil pra mim psicologicamente. Afinal, banquetes celebram a felicidade, e não se esbanjar, muitas vezes é visto como algo negativo. “Uma vezinha não vai fazer mal” ou “você é muito radical”, muitas vezes é difícil ouvir estas coisas.

E as hipoglicemias hem?! Elas muitas vezes são vistas como frescura. As pessoas não pensam no que falam e nem como isso pode nos magoar. Falam por falar, por desconhecimento, ignorância... Enfim sem pensar, e se a gente não se apegar com Deus, acreditar em nossa gestação e termos um amor imenso ao nosso lado e ao bebê...É tenso conviver com tudo isso.


Acompanhando a gestação por meio das ultrassons, vimos que o nosso Daniel estava dentro do tamanho e peso normal para a idade gestacional. Resolvi me entregar a fé e deixar Deus conduzir a gestação. Com a glicemia controlada, hoje estou no sétimo mês de gravidez,ano que vem, terei meu filho nos braços, grata a Deus e orgulhosa de mim mesma, por ter superado todos os obstáculos fisiológicos, emocionais e sociais que a diabetes impôs.


Engravidei com a glicada em 10,9%,estamos feliz e nos dedicando por melhores glicemias-Em breve teremos um baby

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Meu nome é Dalila, tenho 31 anos, casada há 5 anos e sou funcionária pública.

Descobri o Diabetes Tipo I há 22 anos, uso o SICI (bomba de insulina) da Medtronic, tenho hipotireodismo (uso Puran) e tomo também Somalgin Card, pois tive um AVC há 2 anos, devido ao longo período tomando anticoncepcional oral, após esse episódio coloquei DIU de cobre.

No início do diagnóstico, usava apenas a insulina NPH, não tendo sucesso. O médico que me acompanhava, em muito me desestimulava, dizia que eu iria morrer logo, pois não cuidava do diabetes, ele não media palavras, detalhe eu tinha 9 anos de idade,desde de criança ouvia palavras horríveis sobre a doença que tenho...

Não conformada, minha mãe pâncreas, foi a procura de outros médicos em cidades maiores, e encontrou. Iniciei em um novo tratamento, trocamos de insulina e passei a usar, Lantus e Lispro. Deu certo, porém a fase não ajudou, escola, amiguinhos comendo doces, eu também queria e comia. Comia escondido, lembro que guardava as embalagens dos doces nos buracos do assoalho para que meus pais não vissem.

Tive alguns momentos de rebeldia na adolescência, não sofri preconceito, mas queria ser como os demais, beber sem preocupações, não ter certas preocupações que nós diabéticos temos.

Os anos seguiram e aos 25 anos o meu médico sugeriu o uso da bomba, na hora topamos e está dando super certo.

Tenho momentos de rebeldia e revolta, daí não há método algum que resolva,então não posso culpar meu tratamento. Não tenho sequelas, acredito que por fazer acompanhamento médico assíduo,embora meus controles não seja um dos melhores.

Minha equipe médica é excelente, composta por cardio, endócrino, nefro, gineco, oftalmo, neuro e vascular.

Em agosto decidimos tirar o DIU, tendo em vista que na maioria dos casos no uso contínuo de métodos contraceptivos a mulher demora a  engravidar, acreditávamos que em um ano eu ficaria grávida e neste período minha glicada iria melhorar, eu estava disposta a baixar a glicada, mas em setembro, no mês seguinte, descobrimos a gravidez.

Embora a glicada não estivesse em seu melhor valor, estando 10,9%, ficamos muito felizes por nos tornarmos pais. Não imaginávamos que seríamos pais tão rápido, estamos tendo todos os cuidados necessários para que tudo corra muito bem. Estou gestante de 10 semanas, minhas glicemias estão melhorando muito, estamos ajustando a basal pois tenho tido hipo de madrugada e hipers pela manhã. 

Faço meu pré - natal no sistema privado, com meu gineco de confiança, que não é de alto risco, porém quando ele tirou meu DIU, perguntei a ele se me acompanharia, já que minha gestação seria de alto risco, e a resposta dele foi simples: "não tenho medo de bicho papão". Ali selamos a dura jornada.



Deus tem sido tão misericordioso conosco, dando-nos um filho e condições para que ele se desenvolva bem, só tenho a agradece-lo por sua bondade.

