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Tenho Diabetes Tipo I desde 1 ano de idade, tenho uma filha e agora estou grávida pela segunda vez

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Olá!

Meu nome é Priscila, tenho 24 anos e há 23 anos tenho Diabetes Tipo I, casada há seis anos e sou mãe da Maria Eduarda e agora da Antonella. Trabalho como cabeleireira. Faço uso das insulinas (caneta) Lantus e Lispro. Tomo também o remédio Puran t4, para hipotireoidismo. Graças a Deus não tenho complicações referentes ao Diabetes.

Não lembro minha vida sem o diabetes, desde sempre tenho diabetes. Quando minha família recebeu o diagnóstico eu tinha 1 ano e 04 meses. No início foi muito difícil para eles, acredito que ter um bebe com uma doença que exige todos os cuidados que o diabetes exige, não é fácil, porém com o tempo foram se habituando e me deram todo o respaldo necessário.

Quando entrei na adolescência, passei por uma fase rebelde. Parei de tomar insulina, e comia de tudo. Resultou em uma cetoacidose diabética com internação de 10 dias, o que me fez repensar algumas coisas, mudei de postura, passei a ser mais responsável com meu tratamento.

Os anos foram passando e Graças a Deus encontrei uma boa médica, a Dra Patrícia Goes que levou todo o meu histórico de vida em consideração e replanejou muitas coisas em meu tratamento o que me fez sair de uma glicada de 14% para 7,4%.  Por ser cabeleireira e às vezes estar na correria do salão, tive muita dificuldade em conciliar as medições, alimentação e insulina, mas fomos encontrando um ponto de equilíbrio, que pode ainda oscilar.

Agradeço a família que tenho por sempre me apoiarem em tudo em relação ao tratamento, principalmente no quesito alimentação, que sempre foi o difícil para mim. Passei pela fase de esconder o diabetes, não por vergonha, mas pelas inúmeras explicações que tinha que dar a respeito do DM e pelas coisas que escutava, por isso resolvi me cuidar, mas no silêncio, foi nesta fase que conheci meu marido. Ele começou a se relacionar comigo sem saber do diabetes, até que tive uma hipo e ele acabou sabendo, compreendeu a doença e assim casamos.

Com o casamento, quis procurar uma médica para saber se era tranquilo ter filhos. E para minha surpresa, essa médica me aterrorizou, dizendo que se eu conseguisse engravidar podia vir um bebê mal formado ou eu poderia ter aborto espontâneo. Mas com a ajuda de Deus, encontrei outras médicas que me encorajaram, engravidei e tive uma gravidez super tranquila, e um controle ótimo!

Meu pré-natal foi na rede privada. No início da gestação, como era tudo muito novo, tive muitas hipoglicemias, e em uma delas ate fiquei desacordada. Pois não sabia que tinha que ter os horários sempre muito certinhos para comer e monitorar a glicemia.

Fazia exames de sangue e ultrassom todos os meses, no final da gravidez, cheguei a fazer ultrassom toda semana.
 
Gestação da Maria Eduarda
 E assim no dia 09/10/2014, Maria Eduarda bebê nasceu com 36 semanas (prematura), parto cesárea, 48 cm e 3.180kgs. Minha médica decidiu fazer o parto, pois a bebe havia enrolado o cordão umbilical no pescoço e estava macrossômica (muito grande para a idade gestacional). Ela não precisou ficar internada, veio embora junto comigo.

A Amamentei até 1 ano e 02 meses. Consegui emagrecer muito bem no período pós-gestacional, ela mamou muito e isso ajudou. Mas quando terminou o período de amamentação, engordei 8kgs e descobri que tinha ovários policísticos. Começamos a tratar, e em 6 meses de tratamento, em um ultrassom de rotina para vermos o cisto, descobri que estou grávida novamente.
 
Maria Eduarda anuncia a chegada da Antonella


Não foi programado, mas estamos muito felizes e ansiosos para sabermos o sexo do bebê (acreditamos que seja uma menina, por isso já a chamamos de Antonella), Maria Eduarda tem 3 anos e a idade entre um e outro é muito boa.

O controle do diabetes nesta segunda gestação está muito bom, antes mesmo de saber da gravidez estava em uma reeducação alimentar para perda de peso o que estava me ajudando nos controles.

 Às vezes ficamos um pouco exaustas por ter que conciliar tudo junto, casa, trabalho, filhos, marido e diabetes.

Mas a conclusão é que sou muito feliz por ter minha família!

Beijos

João Lucas:A estrelinha mais linda do céu - Benjamin: A planta mais linda da terra.

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Hoje resolvi contar minha história!

Meu nome é Juliana, tenho 30 anos, sou casada há 5 anos e tenho Diabetes Tipo I desde os 24 anos de idade. Uso insulina NPH de caneta.

Descobri o diabetes em exames de rotina, a glicemia em jejum deu 200 mg/dl e não tive os sintomas clássicos da doença. Iniciei o tratamento com medicamentos orais e depois mudamos para a Insulina NPH. Não tive dificuldades em aceitar a doença, passei a ter os cuidados necessários visando ter qualidade de vida e assim consegui ter e manter sempre uma boa glicada. Talvez o que eu pudesse ter feito assiduamente eram as atividades físicas, o que passei a fazer com mais frequência no período gestacional.

O sonho de nos tornarmos pais bateu em nossa porta, foi então que em 2014 resolvemos ficar ‘’grávidos”.

Não fui bem orientada pelo endócrino da época, o mesmo me desestimulou dizendo que era perigoso e que talvez não daria certo... Resolvemos tentar, afinal era comprometida com o tratamento, parei de tomar anticoncepcional e logo engravidei.

No dia 12 de junho,dia dos namorados e  início da copa do mundo, o país estava em festa e lá fomos nós para o primeiro ultrassom morfológico. Quanta felicidade! Estávamos radiantes.

Em êxtase perguntei ao médico durante o exame:

- Doutor já dá para saber o sexo?

E com um tom de voz seco o médico respondeu:

- Calma Juliana eu ainda não terminei o exame!

