.

Maternidade com Diabetes: Um Desafio Posssível!

2 comentários |
Olá!

Chamo-me Fernanda e hoje vou compartilhar com vocês a minha história. Sou brasileira, baiana, e moro em Portugal há 20 anos. Sou Arquiteta de formação, e atualmente trabalho como Desenhista Projetista de Moldes para injeção de plásticos.

Tenho Diabetes Tipo I desde os meus oito anos de idade. No início do diagnóstico, usei a insulina NPH, era o que tinha para o momento. Com o passar dos anos, e com novas insulinas no mercado, mudamos, o que ajudou muito no tratamento.

Cresci ouvindo que não poderia ser mãe. Os médicos eram unânimes: “Diabéticas” não podem ter filhos! Existem casos, mas é uma irresponsabilidade!

Com este “veredicto”, programei minha cabeça para nunca engravidar, apenas adotar (coisa que ainda sonho fazer). 

O tempo passou,namorei, fiz grandes farras, comi e bebi o que "podia e o que não podia", nunca controlei a glicemia, tomava insulina porque sabia que tinha que tomar, mas, fazer as glicemias capilares ou contar carboidratos... Só fazia quando bem queria.

Casei-me, meu marido era louco para ser pai, começamos a construir esse plano, mas sem autorização médica, pois a minha Ha1C estava 7,5%, sabíamos que os médicos não autorizariam. Enquanto sonhávamos, a Associação Portuguesa de Diabéticos me deu o Sensor Libre, assim minhas glicemias eram constantemente monitoradas, o que me deu mais responsabilidade em meu tratamento.  Parei de tomar o anticoncepcional, usávamos apenas preservativos, mas, algo “falhou”... Engravidei no mesmo mês!  E assim, depois do tão esperado “POSITIVO”, me dediquei de corpo e alma à gestação, fiz tudo o que me foi recomendado, em um mês baixou a Ha1C para 6,5%.



O primeiro trimestre gestacional foi bem tenso, tinha muito medo de ter hipoglicemias, mas consegui controlar tudo impecavelmente! Chorei todas as vezes que fazia exames, tive medo de falhar... Ter conseguido me foi uma GRANDE VITÓRIA!

Só nós mães, sabemos o quanto um filho pode mudar nossa maneira de ser e pensar... No final da gestação minha glicada estava em 5,4%.

E assim, no dia 24 de novembro de 2018, nasceu Maria Leonor, com 2.740g e 45 cm. Ela não teve intercorrência nenhuma, graças a Deus.



Em casa tivemos o grande desafio... A amamentação! Aqui, as maiores partes dos médicos não sabem orientar e acompanhar uma mulher com diabetes que deseja amamentar... Eles não me ajudaram, sai do hospital com um receituário médico prescrevendo Leite Artificial/ Fórmula, para alimentar a minha filha, achei aquilo o “fim do mundo”, mas graças a Deus encontrei a CAM (conselheiras de aleitamento materno), foram elas que me apoiaram e me instruíram.  Tive muitas hipoglicemias neste período, mas as driblei corrigindo com mel, eles sempre estavam ao meu lado ao amamentar



Amamentei até a Maria Leonor completar 12m+4 d; depois ela deixou de querer, e assim desmamou-se.

Hoje minha pequena tem um ano e meio, não posso dizer que é fácil conciliar carreira, maternidade e os demais afazeres, mas como se diz aqui em Portugal: “o que tem que ser, tem muita força". Simplesmente tento! Corro atrás, durmo tarde, mas tento. Tenho em mente que preciso tentar ser o melhor que eu consigo, mas não preciso ser a melhor do mundo... Fica sempre alguma coisa por fazer... 

Meu conselho de hoje para quem deseja engravidar é: Acredite! É possível! Às vezes parece assustador, mas é possível!

Tenham foco! Se planejem antes de engravidar!

Durante a gravidez é pensar: Tudo que pode dar errado comigo, pode acontecer com qualquer mulher grávida sem nenhuma doença preexistente, eu sou igual a todas as outras... E acreditem, é verdade! Procurem informação! Procurem médicos especializados (digo já que é bem difícil), procurem paz, amor e boas glicemias!




Beijinhos