Deus tem sido tão bom, que nos deu um grande livramento no dia 05-12-2017.Indo trabalhar, sofri um acidente de moto, onde um carro em alta velocidade me atingiu me jogando no chão, a moto rolou longe, parou a aproximadamente 30 metros de distância de onde eu estava. Enquanto a moto "voava" a única coisa que pensava era: matei meu filho. Ao cair no chão, por um milagre de Deus, viva e consciente, a única coisa que pedia era para salvar meu filho. Chegando ao hospital, toda ralada, com corte na cabeça e o lado direito do corpo paralisado, eu só queria saber se meu filho também havia resistido. Ao fazer a ultrassom e ouvir os batimentos dele(a) ali eu só orei a Deus, agradecendo o milagre. Nem a  placenta descolou, colo do útero permaneceu fechado. Estou vivendo um momento bastante delicado, com muita dor, andando de andador, não conseguindo dormir, mas o milagre da vida que suportou uma pancada violenta cresce dentro de mim, com diabetes, hipos, hiper e amor.


Deus é bom! E eu estou aqui fazendo a minha parte.

Eu venci! Perdi um filho e tive outras três lindas crianças

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Olá! Sou Débora, 31 anos, vendedora e tenho Diabetes Tipo I há 24 anos.

Na minha infância, minha mãe notou que tinha algo errado quando me viu perdendo muito peso, com umas manchas roxas abaixo dos olhos e urinando muito. Lembro-me perfeitamente do dia em que meus pais receberam o diagnóstico. Eles choraram muito e ficaram bem surpresos.Sem entender nada sobre a doença, se sentiram perdidos. Como eu era muito novinha, não entendi muito bem o que estava acontecendo. Mas logo me levaram rapidamente a um endócrino muito bom e  ele foi nos orientando pouco a pouco.

No começo foi bem difícil, eu era uma criança  que gostava muito de doces e por várias vezes comia escondido deles. A adaptação à  doença foi bem dolorosa.  Tive que ser internada por diversas vezes. Mas ao longo do tempo eles foram conhecendo a melhor forma de me orientar e ajudar.  Depois foi tudo muito tranquilo.  Eles me ajudavam muito com a dieta, com exercícios diários, tudo pra eu ter uma vida tranquila.Fiz tratamento por planos de saúde e pelo SUS para receber tudo que precisava insulina, seringas, fitas de glicose e tudo mais o que precisasse.

Comecei o tratamento usando as insulinas Regular e NPH, passei muitos anos com elas. Hoje em dia tomo Levemir  e Novorapid (caneta).

Ao longo desse tempo fui internada algumas vezes devido ao descontrole glicêmico.  Já tive diversas infecções urinárias por conta desse descontrole, as descompensações glicêmicas tendem a me dar infecções urinárias, sou bem suscetível a isso.

Cheguei à adolescência tive algumas crises rebeldes e assim segui com o diabetes.

Até que conheci um rapaz que se mostrou ser o homem da minha vida... Sabem como é né? A gente se apaixona, o rapaz mostra ter atributos que a gente julga importante em um homem, aparentemente entendeu bem o diabetes, me senti realizada com tudo aquilo que estava acontecendo. Aos 19 anos me casei, e depois de um ano de casados, decidimos ter um bebê, o planejamos e engravidei. Este planejamento que menciono, na época foi uma tentativa de ver se eu poderia ser mãe, pois sempre escutei que jamais o seria, então resolvi tentar, não era um planejamento como hoje sei ser o correto.

Após o casamento, comecei a ver que o homem que eu havia casado, não era quem eu imaginava... Não se preocupava com a gestação, com exames, consultas, nada referente à nossa saúde (minha e do bebe), talvez ele apenas quisesse concretizar o sonho da paternidade por alguma forma de machismo.

Era minha mãe que sempre estava ali comigo, me dando todo o apoio e acompanhando em consultas. Mesmo diante destas circunstâncias, foram dias alegres para mim, eu podia ser mãe e o meu filho me bastava. Porém por problemas de alcoolismo, as turbulências em nosso casamento passaram a influenciar ainda mais em nossas vidas, ele bebia muito, algumas vezes sumia, mostrava-se violento e passei a ter muitas hipers por estresse, além das comuns do período gestacional, o diabetes descompensou muito e passei a ter sucessivas infecções urinárias.

Dentro de mim algumas vezes o odiava por fazer de um momento tão importante para o casal, um inferno em minha vida. Será que ele não entendia que precisávamos de paz? Será que ele não teria o mínimo de responsabilidade?

Foi quando ao fazermos os exames com nove meses de gestação descobrimos que o coração do bebê havia parado de funcionar, meu bebê faleceu dentro da minha barriga aos nove meses de gestação (natimorto). Foram os piores dias da minha vida.Tive que fazer uma cesárea para tê-lo, Samuel nasceu com 3.250kg e 47 cm. Foi uma sensação horrível pegar meu filho morto nos braços, quase não o larguei e ficava imaginando o quanto aquilo poderia ter sido diferente. Inúmeras hiperglicemias, estresse, nervoso, infecções urinárias, medos e etc. etc. e tal...·. Precisei de um resguardo sem ao menos ter meu filho comigo! Quanta dor!
Na época eu não tinha nenhuma experiência  e não procurei um obstetra de alto risco como era preciso. Ninguém me orientou a fazer isso... Fui acompanhada como qualquer gestante seria.  Talvez se eu tivesse sido devidamente instruída; Talvez se ele tivesse sido pai e esposo; Talvez senão tivesse o diabetes... São tantos talvez... Foi naquele momento que aprendi sobre ser forte mesmo quando as condições não são propícias.