Senti que algo estava errado. Quando ele terminou me disse:

-Infelizmente seu bebê não está bem. Você não tem "nada" de líquido aminiótico e eu nem consigo ver a bexiga do seu bebe. A situação é grave.

Nosso mundo desabou, enquanto o pais comemoravam a alegria de ter um filho em meio a euforia da copa do mundo, nós não tínhamos nada a festejar. Ficamos sem chão. Fomos encaminhados para a medicina fetal. Com a ajuda da família fui nos 2 médicos mais renomados da medicina fetal de São Paulo e infelizmente a noticia era a mesma:

-Seu bebe não vai sobreviver após o parto, pois os rins dele não funcionam. Meu ginecologista dizia que era uma má formação devido ao diabetes, mas os médicos da medicina fetal disseram que não, que foi uma fatalidade.

Vivi a minha gestação com uma sensação de luto, mas mesmo assim conversei muito com meu pequeno, acariciei a barriga, tirei fotos... O amei com uma intensidade sem fim.
Gestação do João Lucas

Com 32 semanas entrei em trabalho de parto. Cheguei no hospital com 9 cm de dilatação e então nasceu meu lindo anjo João Lucas de parto normal, no dia 09/10/2014, 1.520kgs e 41 cm.  

Ele viveu por 12 horas, cumpriu sua missão e foi brilhar sua estrelinha lá no céu. Sofremos, afinal, havíamos perdido um filho, mas não desistimos de nos tornarmos pais.

Mudei de endócrino, controlei ainda mais o diabetes, melhorei na alimentação, passei a fazer atividade física, tomei acído fólico e depois de 8 meses após o parto engravidei novamente.

Passei a me exercitar afim de me ajudar nos controles glicêmicos, com 3 meses de gestação entrei na hidroginástica, acompanhava o pré-natal de 15 em 15 dias e graças a Deus tudo foi se desenvolvendo muito bem.

O último ultrassom  acusou um pequeno aumento no líquido aminiotico,para nos precavermos e evitarmos uma possível e significativa descompensação do diabetes, marcamos a cesárea.

Gestação do Benjamin

E assim, com as bênçãos de Deus, no dia com 38 semanas e 4 dias, no dia 09/03/2016, com 3.625 kg e 49 cm, sem nenhuma intercorrência, nasceu Benjamin de parto cesárea e foi direto para o quarto com a mamãe.

Tive uma ótima recuperação no pós-parto e o amamento até hoje, ou seja, há com 1 ano e 7 meses. Senti muitas dores ao amamentar por exatamente 1 mês, mas passou e hoje curto com prazer este momento.

Não tive dificuldades de voltar ao meu peso anterior. Ser mãe é uma delícia! Claro, os cuidados com o tratamento não são tão precisos como antes, a gente volta a nossa atenção ao bebê, as nossas responsabilidades com casa, esposo e afins, o  diabetes não ganha o mesmo holofote que antes, porém não estou sem me cuidar, continuo me tratando pois sei  mais do que nunca que necessito estar bem para cuidar do meu filho.

Amigas DM1, nunca desistam do sonho de ser mãe, mesmo quando tudo conspira contra!
Se informem, se esforcem, cuidem da dieta, façam atividade física, procurem médicos que lhes passem segurança. Todo esforço vale a pena!!!


Amo muito meus meninos! 
João Lucas – 09/10/2014 – A estrelinha mais linda do céu 
Benjamin – 09/03/2016 – A planta mais linda da terra.

Nossa família

O médico me disse NÃO, eu me cuidei e disse SIM!

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Olá Kath!

Há algum tempo me planejo pra te enviar esse email,  mas nunca consigo.

Hoje, maridão saiu e filhota já esta dormindo, daí resolvi te escrever.

Em primeiro lugar gostaria de agradecer pela existência do teu blog. Menina de Deus, li praticamente todos os depoimentos que tem lá. Além de te seguir nas redes sociais. Isso ajuda e encoraja muitas pessoas! Continue com este trabalho, por favor.

Vamos lá...

Sou Milene, trabalho como telefonista, tenho 31 anos e moro no sul do Brasil. Em 2014, aos 28 anos, fui diagnostica com diabetes tendo os sintomas clássicos... Perdi rapidamente seis quilos, passei a ter uma canseira desgraçada e tomar muita água. Fui orientada a fazer uma bateria de exames para verificar o que estava acontecendo. Quando os resultados dos exames saíram, a farmacêutica do laboratório me disse:

-Vem aqui, pegar os teus exames e vai hoje mesmo ao medico.

Justamente no dia 14 de novembro (Dia Mundial do Diabetes), estava no consultório mostrando ao médico (clinico geral) minha bateria de exames, incluindo a glicemia que estava em 400mg/DL e glicada em 12.6%.

O médico me disse que tratava-se de Diabetes Tipo II. No anseio da informação e preocupada com a maternidade, perguntei ao médico sobre gravidez. Ele foi categórico:

- Será uma gravidez de risco, aliás alto risco. Se posso de te dar um conselho, lhe digo: Acho que nem deveria tentar!

Sai do consultório com minha mãe, as duas aos prantos. Logo depois nos acalmamos e seguimos. Meu marido foi me buscar (estamos juntos há 11 anos, mas quando recebi a notícia, tínhamos 9 anos de relacionamento), não deixei ele nem perguntar nada, apenas e falei:

- Se tu quiser se separar de mim vou entender, mas não vou poder te dar um filho.

E desabei no choro!

Ele carinhosamente me abraçou e disse:

-As coisas não são assim, vamos ouvir outro médico, e, se a gente não poder ter filhos, a gente não tem.

Confesso que foi uma luta me adaptar a rotina de uma pessoa com diabetes, me deram informações de como me cuidar e assim segui. Comecei a me exercitar, comer produtos lights e diets e perdendo mais quatro quilos, somando-se 10 no total de peso perdido, 6 foram no início quando descobri o diabetes e 4 levando uma vida bem regrada logo no início da descoberta do DM.

 Em meu coração não havia desistido de ser mãe, e foi aí que certo dia pesquisando na internet me deparo com teu blog... Meu Deus! Uma luz no fim do túnel!

