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José Fabrício e Antônio: Nossas Dádivas!

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Chamo-me Mayra, tenho 37 anos, casada, mamãe de dois lindos príncipes, sou formada em engenheira civil, mora em Palhoça – Santa Catarina. 


Minha historia com a diabetes iniciou na 28ª semana da 1ª gestação, no ano de 2009, controlamos com dieta, não sendo necessário uso de insulina, realizava ultrassonografia a cada 15 dias, com consultas semanais. 


Nosso primeiro grande sonho nasceu de um parto lindo normal induzido com 38 semanas e 6 dias no dia 20/09/2009, um menino lindo e saudavel com 3140kg e 47 cm, dextro de 51, chamado José Fabrício, tivemos alta com 2 dias e felizes para casa. 


Conforme orientação médica, após 6 meses do nascimento, fui refazer exames, e acusou ainda glicoses alteradas, a danadinha da Betesss continuava comigo. 


A partir dai começamos nossa convivência e o sonho de uma 2ª gestação guardadinho, sem noção nenhuma de como seria e do que me esperava. 


Sem conhecimento e informação, até porque não procurava, esqueci a tal, continuei trabalhando, curtindo ao máximo o mundo divino e tão esperado da maternidade. E o sonho da 2ª gestação guardadinho. 


E com este amor pleno pelo filho lindo que Deus nos deu, a gente começa a pensar que precisa se cuidar, para poder viver muito junto a família que temos, mas até então só pensamentosssss. 


Confesso não ser fácil, quantos deslizes, quantas crises, controvérsias de pensamentos e ações, até que o corpo começa a dar sinal que algo não está bem e quando se vê está com 47 kg e uma glicada imaginável de 15. 


Indo em uma direção totalmente contraria ao pensamento e a vontade de se cuidar, nesta altura não ia a médicos muito tempo. 


E agora? Fazer o que? Que momento negro. 


Criar vergonha na cara, dar a volta por cima, procurar ajuda, buscar informação, conhecimento, apoio, foi aí que encontrei este blog, lendo os vários depoimentos, cada um com a sua história de vida, fui tirando lá do fundinho aquele sonho guardadinho da 2ª gestação, um motivo para recomeçar, para sair de onde eu estava. 


Que caminho difícil, como é complicado de se ter auto controle, saber o que é correto e mesmo assim ir pelo errado. Baixar uma glicada de 15, que trabalho diário, de formiguinha. 


O tempo foi passando, a idade apertando, não podia mais esperar, estava chegando a hora, foram três longos anos para chegar em uma glicada tão sonhada “6,4”, com muitas derrapadas. 


Tinha noção que não bastava somente a glicada, que a gravidez era de risco, que teria de ter tempo, cuidado e dedicação, trabalhando mais de 14 horas por dia, como daria conta. 


Nestes três anos longos anos, além da busca pela glicada, fui me preparando psicologicamente, emocionalmente e financeiramente. 


Criei coragem e fui procurar meu obstetra (estava fugida dele devido a cobrança com a diabetes), consegui consulta para o dia 27/08/2015, para verificar a possibilidade de ter esta 2ª gestação, o mesmo me falou que sim, porem precisaríamos fazer vários exames para verificar como estava meu corpo, sangue, rins, visão. Com os resultados voltaríamos a conversar. 


Voltei ao meu endócrino que me incentivou muito, que seria possível, com controle e acompanhamento, tudo daria certo. Era tudo o que eu precisava. 


Com os resultados voltei ao obstetra, não estava legal a glicada, que tortura, agendamos para janeiro/16 e com mais requisições de exames. 


Janeiro chegou e uma glicada de 7,4, ainda não, mas estávamos mais perto. Mais uma vez saio do consultório com novas guias de exames e consulta marcada para maio/16. 


No dia 05/05/16 chego ao consultório com uma glicada de “6,4” e uma esperança enormeeeeeeee. 


Era o dia do sim, do inicio, obstetra e endócrino disseram sim, que já tínhamos condições de tentar uma gestação. Sai emocionada, chorando de alegria, passando um filme, parecia mentira.

Naquela noite conversei com Nosso Pai e pedi em oração, que se fosse da vontade Dele como é da minha, que Ele abençoasse este ventre mais uma vez, que me tirasse todo o medo e angustia, pensamentos negativos e agradeci. 


Minha ultima menstruação veio em junho/16, sempre fui bem certinha, única vez que atrasou foi na primeira gestação. Então só podia ser, era nosso pacotinho chegando, fiz dois exames de farmácias e aqueles famosos II risquinhos apareceram, dia 18/07/16 o de sangue confirmou cheio de amor, alegria e paz!! 