Passei o resguardo do Samuel sendo cuidada por meus pais... O pai dele pouco se importava... Nada no meu casamento mudava, mas dentro de mim ainda existia uma esperança de que meu esposo pudesse mudar, que ele me veria como a esposa que era, e, que juntos pudéssemos reconstruir nossa família.

Depois da perda do nosso primeiro filho, um ano e meio depois, nos planejamos e novamente engravidei, foi uma gestação planejada e  muito bem acompanhada. Precisei ficar internada para melhor controlar o diabetes, os médicos resolveram se precaver e se ater bem a esta gestação.

Assim como na primeira gestação, eu continuava sendo atendida pelo plano de saúde, mas agora pela equipe de alto risco. A rotina era exames, nutricionista, endócrino e obstetra, mudanças alimentares conforme idade gestacional, mudanças nas dosagens de insulina e quando as glicemias fugiam um pouco do esperado, era internada para melhor averiguar. Fui muito bem assistida, minha equipe dialogava entre si e mesmo diante as internações e consultas, conseguimos organizar tudo para receber o João Pedro em casa. Medo e insegurança a gente acaba tendo dentro de si, mesmo sendo assistida por uma equipe fabulosa, eu já havia perdido um bebê e não queria que nada de ruim ocorresse com meu segundo. Um misto de sentimentos me rondava, é inexplicável!

Infelizmente mesmo sendo bem acompanhada, meu casamento ia de mal a pior, ele não se importava conosco, me dava muito trabalho, bebendo exageradamente, sumindo pelo mundo a fora e com agressividade... Ai de mim se não fosse minha mãe em nossas vidas!

Pensem na minha agonia, ter perdido um filho, outro prestes a nascer, o diabetes, estar grávida, mas um monte de coisas acontecendo ao mesmo tempo e ter que lidar com um homem que agia como ele... A gente vai protelando uma possível separação, pensando que a pessoa vai mudar pelo menos quando o filho nascer, que vai rever conceitos... Eu me apoiava nos momentos de lucidez dele, que se mostrava uma boa pessoa, então vamos acreditando e nos enganando.

Até que com a cesárea agendada, João Pedro veio ao mundo no dia 15/01/08 com 36 semanas, 2.810kg e 48 cm, deixando meu mundo ainda mais alegre. João recebeu alta primeiro que eu, falei muito no parto, por isso tive muitas dores, então decidiram me manter mais um dia no hospital para avaliarem as dores.

De três meses a quatro meses após o parto do João Pedro, fiquei grávida do João Gabriel, não havíamos nos planejado de jeito nenhum, mas ficamos muito felizes por sermos pais novamente. Foi uma gravidez um pouco mais complicada se comparada a do João Pedro, além de agora eu já ter um filho e responsabilidades com ele, meus pais me ajudaram muito neste processo.

E o casamento? Nada de mudar!

Nem o filho em casa e o segundo prestes a vir mudaram a postura do pai, a cada dia ele bebia mais, se tornava ainda mais agressivo e sumia no mundo, ficava preocupada de como ele poderia estar, vendo nele uma pessoa cheia de potencial, mas que estava prostrada naquela situação, se afundando e nos levando junto.

Pensem nas vezes de eu grávida, com um bebê no colo, preocupada com ele... Mas meus pais estavam sempre lá me apoiando, sem julgamentos...

Às vezes a gente pensa que a mulher não se separa de um cara assim, pois gosta da situação... Mas a pergunta é: Quem gosta de sofrer? Ninguém! Mas as falas do companheiro, o que ainda sentimos por ele, que se mistura também com dó, vai nos prendendo, junta com a ideia de família perfeita é que se tem pai, mãe e filhos... Daí pronto... O tempo simplesmente vai passando.

Conforme a gestação do João Gabriel foi avançando, minha glicemia descompensou muito, precisei ser internada para melhor controlar o diabetes, estava ficando muito cansada e meu físico já estava sentindo muito pela gestação. Contando com um possível parto prematuro os médicos me deram injeções de corticoide a fim de amadurecer os pulmões do Gabriel para o caso de um parto de urgência, porém mesmo com as injeções, os pulmões dele não amadureceram a tempo, e, assim com 34 semanas, ele nasceu com 2.950kg e 47 cm, parto cesárea e precisou ir para a UTI Neonatal ficando lá por 20 dias.
João Gabriel foi amamentado normalmente, sem problemas.