Aqueles depoimentos me deram uma injeção de ânimo. Posso ser mãe também ué! É possível com cuidados, se aquelas mulheres conseguiram...Eu também posso!

Resolvi depois de 6 meses procurar uma endocrinologista muito conceituada na cidade de Pelotas/ RS, embora eu tenha plano de saúde, a médica que busquei atendia apenas particular. Sendo assim, passo com ela no particular, acho que vale muito a pena, mesmo sendo bem distante da minha casa. Moro em Pinheiro Machado que fica a 110 km de Pelotas.Pensa na lonjura!rs

Em consulta, ela me fez perguntas olhou os exames e disse:

-Vou te pedir um exame que tu ainda não fez,  mas tenho quase certeza que tua diabetes é tipo 1. Dito e feito. Na verdade é LADA ou 1.5.

Depois que descobrimos meu tipo de diabetes, passamos a fazer o tratamento correto, passei a usar NPH (a retiro na farmácia popular) e a aplico com seringa.

Usar insulina, para mim foi melhor que os remédios, pois meu estômago doía muito com os medicamentos orais. Este tratamento somou-se a minha disciplina e a ajuda da minha família e amigos, o que foi uma parceria perfeita para meus bons controles deste então.

Em dezembro de 2015, minha endocrinologista me pediu uma série de exames e como os resultados em mãos (glicada em 6% e glicemia em jejum 80 mg/DL) ela foi enfática:

-De acordo com teus exames tu estas pronta pra engravidar!

Era tudo o que eu precisava escutar, nos programamos e no mês seguinte fiquei grávida, descobrimos a gestação em março de 2016.

Com a notícia em mãos, voltei na médica que me indicou uma obstetra maravilhosa, especialista em alto risco, eu fui a segunda paciente dela com diabetes.

Minha glicada estava 5,7% quando engravidei. Iniciou-se uma rotina regada de dedicação, cuidados físicos, alimentares e com alguns pormenores, mas para mim tudo valia a pena, estava concretizando o nosso sonho.

Media a glicemia 9 vezes por dia, anotava tudo e mandava por email pra endocrina a três dias ,e, assim ela me instruía junto a obstetra.

Sonhávamos em termos uma menina, desde sempre ela tinha nome, seria VALENTINA, somos uma família de mulheres, irmãs, sobrinhas e afilhadas. Pensem em um mundo totalmente cor de rosa por aqui rs.

Quando estava com 12 semanas descobrimos o sexo, era uma MENINA, e assim herdamos muitas coisas da meninas da família, acessórios e roupinhas e afins. Valentina estava a caminho.

Eu já escolhido o tipo de parto, queria que ela nascesse de uma cesárea, mesmo podendo ter normal, isso estava dentro de mim muito antes de me tornar diabética e minha médica respeitou minha decisão.



Tudo correu muito bem durante a gravidez, é claro que o medo e o receio sempre nos sonda, a cada ultrassom, ecocardiograma fetal e exames próprios gestacionais, eu não dormia, ficava ansiosa, com friozinho na barriga, com medo de alguma má notícia, os bons resultados dos exames eram um alívio para mim porque estava sempre tudo muito bem.

Com 37 e 4 dias entrei em trabalho de parto, mas como disse anteriormente, por opção, quis tê-la de parto cesárea.

Entrei na sala de parto com a glicemia em 104 mg/Dl. Minha filha nasceu com 46,5 cm e 3.615kg. Teve hipo logo que nasceu, mas foi controlada, não precisou ir para UTI. Saímos do hospital em dois dias. Tirei os pontos no 7 dias, cicatrização excelente.

Meu leite desceu em grande quantidade após dois dias do nascimento dela e a amamento até hoje, ela tem 1 ano e 1 mês e ainda mama no meu peito.


Engordei 14 quilos durante a gestação, de 60 quilos fui para 74 e com 11 dias após o nascimento da bebê, eu já havia voltado ao meu peso inicial,não tive dificuldades em perder peso e nem os ganhei no pós-parto.

É mais difícil se cuidar depois que o bebe nasce, fato, porém minha família me ajuda muito, cuidam dela se eu preciso me cuidar e me respaldam para que ambas sejam assistidas em suas necessidades. Isso por aqui, faz uma grande diferença.

Não tenho palavras pra agradecer a Deus. E mais uma vez saliento a importância do teu trabalho. Talvez eu tivesse desistido se não fosse o teu e o depoimento de tantas mamães diabéticas. Muito obrigada!

Estamos tão seguros que é possível ser mãe tendo diabetes, que em breve queremos dar um irmãozinho para a Valentina.


E em breve vamos tentar um maninho pra Valen. Seja o que Deus quiser. Beijos 


Diabetes Tipo LADA,Deus, maternidade, família, amigos e Colônia Diabetes Weekend - A melodia que rege minha vida

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Olá! 


Meu nome é Josiane, técnica em enfermagem,mãe da Isadora, esposa do Júlio, filha da Leonita, feliz, completa e eternamente grata a Deus. Tenho 26 anos e há três anos recebi o diagnóstico de Diabetes Tipo LADA . Uso as insulinas Lispro e Lantus na caneta.

Antes de falar sobre minha gestação, acho importante falar sobre o início do meu diagnóstico,  gosto de falar sobre o quanto  a interação e amizade com outros "diabéticos" me ajudou a aceitar e compreender a complexidade do diabetes em minha vida. Ao saber sobre o diabetes, me assustei, deu aquele baque e a gente fica meio sem saber o que fazer, senti isso, porém por  pouco tempo, pois  conheci a Colônia Diabetes Weekend,passei maravilhosos dias ao lado de pessoas com a mesma doença que a minha, que viam a vida de forma otimista e entusiasmada, os profissionais que lá estavam eram super solícitos e alegres. Como isso deu um UP em minha vida! As coisas foram se encaixando sabe? Lá fiz amizades, que quero levar pro resto da vida, elas me ajudaram muito na aceitação e compreensão da doença e desde então, vou em todas as colônias, fui antes,durante e agora vou após a gestação.Viciei!rs

Eu, Robertinha e minha amiga Thaís na Colônia Diabetes Weekend

Está sendo um prazer dar o meu depoimento. Que gostoso falar disso! Desejei muito ser mãe, planejei,esperei e engravidei. 