Sai do serviço, já havia me planejado e fui cuidar da gente, uma gestação maravilhosa, a cada exame, a cada ultra, tudo ocorreu bem, claro que ocorreram hipos e hipers, fazendo no mínimo 12 dextros/ dia, inclusive todas as madrugadas. 


Confesso que as vezes escorregava na alimentação, conseguimos manter a glicada em “6,4” durante a gestação. Pedia em minhas orações para passar das 34 semanas. 


Minha pressão sempre foi baixa, e para surpresa, consulta 35ª semana alerta com pressão alterada, sai angustiada, era um mundo que eu não conhecia, aquela noite não dormi. 


Naquela mesma semana baixei plantão da maternidade com pressão 16x10, fiz vários exames para verificar pre-eclampsia, que deram todos negativos, sai de lá com medicação metildopa 250 e repouso absoluto. 


Até as 34 semanas tinha engordado 8kg, depois eram 4kg/semana, estava muita inchada.Consulta de 36ª semana, sai com metildopa 500, pressão incomodando. 


Já tínhamos nos programado para o parto normal no dia do aniversário do papai. Diante da pressão alta precisamos alinhar um plano de B, encontramos um problemão, se precisássemos de Uti Neo, estavam todas com super lotação. No caso do nosso Antônio Guerrero, se precisasse seria para auxilio na respiração, todos exames feitos até então estava tudo certinho com ele. 


Com 37 semanas e 5 dias, no dia 06/03/17 (segunda) as 20:11 chegou nosso 2º grande amor, após uma subida de pressão no período da tarde, o obstetra achou por bem fazer uma cesárea, por não ser mais prematuro, já tínhamos escolhido a maternidade pela experiência da equipe da Uti Neo. 


Chegou um bebezão lindo com 3.820 kg e 49 cm, não consigo descrever a emoção de ouvir seu chorinho, nasceu com apgar 8, depois evoluiu para 9, ficou na observação comigo e fomos para o quarto juntinhos respirando lindamente ao encontro do maninho que esperava seu pacotinho de vida.

Um alerta que faço é com a equipe de pediatria da maternidade, passamos por uma situação horrorosa, são necessários medidas de dextros mais próximas, o Antônio com quase 40 horas de vida, eu não tinha nem colostro, ele já estava todo molinho, chorei, pedi, implorei, que ele é filho de diabética, que precisava se alimentar, pedi que fizessem a dextro, não podiam, só no intervalo marcado pelo pediatra responsável. 


Para ter noção, após uma hora que consegui que dessem um leitinho para ele, vieram fazer a dextro dele e estava 45. Mamães fiquem atentas a isso. Após este ocorrido, era só pedir que traziam o leitinho, foi horrível, desesperador. Deus estava conosco e evitou o pior. 


Devido isso, minha pressão ficou em 19x10, não baixava de jeito nenhum. O Antônio já estava de alta. Por bem meu obstetra resolveu me dar alta. 


Viemos para casa, que benção, nosso sonho realizado, as coisas foram se ajeitando, não consegui alimentar, não desceu leite. 


Nosso pacotinho hoje está com 2 aninhos cheio de amor e vida, muito saudável, trouxe tanta alegria e leveza, só temos a agradecer. 


Hoje estou em casa com eles, mas com planos de voltar a trabalhar, com o coração em paz e muito amor, com a certeza que tudo valeu e vale a pena. 


Espero que meu depoimento contribua de alguma forma, como por varias vezes busquei aqui força e coragem para não desistir, independente do ponto que estamos, sempre há um novo dia, uma nova oportunidade de recomeçarmos, somos filhas maravilhosas de Deus, precisamos ter fé, ter confiança, que tudo podemos Naquele que nos fortalece, Ele tem seus propósitos com a certeza de nos fazer evoluir e ser felizes. 


Acreditem, busquem ajuda, apoio, somos fortes. 



O susto que se tornou uma benção

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Olá, sou Mariana , tenho 28 anos, sou professora e tenho Diabetes Tipo I há 23 anos, casada com Robson, mãe do Gabriel de 6 anos. 

Sempre sonhei em ser mãe, ouvi muitos NÃOS, muitos médicos e pessoas diziam que “Diabética engravidar, é a mesma coisa que sentença de morte, a criança pode nascer com múltiplas deficiências ou síndromes e que mais da metade dos bebês de diabéticas morriam durante a gravidez sem qualquer problema aparente apenas por conta da oscilação da glicemia".

Em 2010, noivei e iniciei um novo tratamento no Centro de Diabetes de Curitiba, tive uma mudança total no tratamento, com insulina nova e nova visão do Diabetes.