Em momentos de lucidez o pai dos meninos mostrava-se uma pessoa mais sociável, o que o fazia esporadicamente pegar os filhos, mostrar alguma afeição por nós, mas quem nos cuidou de verdade foram meus pais e meus empregos, sempre fui batalhadora, nunca me prostrei, mesmo diante das adversidades e complicações gestacionais, eu trabalhava como vendedora a fim de garantir algo aos meus filhos.

Quando João Pedro completou três anos e João Gabriel fez dois anos conversei com meus pais, precisava de apoio para sair de casa, meu casamento estava insustentável, eu havia tentado, mas remava contra a maré, precisava sair daquela situação por nossas vidas. Meus pais me a apoiaram e fomos morar com eles... Nossas vidas mudaram radicalmente, em paz, sem gritos, preocupações, bebidas ou agressões, ele raramente aparecia para saber dos filhos e eu nem me importava com aquilo, só queria paz. Nunca falei mal do pai para eles, acho que não precisam disso, inconscientemente e até presencialmente já sabiam e sofreram muito.

Minha vida continuava, me tratando, aplicando insulina, medindo e etc. Além de agora ter dois filhos e responsabilidades com eles, mas tendo pais maravilhosos que me ajudavam muito.

Aos 24 anos quando trabalhava em um shopping conheci meu atual marido, ele me convidou para lancharmos e foi lá o nosso primeiro encontro. Lembrou-me como hoje, que logo de cara ele soube do diabetes, pois ao pedir um refrigerante normal para mim, o neguei dizendo-lhe ser diabética, ele ficou curioso querendo saber um pouco mais sobre a doença, lhe expliquei, e, assim progressivamente ao longo do nosso relacionamento ele foi se informando e aprendendo sobre o diabetes.

Conhecendo- o mais de perto fui me apaixonando e tentando ver se ele era tudo o que parecia ser, afinal, eu já havia me enganado uma vez e não queria passar por tudo aquilo de novo, ainda mais agora com dois filhos.

Mas meu esposo foi se mostrando um ser humano incrível, que tratava meus filhos com amor e respeito, isso eles não tiveram do próprio pai. Decidimos nos casar, a relação entre ele e os meninos é incrível, eles passaram a chamá-lo de pai, de forma natural, sem ninguém pedir ou estimular. O pai de sangue esporadicamente os procura, quando isso ocorre, eles o evita, por mais que eu converse, eles se negam a falar com o pai, não forço, quando acharem que é o momento o farão sem pressão.


Finalmente eu me sentia em paz, em um relacionamento de respeito, amor, carinho, afeição, compreensão e interação com a minha doença e mais ainda que deu aos meus filhos tudo o que mais queriam, um pai presente.


 Pelo tipo de trabalho do meu marido, passamos a morar em diversos locais diferentes, conforme escala do serviço vamos para estados e cidades diferentes.  Isso dificulta um pouco no meu relacionamento com equipe médica, não consigo criar vínculos com meus médicos. Atualmente me trato no Hospital Naval de Natal, pois meu esposo é militar e fomos transferidos para esta cidade.  É  sempre assim, equipes novas em cada lugar que vou. Tem cidades que tenho todo um acompanhamento em Centro de Diabetes, e recebo tudo que preciso, mas em outras cidades isso não ocorre. Os trâmites legais para que eu possa receber meus insumos se diferem entre um local e outro, uns logo liberam, outros não, tendo eu que comprar tudo o que necessito para me tratar, atualmente, por exemplo, não recebo nada nem pelo estado e nem pela prefeitura.

Os anos se seguiram, meu esposo indo comigo a cada consulta, exame, se interando sobre o diabetes, minha saúde e nos proporcionando uma vida maravilhosa.

Achamos que era o momento de termos um filho nosso, mas passei um bom tempo tentando e nada de engravidar. Foi então que o famoso POSITIVO veio, ficamos muito felizes, nesta época residíamos no Rio de Janeiro e fiz todo o pré-natal no Hospital Naval do Rio de Janeiro, minha sogra foi um anjo em minha vida, me ajudou muito neste período. Eu era atendida pelo meu medico no SUS e no plano particular, assim ele teria mais tempo na agenda para nos ver. Precisei ser internada algumas vezes, a glicemia descompensou muito, era assídua em meu tratamento, porém até mesmo no hospital era notória a dificuldade de conseguirem manter as glicemias boas. Foi então que em uma manhã no hospital, levantei com a glicemia HI, acordei para beber água, tive um mal estar e quase desmaiei, me colocaram em uma cadeira de rodas, chamaram a junta médica e decidiram fazer uma cesárea de emergência. Há mais de uma semana eu vinha apresentando sucessivas hiperglicemias, não sabíamos como que aquilo poderia refletir na bebê.