PLANEJAMENTO,palavra crucial na vida de uma mulher com diabetes, diga-se de passagem.

Acredito muito na vontade de Deus, nem sempre os planos Dele são os nossos, mas aprendi que em tudo há um propósito,mesmo quando sofremos, há um plano maior para nós.

Foi assim que em agosto/2016, infelizmente tive um aborto... Como sofri! Você idealiza um bebê, quer constituir uma família e vem esta notícia...A gente se questiona, pergunta a Deus os porquês da vida até que neste mês de desgosto para mim, que Deus me honrou um ano depois, e, me trouxe meu maior presente, minha filha ISADORA. Sim! Em AGOSTO de 2017, após um ano do aborto, me tornei mãe. Deus é Fiel!

Antes de engravidar li muiiiitooo,estudei, chorei, questionei e principalmente tive muita fé em Deus, acreditei que a vontade Dele é soberana e que tudo acontece na hora e com sua permissão. Nestas minhas buscas de ler sobre gestação e maternidade em mulheres com diabetes, li e vi muita coisa ruim, mas Graças a Deus no meio de tanta má notícia, conheci este blog Maternidade e Diabetes  voltado para o tema que tanto passei a estudar (gestação em mulheres com diabetes), encontrei você Kath e seus depoimentos, falando sempre da parte real e boa de ser uma mãe e ter diabetes, da turbulência de estar grávida e lutando a todo o momento por uma qualidade no tratamento em uma fase tão complexa na nossa vida. Isso foi encorajador! 

E assim comecei a me cuidar,até que o tão esperado POSITIVO novamente chegou as nossas vidas, descobri que estava grávida com exame de farmácia e depois de uma semana fiz exame de sangue, eu já tinha certeza da gravidez, mas sentia muito medo. Foi um misto de sentimentos,alegria pela dádiva da maternidade, porém com o medo de uma nova perda. Minha glicada estava em 6,5% e manteve-se até o final da gravidez. E acreditem, minha amiga Thais DM1, aquela que conheci na colônia também estava grávida, de um lindo menino, o Heitor, tanto que ele é apenas 20 dias mais velho que a Isadora (minha filha).



Eu, meu esposo e nossa bênção.

Resolvemos não fazermos grandes alardes por medo de um novo aborto, foi assim a gravidez toda, a cada ultrassom um alívio e gratidão. Passei a tomar o comprimido AS a fim de evitarmos pré-eclampsia,trocamos a insulina Lantus pela insulina NPH (ordens médicas) e continuei com a Lispro,depois que a Isadora nasceu, voltei para Lantus.

Ao saber que estava grávida me dediquei o quanto pude, embora tenha tido uma resistência absurda a insulina, ia medindo a glicemia e cuidando, além da contagem assídua dos carboidratos. Passei por inúmeros profissionais, endócrino, obstetra, nutricionista e clínico... Que equipe! Gratidão! Muita gente nos apoiando! 

Imaginem que a Faculdade em que eu e meu marido trabalhamos e o pessoal do hospital o qual trabalho, conheceu nossa história, torceram por nós , nos ajudaram,oraram por nós, se desdobraram em atenção e otimismo ao nosso favor.

Tivemos uma universidade acreditando e intercedendo em nós. Dá para acreditar nisso? 


Deus não demora, capricha!


Deus moveu duas instituições ao nosso favor. Vale falar que aprendi muitas coisas sobre este tema lendo o material de estudos dos universitários, pois na Faculdade que trabalhamos há o curso de Medicina, e, por isso pude ler o material de apoio dos estudantes.


Minha mãe,minha vida


 A presença e amor da minha família foram primordiais neste período, meu marido foi sensacional, minha mãe presente e preocupada 24hs por dia e tive um grupo de amigas grávidas que também em muito me apoiou. Entre minhas amigas gestantes, estava a Thais que  tem diabetes tipo I, juntas dividimos nossos anseios e medos, além da ansiedade.



Eu e Thais, ela grávida do Heitor e eu da Isa

Durante a gravidez, eu e meu esposo notávamos a alegria e receio nos rostos das pessoas, elas ficavam felizes pela notícia do bebê, mas receosas pelo aborto que eu já havia tido,era difícil crerem que a gestação poderia dar certo não só pelo aborto,mas também pelo diabetes.
Gravidinhas na Colônia Diabetes Weekend


Foram 36 semanas e 5 dias de gestação e no dia 20 de agosto de 2017, em um lindo domingo Isadora nasceu. Foi uma cesárea tranquila. Ela nasceu com 48 cm e 3,640kg. 

Toda linda! Ao nascer ficou 24hs no berçário por ter tido uma hipoglicemia, mas depois veio para o quarto. Estou amamentando exclusivamente, tenho algumas hipos. Mas poder amamentar me traz uma felicidade que não cabe no meu peito. Usei o sensor Freestyle Libre durante a gravidez e ele me ajudou muito, por isso ainda permaneço utilizando-o, contando com seu apoio para evitarmos muitas descompensações glicêmicas. 


Deus queria que fosse assim e assim foi,nós e o nosso maior presente

Foi difícil lidar com um misto de sentimentos que me sobrevieram, foi pesado lidar com a incerteza das pessoas, chorei, mas venci. Crendo em Deus e fazendo minha parte me cuidando. 

O Diabetes não pode ser maior que a vontade de uma mulher em se tornar ser mãe, considero o diabetes um adjetivo em minha vida,veio para somar e me ensinar a ser uma pessoa melhor. Parece difícil , interminável e incontrolável, mas no final vem a melhor parte, graças a Deus! Esse depoimento é em forma de agradecimento a você Kath e a todas as mulheres que conseguiram atingir o nível top Master da vida ser mãe. 

Parabéns a todas nós!!



O que mudou na minha vida entre uma gestação e outra? Descubram aqui!