Em Novembro de 2011, comecei a me sentir indisposta, muita náusea, glicose sempre baixa, minha menstruação estava atrasada há 2 meses; trabalhava em uma escola de Educação Infantil como auxiliar da turma do pré 2 e pré 3.  Minhas colegas de trabalho e da faculdade insistiam para que eu fizesse um exame de gravidez, mas eu me recusava, dizia que não era nada, que logo iria melhorar. 

Uma certa tarde,a minha coordenadora me viu muito mal e disse que me levaria para casa, sempre foi uma pessoa que me ajudou muito, sempre muito compreensiva e preocupada, me disse: “Mari, vai no médico e veja o que acontece com você, não é normal você estar assim.”

Fui na ginecologista junto com minha mãe e a médica me examinou, disse que não era nada, que minha menstruação estava atrasada devido ao meu estado emocional. A tal médica fez exame, colheu material do meu útero e me mandou para casa, minha mãe muito assustada não falou nada.

No dia seguinte ainda muito mal, fui na Policlínica onde estava o médico que foi o anjo naquele momento, ele me examinou, fez algumas perguntas e me encaminhou para uma ultrassom de abdômen total, inclusive uma ultrassom de trompas, ovários e útero. 

Na hora da ultrassom o médico me disse: “Então Mariana, preparada para ser mãe?”  

E disse para minha mãe:” E você mãe, preparada para ser avó?” 

Na hora não tive palavras a única coisa que disse foi: “Ah!! Sério Doutor?”

Ele muito brincalhão me respondeu : “Sim, escute que vou aumentar o volume.” 

E lá estava, um coração hiper acelerado, com 9 semanas e 5 dias (2 meses e meio de gestação).

Nunca me esqueço as palavras do médico: “Mariana, erga as mãos para os céus e agradeça todos os dias pela vida do seu filho, pois você poderia ter abortado, mas esse bebê é o teu milagre da vida, a partir de agora você terá que se cuidar e parar de trabalhar com educação infantil, pois exige cuidados e acompanhamento frequente.”

Ai a minha luta, se tornou uma batalha diária, matar um leão por dia, pois as pessoas somente me passavam coisas ruins sobre mães diabéticas, nunca me diziam “Vai dar tudo certo!” “Calma seu bebê vai ser perfeito”. 

Tive um apoio imenso da minha madrinha, das minhas tias, tio, dos meus pais, de alguns amigos e principalmente das minhas colegas de trabalho e da minha coordenadora. 

Contei para meu noivo (meu atual esposo) por telefone o que estava acontecendo, ele muito emocionado e preocupado somente respondeu que estava preparado para tudo, inclusive para matar um leão por dia junto comigo e com nosso bebê. 

Foi aí que apareceu outro anjo na minha vida, um ginecologista e obstetra maravilhoso, dedicado e preocupado Dr. Ricardo Mazetto juntamente com o meu outro anjo da guarda, o qual era meu endocrinologista naquele tempo Dr. André Gustavo Vianna do centro de Diabetes de Curitiba, graças a essa super equipe, minha gestação foi tranquila, minhas glicemias ficaram mais alinhadas do que normalmente, nem os médicos acreditavam como minhas glicemias se mantinham tão bem. 

Soubemos que o parto seria cesariana, mais uma preocupação com cicatrização, anestesia, enfim, rezávamos e pedíamos a Deus que se ele nos mandou esse presente que era nosso bebê, ele que estivesse ao nosso lado no dia da cesárea. 

O parto pelos ultrassons seria dia 21 de Junho de 2012, mas no dia 16 de Junho de 2012, o meu grande milagre da vida resolveu estourar a bolsa, mais um susto, fomos para o hospital as 19 horas, quando foi 21 horas o meu grande Anjo Gabriel nasceu, mostrando e provando a todos que ele faz jus ao nome que escolhemos “GABRIEL – ENVIADO DE DEUS”, meu filho nasceu com 3.697 kg e 49 cm, super saudável. Quanto a minha cicatrização e recuperação? Foram maravilhosas, pontos secos, cicatriz super fininha sem qualquer problema.


Hoje digo que minha gravidez não foi planejada por mim e pelo meu esposo, mas SIM, ela foi planejada por Deus, pois ele sabia que aquela era a hora, aquele era o momento que eu teria o meu milagre da vida, o meu companheiro de luta, o meu Gabriel. 

Chorei muito e choro sempre contando a minha história de como gravidez é possível SIM pra Diabéticas. Meu filho está aípra mostrar isso, que com um bom controle, uma equipe médica, tudo é possível.