No dia 07/03/15, Melissa veio ao mundo, sem complicações, logo veio para o quarto comigo. Nasceu com 34 semanas, 47 cms e  1.800kg. Para que alcançasse o peso necessário para poder receber alta, ficamos uns dias a mais no hospital, onde ela precisou tomar fórmula para ganhar peso. Oito anos após minha terceira gestação Melissa veio ao mundo.



A amamentei sem dificuldades, claro que neste período as glicemias variaram, mas o endócrino ia mexendo nas doses e assim fizemos deste momento o mais mágico de nossas vidas.

Nossa família está completa com três filhos. Nos sentimos inteiros e satisfeitos assim como nossa família é. Desta forma, meu marido fará vasectomia.

A vida não tem sido fácil, ser mãe, esposa,dona de casa ,trabalhar e ter diabetes dá um trabalhão. Mas a gente vai adaptando aqui, ali, mexendo lá,cá e vai se virando, tudo vai se encaixando quando há amor, mesmo que as coisas não saiam como de fato queiramos, elas encaixam, então não vale o estresse de querer perfeição.


Espero de verdade pode ajuda-las com minha história, ela não é perfeita, tem trechos de muita dor, mas a dor nos ensina, nos ensina sobre a vida e sobre nós mesmos.

Todo o dia tenho orgulho da pessoa que vejo no espelho e repito a ela mesma: “Você é forte, você pode e se cuide! Você tem uma família linda que precisa de você bem aqui.”

E você? O que vê no espelho? O que diria a esta pessoa aí?

GRATIDÃO me define!


Tenho Diabetes Tipo I desde 1 ano de idade, tenho uma filha e agora estou grávida pela segunda vez

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Olá!

Meu nome é Priscila, tenho 24 anos e há 23 anos tenho Diabetes Tipo I, casada há seis anos e sou mãe da Maria Eduarda e agora da Antonella. Trabalho como cabeleireira. Faço uso das insulinas (caneta) Lantus e Lispro. Tomo também o remédio Puran t4, para hipotireoidismo. Graças a Deus não tenho complicações referentes ao Diabetes.

Não lembro minha vida sem o diabetes, desde sempre tenho diabetes. Quando minha família recebeu o diagnóstico eu tinha 1 ano e 04 meses. No início foi muito difícil para eles, acredito que ter um bebe com uma doença que exige todos os cuidados que o diabetes exige, não é fácil, porém com o tempo foram se habituando e me deram todo o respaldo necessário.

Quando entrei na adolescência, passei por uma fase rebelde. Parei de tomar insulina, e comia de tudo. Resultou em uma cetoacidose diabética com internação de 10 dias, o que me fez repensar algumas coisas, mudei de postura, passei a ser mais responsável com meu tratamento.

Os anos foram passando e Graças a Deus encontrei uma boa médica, a Dra Patrícia Goes que levou todo o meu histórico de vida em consideração e replanejou muitas coisas em meu tratamento o que me fez sair de uma glicada de 14% para 7,4%.  Por ser cabeleireira e às vezes estar na correria do salão, tive muita dificuldade em conciliar as medições, alimentação e insulina, mas fomos encontrando um ponto de equilíbrio, que pode ainda oscilar.

Agradeço a família que tenho por sempre me apoiarem em tudo em relação ao tratamento, principalmente no quesito alimentação, que sempre foi o difícil para mim. Passei pela fase de esconder o diabetes, não por vergonha, mas pelas inúmeras explicações que tinha que dar a respeito do DM e pelas coisas que escutava, por isso resolvi me cuidar, mas no silêncio, foi nesta fase que conheci meu marido. Ele começou a se relacionar comigo sem saber do diabetes, até que tive uma hipo e ele acabou sabendo, compreendeu a doença e assim casamos.

Com o casamento, quis procurar uma médica para saber se era tranquilo ter filhos. E para minha surpresa, essa médica me aterrorizou, dizendo que se eu conseguisse engravidar podia vir um bebê mal formado ou eu poderia ter aborto espontâneo. Mas com a ajuda de Deus, encontrei outras médicas que me encorajaram, engravidei e tive uma gravidez super tranquila, e um controle ótimo!

Meu pré-natal foi na rede privada. No início da gestação, como era tudo muito novo, tive muitas hipoglicemias, e em uma delas ate fiquei desacordada. Pois não sabia que tinha que ter os horários sempre muito certinhos para comer e monitorar a glicemia.