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Sou diabética tipo 1 há 18 anos, hoje, tenho 31. Desde os 12 anos aprendi a conviver com agulhas, glicosímetros, contas de carboidrato e exames de sangue e urina constantes. Passei por várias fases: Lua de Mel - quando ainda estamos no “primeiro amor” com o tratamento; pela revolta; desleixo com o tratamento; o “susto” e a aceitação.  Devido ao mau controle, aos 23 anos, fui acometida com a Retinopatia diabética e com uma nefropatia, também. Após esse susto de quase perder a visão e o mau funcionamento dos rins, passei a me cuidar, tomar as injeções devidamente e a frequentar o médico periodicamente.

 Em 2012, engravidei do Bernardo, foi uma gestação difícil, tive pré-eclâmpsia e mau controle durante toda a gestação: minha glicemia variou de 22 a 400. Hoje, avaliando a primeira gestação, eu vejo que de fato passei a cuidar bem do Diabetes após a maternidade, passei a fazer isso não só por mim, mas por ele. Eu passei a querer ter qualidade de vida a partir do momento que vi aquele rostinho. Ter qualidade de vida para poder viver, e viver com ele!

Passados 4 anos, decidimos, Rodrigo e eu, que teríamos outro filho, eu estava com 29 anos e conversei com o Endócrino, pelos meus exames: glicada em 7,1 e demais complicações do diabetes (Retina e rins) sob controle, ele deu o aval para a gravidez. Em março de 2016, descobri que estava de 4 semanas e passei a fazer o controle do diabetes e o pré-natal no mesmo lugar da gestação anterior: o Centro Obstétrico do HC, no ambulatório da Mãe Diabética.  Aliás, gostaria de deixar meu agradecimento para toda equipe e, em especial, para o Rodrigo Codarin - que entende minhas ironias, hahahaha! A competência desse atendimento é inquestionável e funciona.

Dessa forma, fui para segunda gestação mais segura, mais empoderada e mais feliz. Tive algumas questões com a glicemia - que variou muito, mas o grande problema foram as hipos - não tive qualquer outra complicação, tudo correu como o esperado. Tivemos que optar pela cesárea, pois não entrei em trabalho de parto até a 38ª semana e a glicemia começou a subir muito na última semana de gestação. Foi uma cesárea eletiva, com tudo sob controle.


Durante a gestação, foram consultas semanais para ajuste das insulinas: NPH e lispro, que eu tomava de 3 a 4 vez por dia (cada uma), doses fixas, sem alteração conforme a glicemia, somente a equipe médica podia alterar as doses.  Dextros eram feitos 7 vezes ao dia, no mínimo: antes e depois das refeições e às 3:00 da madrugada. Alimentação mais restrita quanto ao sal, carboidratos simples e gordura. No demais, vida normal, continuei trabalhando até  20 dias antes da nenê nascer e, dez dias antes do parto, eu viajei para apresentar minha pesquisa em um congresso. A segurança no tratamento foi muito importante para que a segunda gestação fosse bem melhor que a primeira. Sentir segurança na equipe médica e na eficiência do tratamento me deixou 200% mais segura! Por fim, o planejamento fez TODA a diferença.

Gostaria de explorar outro lado da segunda gestação: a amamentação. Na primeira gestação, muitos mitos da amamentação (leite fraco por conta da alimentação restrita, exigir demais do corpo, hipoglicemias incontroláveis) me fizeram desistir da amamentação aos 6 meses do Bernardo. Na segunda gravidez, aprendi algumas coisas que me incentivaram amamentar exclusivamente durante 6 meses e continuar enquanto eu puder e a Nina quiser.


O primeiro mito: NÃO EXISTE leite fraco, se você tem restrição alimentar, como eu, você não terá um leite fraco; a mulher mais desnutrida do mundo consegue amamentar seu filho com qualidade! Segundo: amamentar exige do corpo? Sim! Mas a não ser que seus rins estejam parados, seus pulmões em falência, dá para amamentar, sim. Ressalva para pessoas que vivam situações muito específicas de saúde, mas, em geral, para uma diabética minimamente saudável, que controle a glicemia e faça o tratamento, pode amamentar, SIM!!!! Terceiro: dá para controlar e prever as hipoglicemias, se alimente toda vez que o bebê for mamar muito (com o tempo, os bebês vão estabelecendo um ritmo e a gente sabe quando vai ser uma mamada longa e uma mais curtinha); faça testes de glicemias antes das refeições, no entre mamadas longas e de madrugada! Você vai saber mais ou menos quando está com tendência de hipo e poderá se alimentar com carboidratos mais simples, quando necessário.

Por fim, para amamentar, a gente precisa conhecer muito o bem o diabetes e a amamentação! Não existe leite fraco e mãe diabética pode amamentar, sim! Nosso leite é igualzinho de mães não diabéticas; não vai passar nada no leite para seu bebê (a não ser que você tenha alguma doença que impeça amamentar: HIV, Sífilis, hepatite, etc). A minha intenção com esse relato é: incentivar o planejamento da gestação e o conhecimento de amamentação. Amamentar é um vínculo que só quem amamenta sabe, é muito amor e dedicação que faz bem para o bebê e para a mãe. Além do que, evita câncer de mama (sim, mulheres que amamentam têm menos tendência a ter câncer de mama).



Para ter um bebê saudável e feliz, seja saudável e feliz com seu corpo e com sua condição: não se restrinja de ser uma mãe como qualquer outra por conta do Diabetes, cuidando-se, é possível!

AMAMENTAÇÃO,DIABETES E GLICEMIAS

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Me chamo Kath Paloma, 30 anos, coordenadora pedagógica, sou de São Paulo – Capital, pós- graduanda em Educação em Diabetes, usuária de bomba de insulina e tenho Diabetes Tipo 1 há mais de 10 anos.
Casei-me aos 20 anos de idade cheia de expectativas, esbanjando saúde e pensando em diversas possibilidades para o TCC da pós- graduação, foi quando meu presente de casamento veio num envelope branco: Glicemia em jejum 237mg/dl. Mas tarde no Pronto-Socorro o exame de sangue registrava mais de 800mg/dl. Os sintomas já estavam aparecendo, mas eu jamais achei que seria diabetes.


