.

A gente passa a vida almejando uma boa glicada e engravida com ela em 9,9% rs

|
Olá!

Gostaria de falar um pouco da minha história com o diabetes, em especial no período gestacional para vocês.

Meu nome é Pámela, sou casada, enfermeira e tenho 29 anos.

Descobrimos o Diabetes Tipo I, quando entrei em coma e desde o diagnóstico aos meus 13 anos de idade, minha hemoglobina nunca havia sido menor que 9.9%. Mas graças a Deus, não precisei ficar internada em decorrência do DM, a não ser com oito semanas de gestação (mas para frente conto melhor como foi).

Sempre desejei ser mãe, mas era desestimulada pelos valores da minha glicada, mesmo com este receio não tomava nenhum método contraceptivo, decidi entregar nas mãos de Deus e aguardar o tempo Dele, já que estava cada vez mais difícil alcançar a glicada desejada. Sei que nao foi a melhor forma, mas as vezes a gente cansa.

Por quatro anos fiquei neste processo (desde que casei), sem ansiedade ou estresse, mas esperava um dia poder gestar, até que engravidei com a hemoglobina 9.9%. Descobri a gravidez com cinco semanas, me senti abençoada com a notícia, me sobreveio um misto de sentimentos, mas a alegria se sobrepôs.

Com oito semanas de gestação, minha glicemia deu uma descompensada, o que me fez ficar internada por três dias, desde este episodio os valores glicêmicos não eram menores que 100 mg/DL, precisei ser acompanhada semanalmente pela médica, que descobriu que eu estava com pressão alta, era hipertensão hereditária, não da gestação, passei a tomar Metildopa a fim de regularizar os valores da pressão arterial.

Uma amiga diabética me indicou a médica que me acompanhou, ela foi uma benção em nossas vidas, toda semana eu estava no consultório para orientações, pois a mudanças de hormônios dificultavam bastante o controle glicêmico. Fazíamos com frequência, mudanças nas dosagens da insulina, eu media a glicemia diariamente e os exames eram feitos assiduamente (meus e do bebe).

Continuei fazendo uso de insulinas NPH e Humalog, durante a gestação, mudando sempre que necessário às dosagens para irmos melhorando as glicemias capilares.  

Lembro-me de ter passado uma semana tendo hipos, minha glicemia chegou a 27 mg/DL, chorei desesperadamente, pois o que eu mais ouvia dos médicos era para evitar as hipos, pois as consequências delas para os bebês poderiam ser drásticas.

Assim foram 32 semanas, onde eu comia tudo o que sentia vontade, principalmente canela, embora me dissessem para não comer, eu comia desesperadamente, era uma coisa a qual eu amei no período gestacional. E haja Insulina Humalog!Nunca havia tomado tanta insulina na minha vida, mas o importante era manter a glicemia boa.

Com 28 semanas comecei a ficar bastante inchada, parecia que a minha perna ia explodir e isso doía muito.

Com 32 semanas fui até a maternidade verificar o que estava ocorrendo, já que os inchaços e dores, não passavam. Os exames indicaram que meu bebê estava em sofrimento fetal, eu estava com pré-eclampsia grave, o pulmãozinho dele não estava totalmente maduro para que ele nascesse naquele momento, teríamos que arriscar em segurá-lo em minha barriga mais dois dias para que eu pudesse tomar injeções de cortisona, afim para ajudar no amadurecimento pulmonar dele.

Pensei: O corticoide vai acabar com minhas glicemias... Mas se é para o bem do bebê. Vamos lá!

Deus foi perfeito, mesmo com uma cavalada de cortisona, tudo correu bem.

E assim ansiosa para ver meu filho, com medo de perdê-lo, mas confiando em Deus, fui para o bloco cirúrgico com a glicemia em 47 mg/Dl de glicemia, a corrigimos com suco de uva normal e foi dado início no procedimento.