Fazia exames de sangue e ultrassom todos os meses, no final da gravidez, cheguei a fazer ultrassom toda semana.
 
Gestação da Maria Eduarda
 E assim no dia 09/10/2014, Maria Eduarda bebê nasceu com 36 semanas (prematura), parto cesárea, 48 cm e 3.180kgs. Minha médica decidiu fazer o parto, pois a bebe havia enrolado o cordão umbilical no pescoço e estava macrossômica (muito grande para a idade gestacional). Ela não precisou ficar internada, veio embora junto comigo.

A Amamentei até 1 ano e 02 meses. Consegui emagrecer muito bem no período pós-gestacional, ela mamou muito e isso ajudou. Mas quando terminou o período de amamentação, engordei 8kgs e descobri que tinha ovários policísticos. Começamos a tratar, e em 6 meses de tratamento, em um ultrassom de rotina para vermos o cisto, descobri que estou grávida novamente.
 
Maria Eduarda anuncia a chegada da Antonella


Não foi programado, mas estamos muito felizes e ansiosos para sabermos o sexo do bebê (acreditamos que seja uma menina, por isso já a chamamos de Antonella), Maria Eduarda tem 3 anos e a idade entre um e outro é muito boa.

O controle do diabetes nesta segunda gestação está muito bom, antes mesmo de saber da gravidez estava em uma reeducação alimentar para perda de peso o que estava me ajudando nos controles.

 Às vezes ficamos um pouco exaustas por ter que conciliar tudo junto, casa, trabalho, filhos, marido e diabetes.

Mas a conclusão é que sou muito feliz por ter minha família!

Beijos

João Lucas:A estrelinha mais linda do céu - Benjamin: A planta mais linda da terra.

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Hoje resolvi contar minha história!

Meu nome é Juliana, tenho 30 anos, sou casada há 5 anos e tenho Diabetes Tipo I desde os 24 anos de idade. Uso insulina NPH de caneta.

Descobri o diabetes em exames de rotina, a glicemia em jejum deu 200 mg/dl e não tive os sintomas clássicos da doença. Iniciei o tratamento com medicamentos orais e depois mudamos para a Insulina NPH. Não tive dificuldades em aceitar a doença, passei a ter os cuidados necessários visando ter qualidade de vida e assim consegui ter e manter sempre uma boa glicada. Talvez o que eu pudesse ter feito assiduamente eram as atividades físicas, o que passei a fazer com mais frequência no período gestacional.

O sonho de nos tornarmos pais bateu em nossa porta, foi então que em 2014 resolvemos ficar ‘’grávidos”.

Não fui bem orientada pelo endócrino da época, o mesmo me desestimulou dizendo que era perigoso e que talvez não daria certo... Resolvemos tentar, afinal era comprometida com o tratamento, parei de tomar anticoncepcional e logo engravidei.

No dia 12 de junho,dia dos namorados e  início da copa do mundo, o país estava em festa e lá fomos nós para o primeiro ultrassom morfológico. Quanta felicidade! Estávamos radiantes.

Em êxtase perguntei ao médico durante o exame:

- Doutor já dá para saber o sexo?

E com um tom de voz seco o médico respondeu:

- Calma Juliana eu ainda não terminei o exame!

Senti que algo estava errado. Quando ele terminou me disse:

-Infelizmente seu bebê não está bem. Você não tem "nada" de líquido aminiótico e eu nem consigo ver a bexiga do seu bebe. A situação é grave.

Nosso mundo desabou, enquanto o pais comemoravam a alegria de ter um filho em meio a euforia da copa do mundo, nós não tínhamos nada a festejar. Ficamos sem chão. Fomos encaminhados para a medicina fetal. Com a ajuda da família fui nos 2 médicos mais renomados da medicina fetal de São Paulo e infelizmente a noticia era a mesma:

-Seu bebe não vai sobreviver após o parto, pois os rins dele não funcionam. Meu ginecologista dizia que era uma má formação devido ao diabetes, mas os médicos da medicina fetal disseram que não, que foi uma fatalidade.

Vivi a minha gestação com uma sensação de luto, mas mesmo assim conversei muito com meu pequeno, acariciei a barriga, tirei fotos... O amei com uma intensidade sem fim.
Gestação do João Lucas

Com 32 semanas entrei em trabalho de parto. Cheguei no hospital com 9 cm de dilatação e então nasceu meu lindo anjo João Lucas de parto normal, no dia 09/10/2014, 1.520kgs e 41 cm.  

Ele viveu por 12 horas, cumpriu sua missão e foi brilhar sua estrelinha lá no céu. Sofremos, afinal, havíamos perdido um filho, mas não desistimos de nos tornarmos pais.