Novos desafios, sintomas, adaptações e assim a vida foi tomando seu rumo. Sempre fui assistida por uma boa equipe médica, mas sabia que precisava ir além do que me era passado, a vida era minha, portanto o interesse era meu. Passei a frequentar palestras, buscar grupos nas redes sociais, ler muito (inclusive bibliografias da área da saúde) e a questionar minha endocrinologista, as consultas passaram a ser produtivas, porém nada da minha hemoglobina glicada baixar e o sonho da maternidade começou a aparecer, estávamos com mais de 5 anos de casados.

Havia perdido 18 kgs após o diagnóstico do DM1

Leituras e mais leituras, me deram embasamento para saber o que me esperava quando eu ficasse grávida, até que por vacilo veio à primeira gestação, que não foi programada, porém bem recebida. A hemoglobina glicada estava acima do que se é recomendado para uma gestante (6,5%), mas eu estava assídua no tratamento e certa que daria certo, até que com quase 4 meses de gestação faltando dois dias para o Dia das mães, perdi o bebê e passei por um processo de curetagem. Doeu, me reergui e passei a lutar de verdade pela maternidade “diabética”.

Foto da minha primeira gestaçào

O que é lutar de verdade pela maternidade “diabética”? É planejar-se mesmo quando o bebê vem sem “querer”, é ter uma rotina de exercícios físicos, ingestão de líquidos, de controles de glicemias, de percepção sobre a ação de determinados alimentos em seu organismo, estar com os exames e consultas em dia, informar-se não só sobre sua doença, mas sobre o que ela pode ocasionar e manter-se otimista sempre. Foi a partir do meu interesse, da busca por informações, questionamentos com especialistas que me muni de conteúdo e consegui estabelecer uma relação entre eu, o DM e o conteúdo apreendido, tudo foi ficando mais fácil e entrando nos eixos. Nada caiu em minhas mãos de forma fácil, corri atrás dos meus direitos, entendi meus deveres e fui absorvendo e questionando o que me era passado.
Cinco meses depois fiquei grávida novamente, novos desafios vieram, era uma vida dentro de mim, que necessitava do meu organismo para desenvolver-se e que literalmente mexeu com todas as minhas estruturas, mas tê-lo em mim me fazia muito bem.
Iniciei a gestação usando insulinas Levemir e Humalog com constantes oscilações glicêmicas próprias deste período, porém pelo histórico de aborto e por outros problemas que fui desenvolvendo entramos com a bomba de insulina e com o sensor que me foram grandes aliados principalmente nas hipoglicemias assintomáticas. Tive uma gestação inteira de vômitos e enjoos, insônia, azias, enxaqueca, síndrome do túnel do carpo, meralgia parestésica, aumento do colesterol, constipação intestinal  ,  tireoide (valor aumentado), poliidrâmnio, hipertensão, inúmeros sangramentos, candidíase, colestase (coceira continua pelo corpo) dilatação e contração precoces, além do diagnóstico de um bebê cardiopata e macrossomico. Eram tantas coisas, tantos medicamentos... Haviam momentos que eu só queria parir logo para ter certeza que ambos viveríamos, mas logo estes pensamentos iam embora e a jornada continuava, meu psicológico precisava estar "estruturado"...

Havia também o desafio diário de lidar com as HIPO (queda de açúcar no sangue) e HIPERGLICEMIAS (alta do açúcar no sangue), as mesmas influenciam muito durante a gestação.
Em uma hipo, meu marido antes de me socorrer chamou minha atenção pois eu não havia feito um dextro anteriormente, me descontrolei e mordi  sua perna com uma força sem limites, ele pedia para que eu o soltasse e não conseguia, quando finalmente o larguei, deu dó  da pena dele (a marca da mordida ficou por meses nele).Tive diversos episódios de hipoglicemias que me transtornaram, meu maior medo era de que algo ocorressem com meu filho, pois isso poderia ocorrer.
As mais de 3 mil fitinhas de dextro que usei durante a gestação

Na gravidez tive uma internação e visitas semanais a endocrino (quarta feira), obstetra (segunda feira), a cada quinze dias nutricionista (quinta feira) e exames (sexta feira). Continuei trabalhando e adaptava os médicos aos meus possíveis horários, ia diminuindo o ritmo acelerado, mas não me isentei de nada. Engordei 8 quilos durante a gestação, tive uma dieta assídua e me dediquei ao máximo a ela.

Diante de tantas doenças eu me munia de cuidados assíduos, fé e muita leitura sempre dizem: 
 Educação em Diabetes salva Vidas e de fato salva!  Claro que cada caso é um caso, mas Informação, interesse mudam uma história, eu mudei duas histórias, a minha e a do meu filho, claro que nunca estive sozinha, tive um esposo presente, amigos e uma equipe médica competente, mas tudo dependia mais de mim do que deles.
Com trinta e quatro semanas meu guerreiro Davi resolveu estourar sua bolsa, acordei de madrugada com este susto. Fomos para o Hospital , me mandaram para outro de alto risco, minha obstetra não poderia fazer o parto sem prévio agendamento, foi um furdunço de madrugada, mas recebemos os cuidados necessários enquanto aguardávamos um cardiopediatra para o parto, e dez horas depois do rompimento da bolsa, eu, marido e bomba de insulina, entrávamos para o centro cirúrgico para conhecermos aquele rapazinho que revolucionou as nossas vidas.



Este rapaz nasceu com 3.510 kgs e 48 cm. Foi para a UTI Neo Natal onde passou 10 dias para ser assistido devido à hipoglicemia, síndrome da angústia respiratória, hipoglicemia, icterícia e cardiopatia. Não! Ele não nasceu com diabetes, sua hipoglicemia deu-se pois em meu ventre ele lidava com as minhas oscilações glicêmicas via cordão umbilical, portanto o pâncreas dele “fabricava” mais insulina, afim de lidar com esta situação, ao cortar o cordão umbilical, o pâncreas dele não necessitava mais da quantidade de insulina que ele excretava,sendo assim, por excesso de insulina em seu corpo ele teve hipo. Demora um tempinho para que o corpo do bebê entenda que ele não precisa mais “fabricar” tanta insulina, depois tudo normaliza.