Sinto emoção ate hoje quando me lembro das minhas orações na pré-sala, pedi muito a Deus para nos abençoar e não nos abandonar, Ele foi Fiel, não ficou longe de nós nenhum momento.

Antes da aplicação da anestesia, o obstetra (muito bom por sinal) escutou o coraçãozinho do meu bebê, logo perguntei:

-Ele está vivo Doutor?!

Ele me respondeu:

-Vou conferir, são muitos fatores envolvidos!

Deu aquele aperto no coração, mas minutos depois escutei o choro do meu filho. Que ALEGRIA!

E assim na manhã do dia 02 de junho de 2017, com 1.880kg e com 42 cm, nasceu Peter, nos trazendo um grande alívio e provando que havia dado certo.



Como ele foi prematuro ficou na UTI Neonatal por 21 dias, não houveram intercorrências e tudo correu tranquilamente, claro que toda a mãe quer voltar para casa com seu filho, mas saber que ele estava bem e que precisava ficar lá para que pudesse vir com saúde, nos consolava.

Hoje ele tem 6 meses, 6 meses de pura saúde!

Como ele ficou na UTI Neonatal, e lá se alimentou de fórmula, demorei a ter leite, tomei água suja de canjiquinha para me ajudar a “dar” leite e acreditem, deu certo. Embora eu tivesse dado muito leite, ele rejeitou o peito, fiz tudo o que me indicaram, inclusive chamei fonoaudióloga em casa, mas mesmo assim ele não quis mamar no peito.

Engordei 8 kgs na gestação e perdi 10kg já!Morri de medo de não conseguir perdê-los.

Um pouco antes de engravidar havia deixado de trabalhar para melhor me cuidar. Desta forma, estou tendo o privilégio de acompanhar seu crescimento. Passamos o tempo todo com ele, dizem que o deixei manhoso, mas não me importo. Ele é um bebê super tranquilo, consigo fazer as minhas coisas sem problemas. Hoje mais que nunca vejo um grande motivo para manter a minha glicemia boa, pois quero vê-lo crescer e se tornar um homem! Minha glicada até abaixou, foi para 8,8% e acredito que tenha melhorado, em breve farei novos exames.

São inúmeras as responsabilidades que nos sobreveem com a maternidade, somadas ao diabetes e demais funções sociais, me sinto completa com a vida que tenho, vou fazendo cada coisa há seu tempo, priorizando meu filho que é o que mais desejei na vida e o diabetes, que bem cuidada me trará mais tempo e qualidade de vida ao lado dele. Temos a família que sempre desejamos! Peter (pai), Peter (filho) e Eu!



Essa é a minha história, chorei, me emocionei, tive medo, entre várias outras questões, mas com fé em Deus superei e tenho superado todos os desafios...

Mulheres com Diabetes acreditem! Nós podemos ser mães!


5 comentários:

  1. Parabéns pra você, por sua dedicação, pelo seu esforço,sabemos que diabetes não é fácil e ainda você grávida? Es uma guerreira por ísso conseguiu fazer de seu sonho uma realidade. Que Deus te abençoe sempre e seus Peters também!
    Abraço pra você e muita paz luz belos sorrisos e boas glicada.

    ResponderExcluir
  2. Nossa que linda historia.
    Parabens pelo bebe.

    ResponderExcluir
  3. Lindo amiga....me emocionei!!! Um dia vou ter essa mesma coragem que você teve. Se Deus quiser!!! Beijos para essa linda família que está construindo... adoro Vc!!!

    ResponderExcluir
  4. Também sou Dm1 a 14 anos e em 2017 Deus me presenteou com um lindo bebê. No final da gestação além do diabetes tive que controlar a rinite e com 37 semanas foi feita a cesarea pois entrou em sofrimento.Deus é fiel e abençou a gestação.

    ResponderExcluir
  5. Oi, seu baby nasceu DM? Ou por enquanto não apareceu nada?

    ResponderExcluir