Mudei de endócrino, controlei ainda mais o diabetes, melhorei na alimentação, passei a fazer atividade física, tomei acído fólico e depois de 8 meses após o parto engravidei novamente.

Passei a me exercitar afim de me ajudar nos controles glicêmicos, com 3 meses de gestação entrei na hidroginástica, acompanhava o pré-natal de 15 em 15 dias e graças a Deus tudo foi se desenvolvendo muito bem.

O último ultrassom  acusou um pequeno aumento no líquido aminiotico,para nos precavermos e evitarmos uma possível e significativa descompensação do diabetes, marcamos a cesárea.

Gestação do Benjamin

E assim, com as bênçãos de Deus, no dia com 38 semanas e 4 dias, no dia 09/03/2016, com 3.625 kg e 49 cm, sem nenhuma intercorrência, nasceu Benjamin de parto cesárea e foi direto para o quarto com a mamãe.

Tive uma ótima recuperação no pós-parto e o amamento até hoje, ou seja, há com 1 ano e 7 meses. Senti muitas dores ao amamentar por exatamente 1 mês, mas passou e hoje curto com prazer este momento.

Não tive dificuldades de voltar ao meu peso anterior. Ser mãe é uma delícia! Claro, os cuidados com o tratamento não são tão precisos como antes, a gente volta a nossa atenção ao bebê, as nossas responsabilidades com casa, esposo e afins, o  diabetes não ganha o mesmo holofote que antes, porém não estou sem me cuidar, continuo me tratando pois sei  mais do que nunca que necessito estar bem para cuidar do meu filho.

Amigas DM1, nunca desistam do sonho de ser mãe, mesmo quando tudo conspira contra!
Se informem, se esforcem, cuidem da dieta, façam atividade física, procurem médicos que lhes passem segurança. Todo esforço vale a pena!!!


Amo muito meus meninos! 
João Lucas – 09/10/2014 – A estrelinha mais linda do céu 
Benjamin – 09/03/2016 – A planta mais linda da terra.

Nossa família

O médico me disse NÃO, eu me cuidei e disse SIM!

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Olá Kath!

Há algum tempo me planejo pra te enviar esse email,  mas nunca consigo.

Hoje, maridão saiu e filhota já esta dormindo, daí resolvi te escrever.

Em primeiro lugar gostaria de agradecer pela existência do teu blog. Menina de Deus, li praticamente todos os depoimentos que tem lá. Além de te seguir nas redes sociais. Isso ajuda e encoraja muitas pessoas! Continue com este trabalho, por favor.

Vamos lá...

Sou Milene, trabalho como telefonista, tenho 31 anos e moro no sul do Brasil. Em 2014, aos 28 anos, fui diagnostica com diabetes tendo os sintomas clássicos... Perdi rapidamente seis quilos, passei a ter uma canseira desgraçada e tomar muita água. Fui orientada a fazer uma bateria de exames para verificar o que estava acontecendo. Quando os resultados dos exames saíram, a farmacêutica do laboratório me disse:

-Vem aqui, pegar os teus exames e vai hoje mesmo ao medico.

Justamente no dia 14 de novembro (Dia Mundial do Diabetes), estava no consultório mostrando ao médico (clinico geral) minha bateria de exames, incluindo a glicemia que estava em 400mg/DL e glicada em 12.6%.

O médico me disse que tratava-se de Diabetes Tipo II. No anseio da informação e preocupada com a maternidade, perguntei ao médico sobre gravidez. Ele foi categórico:

- Será uma gravidez de risco, aliás alto risco. Se posso de te dar um conselho, lhe digo: Acho que nem deveria tentar!

Sai do consultório com minha mãe, as duas aos prantos. Logo depois nos acalmamos e seguimos. Meu marido foi me buscar (estamos juntos há 11 anos, mas quando recebi a notícia, tínhamos 9 anos de relacionamento), não deixei ele nem perguntar nada, apenas e falei:

- Se tu quiser se separar de mim vou entender, mas não vou poder te dar um filho.

E desabei no choro!

Ele carinhosamente me abraçou e disse:

-As coisas não são assim, vamos ouvir outro médico, e, se a gente não poder ter filhos, a gente não tem.

Confesso que foi uma luta me adaptar a rotina de uma pessoa com diabetes, me deram informações de como me cuidar e assim segui. Comecei a me exercitar, comer produtos lights e diets e perdendo mais quatro quilos, somando-se 10 no total de peso perdido, 6 foram no início quando descobri o diabetes e 4 levando uma vida bem regrada logo no início da descoberta do DM.

 Em meu coração não havia desistido de ser mãe, e foi aí que certo dia pesquisando na internet me deparo com teu blog... Meu Deus! Uma luz no fim do túnel!