Durante a gestação a palavra AMAMENTAÇÃO foi pesquisada por mim, principalmente por que queria entender isso em uma mulher com diabetes, fui instruída por algumas colegas “experts” no assunto, mas quando me deparei com uma UTI Neonatal, foi meio desesperador, eu só pensava em ver o bebe salvo e longe daquele lugar, todo o conhecimento neste quesito foi esquecido, eu sabia que lá ele tomava soro e fórmula e estava suficiente aquilo para mim, nenhum profissional da saúde me lembrou sobre amamentação e eu nem lembrei que produzia leite.

Até que no quarto dia uma enfermeira me perguntou o porquê de eu não ir para “sala da ordenha”, eu nem sabia do que ela estava falando. Com muita paciência a enfermeira foi me falando sobre amamentação e eu não havia sequer lembrado ou tentado. A primeira experiência foi traumática, coloquei em meu seio direito uma bomba tira-leite elétrica, não foi dolorido, mas nenhuma gota descia...Chorei! Me achei incapaz e envergonhada pois naquele lugar todas as mulheres tinham leite, e muitoooo e eu nada. Do peito esquerdo saíram 15 mls, que no mesmo momento foi dado via sonda para o Davi, mas sai dali péssima, com um misto de sentimentos... Feliz por meu filho tomar “algo meu” e triste pelos motivos já citados.
Achei que seria fácil, que logo sairiam jatos de leite, mas ao contrário, “eu não tinha leite”, não lembrei disso, ninguém me lembrou... Como eu poderia ter esquecido disso?
No sexto dia quando Davi pôde vir pro peito foi um “Deus nos acuda” ele estava na mamadeira (fórmula) e rejeitava o peito, era compreensível esta atitude dele, nunca havia ido para o peito e ainda era mais “complicado” que a mamadeira. Foi quando uma enfermeira orientou que comprássemos bico de silicone até que ele se adaptasse. Prontamente fomos a farmácia da esquina e compramos, esterilizamos e foi ali até que ele meio que aceitou mamar...
Percebendo meu desespero um dos pediatras da UTI me passou um medicamento na tentativa de me ajudar na produção do leite. Passei a ingerir muito liquido, mas não tinha sucesso, sem falar que para achar posição, nos ajeitarmos,era tenso...Gente do Céu! Que tormento! Sai do hospital convicta em comprar fórmula “meter” mucilon no menino e parar aquele calvário.

Fomos para casa, a tia do meu marido foi crucial neste processo, me estimulou amamentar, mas eu não largava a fórmula por insegurança. Davi era um bebe extremamente chorão e eu desesperada.
O medicamento começou a surtir efeito, comecei a ter muito leite, mas Davi se negava a pegar, quando pegava era muito rápido e como logo eu dava mamadeira pela agonia dele, ele meio que entendeu o processo. A tia com toda a paciência ficava conosco nos acalmando, passei a participar de grupos de amamentação no facebook, do plano de saúde, mas nada parecia condizer com minha realidade, pior do que me sentir incapaz, era ouvir das pessoas tudo o que ouvi...Me julgavam por meus seios serem pequenos, diziam que eu não teria leite para dar pro menino, que meu leite fraco pelo diabetes...Ah! Tantas coisas!!!!


Durante um tempo o processo era um só. Eu tentava dar o peito, ele rejeitava, eu tirava na bombinha, ele mamava, depois eu me irritava e complementava com a fórmula.
Um dia acordei decidida a passar a amamentar, poderia até usar a mamadeira, mas queria que mamasse em meu peito, os meus não racharam e nem nada, mas doíam de cheios que estavam, além de eu ter muito leite e ele não aproveitar nada.

Após levantar, na hora da mamada matinal decidi insistir no peito,ele não quis,chorou muito, decidi que aguentaria aquele show sem ceder, Davi chorou tanto que dormiu (sem mamar). Ao acordar outro show de choro, eu insisti no peito e ele nada, foi um bom tempo de agonia, choro e shows, eu olhava para aquele serzinho pacientemente e continuava insistindo, meu esposo foi quem surtou com o desespero do garoto, decidi que por nada iria dar  a mamadeira, até que depois de um bom tempo ele grudou no peito e não soltou mais... O tempo foi passando... Achamos a nossa posição, o nosso momento... Foi mágico!Foi libertador!
Ele mamava de todas as formas, sentado, de pé, deitado, no colo... Foi crescendo e escolhendo... Era um momento rico! Aqueles olhares que trocamos nos mais de dois anos da amamentação foram únicos, nunca mais o tivemos. Era regado de agradecimentos, paz, amor,ternura e carinho.
Junto com este momento, veio um enorme desafio: CONTROLAR AS GLICEMIAS, ALIÁS AS HIPOGLICEMIAS.
Precisei diminuir a insulina basal da bomba de insulina, diminui na contagem de carboidratos e as vezes nem a fazia, porém continuava tendo inúmeras hipos. Espalhei balas e sachês de açúcar pela casa inteira, até no banheiro tinha, mantive contato constante com a endocrinologista e avisei a família inteira do que se tratava, passando confiança a todos, pois o que eu menos precisava era quem me julgassem incapaz.


