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Endometriose,cisto no ovario e diabetes...Como me tornei mãe da Valentyna

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Olá!

Meu nome é Myslene, tenho 28 anos anos, sou professora e há 8 anos tenho Diabetes Tipo I. Uso as insulinas NPH e Regular e as aplico com seringa. Faço meu tratamento na rede pública.

Descobri o diabetes em um exame de urina.Sempre passei mal, mas nunca pediram a Hemoglobina Glicada e nos exames que eu fazia, só pediam glicemia em jejum.Como tenho tendência de ter hipoglicemia cedo, os exames comuns não apontaram hiperglicemia pela manhã.

Assim, foi me pedido um exame de urina para averiguação de uma possível infecção. Quando o resultado chegou,o médico me disse que o resultado era um absurdo, e que minha diabetes deveria estar alta. Me perguntou se eu me cuidava. Veementemente disse que não era diabética.Bati o pé, pois eu havia feito inúmeros exames e nenhum havia apontado isso. Ele repetiu os exames por 4x e os resultados continuaram alterados. Fui levada para o hospital com a glicemia em 718 mg/dl.

O tempo seguiu. Passei a fazer o tratamento, e ia me adaptando como podia a minha nova condição.

Sonhava em ser mãe, mas fui desenganada pela medicina. Não poderia ser mãe. Tenho diagnóstico de endometriose e cisto no ovário, além do diabetes tipo I . Mas em outubro de 2016 engravidei.Foi um susto!

A primeira consulta foi assustadora.O médico falou que não sabia como eu estava grávida pois era impossível.Após ver os exames, ele falou sempre com um ar pessimista ''se o coração bater'' e ''se o feto resistir'' . Meu coração ficava em pedaços e ainda pra acabar comigo, me disse que não faria o acompanhamento da minha gestação, pois era de altíssimo risco e que se eu morresse era morte nas costas dele.

Foi um balde de água fria! Fiquei triste,mas Deus preparou que eu fosse até a maternidade do plano de saude resolver umas coisas, e foi lá que tive a sorte de cair com a melhor médica amorosa, carinhosa e super dedicada. Ela me indicou uma endocrinologista e esta dupla me acompanhou assiduamente no período gestacional.

Na primeira ultrassom com 6 semanas, ouvi som do coraçãozinho do meu bebê. Foi a coisa mais bonita que escutei na vida! A gestação foi muito difícil, mas as médicas sempre me acompanharam muito bem.

Eu media a glicemia pelo menos 7x ao dia e mandava os valores para as médicas, elas me direcionavam se precisava alterar o valor das dosagens de insulina, e assim eu ia fazendo. O controle diante do meu quadro deveria ser assíduo,por meu histórico e riscos para o bebe,como por exemplo, parada cardíaca.

Passei vários sufocos. Com 27 semanas, quase tive pré-eclampsia e por pouco não precisei fazer um parto prematuro. Mas graças ao bom Deus, ocorreu tudo bem.Fazia cardiotoco a cada dois dias e ultrassom cada 15 dias.


Com 36 semanas minha bebê parou de mexer. Corri para maternidade, fiz exames e descobri que minha placenta estava grau três; não passava mais alimentação para ela. O parto tinha que ser feito imediatamente. Me internaram e iniciaram a indução.  24 horas em trabalho de parto, contrações sem parar e a bebê não nascia. A equipe médica tentava parto normal pois a minha cicatrização é péssima.

Eu já não tinha mais força, chorava gritava, desmaiava pedindo cesárea.Me falaram que tinha que esperar os partos já agendados. Um absurdo! Em um último fôlego, exigi a cesárea e disse que chamaria a polícia, pois eu estava morrendo e meu bebê também.

Rapidamente apressaram o parto cesárea e minha princesinha nasceu linda, mas bem roxa com o cordão enrolado no pescoço. Teve hipo e desconforto respiratório,porém se recuperou super bem  e ficou ótima.


Tive algumas complicações após o parto. Me deu alergia da anestesia, precisei ser medicada. só receberia alta, se me quadro mudasse. Pro momento fiquei bem, vim para casa, mas em meu lar as coisas não foram tranquilas. Fiquei 18 dias tendo vômitos,nem água parava no estômago. Foi horrível! Fiz inúmeros exames, deram alterações ,porém ninguém descobria ao certo o que eu tinha.  Até que passou, e as coisas progressivamente foram entrando nos eixos.



Por ter dificuldade de perder peso, não consegui ainda voltar ao de antes. Amamentação foi um sonho difícil no começo pelas oscilações glicêmicas. Mas valeu a pena! Amamento até hoje com prazer! Tem gente que acha que diabetes passa pelo leite materno e que Valentyna pode tê-la por isso. Ledo engano! Não desistimos e estamos aqui firmes e fortes, informando as pessoas que nos dizem isso. Sou mãe,produzo leite e não há nada melhor pra minha filha do que o meu leite. Diabetes é crônico e não contagioso!

O mais importante é que minha princesa tem 1 ano e 5 meses e é extremamente saudável alegrando nossas vidas.

Foi difícil? Foi! Mas valeu cada sacrifício! O impossível, Deus fez se tornar possível em nossas vidas... Do que posso reclamar? Só devo me cuidar para aproveitar ao máximo cada segundo ao lado dela.





6 comentários:

  1. Ai que vitória ler a minha historia. Para Deus nada é impossivel

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  2. Parabéns Mi, fiquei emocionada, o nosso Deus, é o Deus de milagres, Ele não nos desampara nunca!!!

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  3. Que relato maravilhoso amiga... Vcs duas são guerreiras!!! O nome dela mostra o quão valente ela é... Valentyna e vc são vitoriosas!!! Muitas felicidades para sua família!!!

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  4. Como fico sem palavras diante desse lindo milagre em nossas vidas Deus é maravilhoso e tem um propósito para tudo essa princesa ainda nos trará muitas alegrias .Amo muito vcs

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