Aqueles depoimentos me deram uma injeção de ânimo. Posso ser mãe também ué! É possível com cuidados, se aquelas mulheres conseguiram...Eu também posso!

Resolvi depois de 6 meses procurar uma endocrinologista muito conceituada na cidade de Pelotas/ RS, embora eu tenha plano de saúde, a médica que busquei atendia apenas particular. Sendo assim, passo com ela no particular, acho que vale muito a pena, mesmo sendo bem distante da minha casa. Moro em Pinheiro Machado que fica a 110 km de Pelotas.Pensa na lonjura!rs

Em consulta, ela me fez perguntas olhou os exames e disse:

-Vou te pedir um exame que tu ainda não fez,  mas tenho quase certeza que tua diabetes é tipo 1. Dito e feito. Na verdade é LADA ou 1.5.

Depois que descobrimos meu tipo de diabetes, passamos a fazer o tratamento correto, passei a usar NPH (a retiro na farmácia popular) e a aplico com seringa.

Usar insulina, para mim foi melhor que os remédios, pois meu estômago doía muito com os medicamentos orais. Este tratamento somou-se a minha disciplina e a ajuda da minha família e amigos, o que foi uma parceria perfeita para meus bons controles deste então.

Em dezembro de 2015, minha endocrinologista me pediu uma série de exames e como os resultados em mãos (glicada em 6% e glicemia em jejum 80 mg/DL) ela foi enfática:

-De acordo com teus exames tu estas pronta pra engravidar!

Era tudo o que eu precisava escutar, nos programamos e no mês seguinte fiquei grávida, descobrimos a gestação em março de 2016.

Com a notícia em mãos, voltei na médica que me indicou uma obstetra maravilhosa, especialista em alto risco, eu fui a segunda paciente dela com diabetes.

Minha glicada estava 5,7% quando engravidei. Iniciou-se uma rotina regada de dedicação, cuidados físicos, alimentares e com alguns pormenores, mas para mim tudo valia a pena, estava concretizando o nosso sonho.

Media a glicemia 9 vezes por dia, anotava tudo e mandava por email pra endocrina a três dias ,e, assim ela me instruía junto a obstetra.

Sonhávamos em termos uma menina, desde sempre ela tinha nome, seria VALENTINA, somos uma família de mulheres, irmãs, sobrinhas e afilhadas. Pensem em um mundo totalmente cor de rosa por aqui rs.

Quando estava com 12 semanas descobrimos o sexo, era uma MENINA, e assim herdamos muitas coisas da meninas da família, acessórios e roupinhas e afins. Valentina estava a caminho.

Eu já escolhido o tipo de parto, queria que ela nascesse de uma cesárea, mesmo podendo ter normal, isso estava dentro de mim muito antes de me tornar diabética e minha médica respeitou minha decisão.



Tudo correu muito bem durante a gravidez, é claro que o medo e o receio sempre nos sonda, a cada ultrassom, ecocardiograma fetal e exames próprios gestacionais, eu não dormia, ficava ansiosa, com friozinho na barriga, com medo de alguma má notícia, os bons resultados dos exames eram um alívio para mim porque estava sempre tudo muito bem.

Com 37 e 4 dias entrei em trabalho de parto, mas como disse anteriormente, por opção, quis tê-la de parto cesárea.

Entrei na sala de parto com a glicemia em 104 mg/Dl. Minha filha nasceu com 46,5 cm e 3.615kg. Teve hipo logo que nasceu, mas foi controlada, não precisou ir para UTI. Saímos do hospital em dois dias. Tirei os pontos no 7 dias, cicatrização excelente.

Meu leite desceu em grande quantidade após dois dias do nascimento dela e a amamento até hoje, ela tem 1 ano e 1 mês e ainda mama no meu peito.


Engordei 14 quilos durante a gestação, de 60 quilos fui para 74 e com 11 dias após o nascimento da bebê, eu já havia voltado ao meu peso inicial,não tive dificuldades em perder peso e nem os ganhei no pós-parto.

É mais difícil se cuidar depois que o bebe nasce, fato, porém minha família me ajuda muito, cuidam dela se eu preciso me cuidar e me respaldam para que ambas sejam assistidas em suas necessidades. Isso por aqui, faz uma grande diferença.

Não tenho palavras pra agradecer a Deus. E mais uma vez saliento a importância do teu trabalho. Talvez eu tivesse desistido se não fosse o teu e o depoimento de tantas mamães diabéticas. Muito obrigada!

Estamos tão seguros que é possível ser mãe tendo diabetes, que em breve queremos dar um irmãozinho para a Valentina.


E em breve vamos tentar um maninho pra Valen. Seja o que Deus quiser. Beijos