As hipos vinham do nada, às vezes assintomáticas, outras com sintomas clássicos: fadiga, fome excessiva, sudorese excessiva, tontura, tremores, apatia,confusão mental,palpitações , ritmo cardíaco acelerado, formigamento nos lábios , secura, ansiedade, dor de cabeça, fala arrastada, irritabilidade, nervosismo, palidez, pupila dilatada, sensação de formigamento, sonolência, tremor ou visão embaçada. Imaginem só, lidar com o cotidiano materno,doméstico, com nossas funções sociais e mais isso.
Engordei muito amamentando, o que não engordei na gravidez veio na amamentação, a cada hipo, as correções eram feitas com doces, a dieta desmoronou um pouco... Não bastava lidar com toda aquele montanha-russa, tinha me olhar no espelho, ver-me mais gorda, cheia de olheiras,responsabilidades e explicar para o “mundo”o porque de ter engordado, enquanto a maioria das pessoas neste momento emagrecem.
Fui incentivada várias vezes a deixar de amamentar, inclusive pelos médicos, mas eu queria proporcionar ao meu filho e a mim este momento.
 Confesso que não foi fácil! Houve momentos desesperadores, como em uma madrugada que ele acordou chorando, levantei para amamentá-lo e me sentia bem, fui pegá-lo no berço, a partir de então Anderson notou que o choro do Davi ia ficando incessante e eu andava descontroladamente pela casa, ao levantar notou que eu estava em hipoglicemia (estava com sudorese, confusão mental e falava coisas sem sentido desesperadamente).Meu marido pediu para pegar o Davi e eu não o entregava de jeito nenhum, quem tem hipo sabe que algumas vezes a gente se transforma, foi tenso! Quando finalmente ele conseguiu tirar Davi dos meus braços, eu estava pingando de suor gelada e não dominava mais meu corpo, o choro passou a me dar uma irritabilidade fora do normal, Anderson confuso sem saber quem acudir primeiro, mas lembrou que em uma hipoglicemia, sou sempre a primeira, me deu água com açúcar , me deitou na cama e foi cuidar do Davi dando-lhe fórmula, eu não tinha condições nenhuma de amamentá-lo naquele estado. Decidi manter a fórmula na minha ausência e em minha presença amamentá-lo. Surtei inúmeras vezes, só eu sei o que passei, mas decidi continuar amamentando, mesmo que para alguns a amamentação de verdade seja a exclusiva. Exclusividade para mim é mesmo diante de tudo o que passei, dar tamanha importância a AMAMENTAR.
Enriqueço este depoimento com histórias para que valorizem o processo de amamentação o quanto puderem, pois não sabem o que algumas mulheres passam para que ele ocorra. Tivemos outra história pela madrugada. Eu e meu marido dividíamos o levantar para pegar Davi do berço. Levantei para pegá-lo após ouvir seu choro, Anderson percebeu que o choro não parava, foi nos ver e me viu “amamentando” a fralda de pano do Davi,conversava com ela, a acalentava e Davi no berço continuava a chorar, na minha cabeça eu estava com ele em meus braços e não com uma fralda de pano.Rindo Anderson me acolheu,cuidou da hipo e deu mamadeira ao Davi.
Teria inúmeras histórias para contar aqui, mas elenquei estas duas para mostrar-lhes que muitas vezes não é fácil amamentar. Respeito tudo o que ouço sobre o porque de muitas mulheres não terem amamentado, compreendo e não julgo, cada um sabe de si e sabe o quanto estas cobranças nos pesam, mas digo que eu KATH decidi por AMAMENTAR, decidi por insistir,buscar informações, permitir-me chorar, gritar, esbravejar e me libertar das amarras que queriam me colocar, mesmo diante das adversidades eu e Davi tivemos momentos únicos enquanto eu o amamentava.
Aprendi que para sentir-me segura amamentando deveria medir mais a glicemia, fazer um pequeno lanche antes de dar de mamar, optar por alimentos integrais que ajudam a segurar mais a glicemia, ingerir mais água, com o auxílio da médica abaixar a insulina basal, algumas vezes precisei rever a contagem de carboidratos e muitas vezes nem a fazia, tudo neste momento era na base da percepção, não tinha fórmula mágica. As mães com diabetes tipo1 tendem a ter hipoglicemias porque o consumo de energia é superior ao normal pela produção do leite materno que vai riquíssimo em nutrientes. Nosso leite não é mais fraco, é tão rico quanto ao de qualquer outra mãe, não passamos diabetes pelo leite materno e nem transmitimos diabetes se precisarmos comer doces enquanto amamentamos (para corrigir uma hipo).

O Amamentei dois anos e sete meses, no início apresentei hipoglicemia, mas diminuindo insulina, controlando a alimentação e o corpo se acostumando a esta nova etapa, estes episódios foram diminuindo. Ele só deixou de mamar pois dialogamos muito,eu como mãe achei que era o momento para que outras coisas lhe ocorressem.
Com um ano o “tirei” da mamadeira, fomos para o copo de transição e nunca lhe dei chupeta.
Foram dias mágicos, mesmo diante de algumas hipoglicemias, me sinto privilegiada em poder ter amamentado meu filho. Não me arrependo de forma nenhuma.
Quando olho para trás, há exatamente 4 anos e 1 mês, vejo que minha história pôde REVOLUCIONAR vidas e mostrar que a maternidade com diabetes é possível, mas não basta querer ser mãe, tem que se inteirar, se envolver e principalmente se informar.

Coloquei o DIU Mirena e ainda não me sinto preparada para falar de um segundo filho, mas também não descarto a ideia.

Acredito piamente em gestação e maternidade na vida de mulheres com diabetes, e mais ainda, acredito que mulheres com diabetes bem informadas geram filhos com mais segurança e os educa para lidar com os constantes desafios da vida, pois já que somos um exemplo diário disso. 

        Aprendi muito nestas 34 semanas, muito mesmo, fiz tantas coisas, me organizei de inúmeras maneiras que hoje servem de dicas para outras mulheres.

Meu blog tomou outro rumo, de um simples diário de uma “diabética” tornou-se um BLOG FOCADO EM GESTAÇÃO E MATERNIDADE, senti a necessidade de buscar uma formação acadêmica neste sentido e hoje faço uma pós-graduação na área onde meu trabalho de Conclusão de Curso (TCC) aborda a temática do meu blog. Não sou da área da saude, tão pouco quero substituir um profissional desta área, quero apenas ENCORAJAR e mostrar que com os devidos cuidados e orientação médica este sonho é possível. Faço o que gostaria que tivessem feito por mim durante a gestação, só não faço mais pois meu tempo não me permite.
Davi é criado lidando diariamente com o diabetes, conhece todos os insumos e suas funcionalidades, entende o que é HIPO e HiPERGLICEMIA,sabe que em algumas vezes mamãe será sempre prioridade, vibra a cada nova conquista relacionada ao diabetes pois sabe o quanto isso é importante para mim, mesmo não entendendo ao pé da letra o que algumas coisas querem dizer. Diz que quando crescer será médico para cuidar de “gente que tem diabetes”rs (vamos ver rs).